25 Ago 2018
PS3

Análise: Lightning Returns Final Fantasy XIII

Chegou o capítulo final da trilogia Final Fantasy XIII.A heroína Lightning volta em grande destaque depois da sua exclusão no segundo jogo, e desta vez, é a única personagem num RPG open-world com um formato completamente original num Final Fantasy. Lightning Returns termina assim esta história, fechando assim uma geração ocupada quase inteiramente por este título da saga, pioneiro em muitos aspectos nunca antes figurados em qualquer Final Fantasy, para o melhor e o pior na maneira como evoluíram o design da série.

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Desta vez, Lightning é a única personagem jogável.

Para os que não jogaram os títulos prévios, não existem muitos detalhes a aprender. A história do jogo é relativamente simples e fácil de seguir, e a maioria dos eventos encontram-se completamente separados das histórias dos jogos anteriores. O mundo está à beira de acabar, e Lightning tem apenas alguns dias para salvar as almas que puder desse destino, para as levar a um novo mundo. Talvez através de uma má tradução do argumento, os diálogos são terríveis, apoiando-se demasiado em exposição dos mesmos elementos da história, e repetindo os mesmos termos vezes e vezes sem conta, de maneira a que o jogador tenha de ouvir elementos da mesma frase seguidos durante horas. O papel de Lightning na salvação do mundo é mencionado em cada um dos encontros com outros personagens relevantes, com o jogador a ser relembrado do status quo constantemente, criando um drama “mal encaixado” que acaba por não funcionar devido à falta de dinamismo em filmes que “quebram” o ritmo frenético e constante das secções jogáveis. Os personagens possuem personalidades unidimensionais, e apresentam atitudes demasiado simples, não assentando bem na forma lenta como os filmes do jogo fluem. Lightning é um meio para chegar a um fim e nada mais, e qualquer evolução da sua personalidade é forçada para dentro da narrativa de forma desajeitada, nunca sendo satisfatória para o tempo dedicado aos eventos decorridos.

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O novo mundo é bastante vasto, mas confuso.

A jogabilidade é algo extremamente diferente de outros títulos, e altera a percepção normal de um RPG Final Fantasy. Os elementos de level-up normal através de grinding desaparecem por completo, devido às missões do jogo, sendo da história normal ou sidequests, serem a única forma de aumentar os poderes de Lightning. Pequenos encontros de inimigos servem agora para encontrar items variados para completar objectivos. Os seus ataques e armas são desta vez dispostos através de fatos, chamados Schematas. Existem diferentes para colecionar, e para serem equipadas com diferentes armas e poderes, podendo ser equipadas três Schematas diferentes de uma só vez, para serem trocadas durante o combate de modo a que o jogador achar melhor. Existe um grau de dificuldade bastante elevado de início, devido à subsistência em habilidades defensivas para que o jogador perca menos pontos de vida, visto que poções e outras formas de recuperação de energia são agora mais raras e limitadas. Mas este elemento acaba por ser mal implementado, devido ao jogador ser obrigado a ter um equipamento específico antes de encontrar um tipo de inimigo para poder ter sucesso sem perder grande parte da sua vida. Adivinhar situações é uma constante, o que vai fazer com que muitos se apoiem em salvar o jogo bastantes vezes para ultrapassar algo difícil.

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A arte do jogo possui todo o pedigree Final Fantasy.

Um dos elementos mais importantes é o tempo. Lightning possui um limite de horas por dia durante os quais pode explorar o mundo e encontrar diversas missões, cada missão significando um maior sucesso no seu objectivo principal de salvar o mundo. Se a missão principal for falhada antes do tempo, o jogo acaba com um final diferente, e pode recomeçar com tudo o que coleccionou até ao momento durante a sua passagem prévia, tornando-se mais fácil jogar uma segunda vez. O que acaba por ser necessário, visto que a navegação pelas ruas confusas e labirínticas do mundo é de difícil habituação, e tudo menos lógica. A arte e design visual do jogo é altamente estilizado, e muito belo por vezes, dando um bom destaque ao grafismo e animação de terem um valor de produção brilhante, mas construir um mundo aberto e credível não foi o forte da Square-Enix.

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Desta vez, a estratégia aparece através das roupas que Lightning usa.

Lightning Returns consegue ser um jogo que surpreende os fans dos dois primeiros, possuindo muito mais exploração e uma experiência mais rica no geral, mas acabando por ficar do outro lado da moeda completamente, visto que os seus elementos incertos e a forma como os tutoriais parecem explicar tudo menos a dinâmica do jogo tornam-no numa experiência frustrante por vezes, embrulhada num design que não consegue decidir entre os géneros de acção e RPG, acabando por não se especializar em nenhum de forma correcta. Ambas as versões Playstation 3 e Xbox 360 parecem ter alguns problemas no que toca à framerate, embora não estorve a jogabilidade, sendo mais prevalecente durante as secções de exploração. Para alguém que queira saber como a história de Lightning acaba, e tenha bastantes horas para dedicar com paciência às mecânicas do jogo, é uma experiência algo curiosa com elementos originais que valem a pena ser jogados. Mas não estejam à espera de um título sólido.

[display_label style=positivo]Pontos positivos[/display_label]

  • Bom grafismo, arte e animações
  • Elementos interessantes

[display_label style=negativo]Pontos negativos[/display_label]

  • Design caótico
  • Grande quantidade de tutoriais nos elementos em que menos importam
  • Narrativa e diálogos extremamente maus

[display_label style=plataforma]Analisado na Xbox 360 com uma cópia cedida pela Ecoplay[/display_label]

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