30 Ago 2018
PS3

Análise Grand Theft Auto V

O nome “Grand Theft Auto” carrega consigo um peso quase inigualável a qualquer jogo. Os seus jogos na geração 3D foram os mais vendidos na Playstation 2 no auge da sua popularidade. Foi a franchise que popularizou o conceito open-world, e muitas das suas características tornaram-se regra geral em grande parte dos jogos mais importantes das subsequentes gerações. GTA mudou o mundo. Com cada novo título a trazer mais e mais controvérsia ligada, e a causar sensação entre jogadores e curiosos em comum, a sua reputação é bem merecida. E agora que GTA V está finalmente nas lojas, leva consigo expectativas provavelmente mais pesadas do que qualquer outro jogo desta geração.

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Durante uma curta introdução não especialmente espantosa, uma coisa ficamos a saber. As mecânicas de tiro melhoraram exponencialmente, retirando a sabedoria que a Rockstar sem dúvidas ganhou de esforços como Red Dead Redemption e Max Payne 3. Os jogos da série nunca foram especialmente bons no que toca a combate, mas este problema foi grandemente reduzido com uma jogabilidade que o aproxima de um jogo mais típico de cobertura-disparo, mas com a versatibilidade de um grande número de armas disponíveis à escolha, coisa rara de ver em jogos hoje em dia. A segunda parte da introdução, uma pequena corrida que nos apresenta a cidade, também nos permite ver que os controlos de condução também foram melhorados, e bastante facilitados. Os carros não se viram tão facilmente como nos jogos prévios, nem se deslocam como se estivessem sobre gelo, como em GTA IV. Retira um pouco do realismo, mas faz perfeito sentido no que trata de design do jogo, já que como a mecânica de combate, a condução nunca foi um ponto “forte” de GTA. Todos os fans da saga conhecem a já infame necessidade de chocar contra muitas coisas à medida que se segue para o destino, e ficarão felizes com um melhor controlo sobre os carros, mesmo que signifique que tal como um sempre-em-pé, quase todas os choques com capotagem fazem com que o carro volte de maneira não-realista à posição de partida.

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Mas falando a sério, nenhuma destas coisas alguma vez verdadeiramente importou quando se tratou de GTA. Desde os primeiros títulos ao último, nenhum dos jogos da saga foi exemplo para ninguém no que se tratava de jogabilidade. Algum do design roçava a frustração, e algumas missões do jogo, como os aviões telecomandados de San Andreas, eram quase impossíveis. E mesmo assim, estes jogos não deixam de ser o absoluto exemplo de algo brilhantemente criado. E tudo, devido a este mundo que se torna algo vivo, que respira, cresce e brilha, algo extremamente belo de visitar no seu melhor e pior, e uma representação paródica do panorama americano, como apenas a Rockstar nos consegue dar. Diferentes cidadãos dão respostas diferentes à medida que passamos por eles na rua. Situações ao acaso acontecem, desde pequenos crimes, a zangas matrimoniais, a diferentes traços da cultura americana no seu melhor. A rádio do jogo possui um rol invejável de artistas em dezenas de diferentes estações, e canais de televisão dentro do jogo correm todo o tipo de conteúdo, feito especialmente para este mundo. Cinemas em Los Santos abundam, e mostram o que há de melhor de filmes. O mercado de acções permite comprar e vender, de acordo com fluctuações nos negócios que são influenciadas pelo jogador a qualquer momento no mundo. Ténis, ciclismo, golfe… um rol de actividades sem fim é possível, e uma tarefa espontânea como passear pelo parque local pode não só trazer o simples prazer da natureza, mas também descobrir eventos, como uma troca de droga a desenrolar-se, ou um assassino a tentar livrar-se de provas do seu último “trabalho”. As surpresas nunca acabam, e são sempre mais e mais, levando o jogo num caminho que muda sempre, com diálogos feitos para todas as situações, e cada “encontro” cuidadosamente feito para nunca fazer com que o jogador se farte dos mesmos acontecimentos.

Mas a “carne” do jogo, o que a maior parte das pessoas segue sem pensar, é a história principal. As missões pelas quais a série é tão conhecida. E em GTA V, esta é uma das melhores da série. Cada missão do jogo consegue trazer um misto de boa história e puro entertenimento de maneira a manter uma diversão constante. Desde missões de assassinato de personagens altamente protegidas, roubos complexos a diferentes locais e entidades, a uma busca subaquática por uma bomba nuclear, este título tem de tudo, e surpreende sempre. Os personagens também ajudam.

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Longe do charme assassino de Tommy Vercetti, ou do realismo de Niko Bellic, este título tem três personagens completamente diferentes. Michael, um ex-ladrão de bancos que vive numa bela casa de “Hollywood” com a sua família que o odeia, e esconde o seu desconforto profundo com álcool, posses, e filmes antigos. Franklin, uma antítese do típico “gangsta”, que rejeita esse papel e quer mais do que uma vida feita de pequenos crimes. E Trevor, o maior representante das “rampages” psicopatas que tornaram famosas os títulos GTA, um amante do caos e porcaria da violência criminosa. Cada um com a sua neurose, os seus problemas na vida, a sua “maluqueira” à qual pretendem escapar, através de tentativas constantes de controlar a própria vida, que nunca têm sucesso. Estes são homens do mundo moderno, com questões existênciais, dinheiro para financiar loucuras no seu “lifestyle”, e com um comportamento altamente autodestructivo. Ao trocar de personagens, os outros prosseguem com a sua vida, de maneira a que quando o jogador selecciona cada um deles, pode começar a controlá-lo durante uma das suas actividades, durante um momento de repouso, ou no caso de Trevor, algo absolutamente demente. As saídas infames para bowling e outras actividades voltam, mas o jogador terá que as procurar por si próprio. A maior parte do conteúdo deste jogo não se oferece simplesmente através das simples missões, mas sim através da exploração de diferentes locais, a curiosidade pelo mundo que rodeia os personagens é o melhor ponto de partida para a total imersão neste universo.

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No lado técnico, não podemos ser tão felizes. O grafismo tem os detalhes necessários, e é perfeitamente compreensível que um jogo deste tamanho tenha o que muito bem pode ser a maior maravilha técnica desta geração em termos de puro detalhe. Mas o número de bugs é imperdoável. Algumas missões crasham ao ser recomeçadas, ao ponto em que se tem de desligar o jogo para continuar. Glitches são abundantes, tal como paragens e muitos outros problemas. O jogo tem um número frequente de pop-in, com texturas, e mesmo modelos gráficos a desaparecer e aparecer a qualquer momento. Esperemos que sejam reparados com o patch que permitirá jogar o modo multijogador em breve, mas por agora, a experiência é danificada por estes problemas.

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Grand Theft Auto V é um jogo com tudo para ser algo histórico, em design, detalhe e mundo. Não nos foi possível experimentar o modo multijogador, que será adicionado em breve. O tempo de jogo para esta análise quase não me deu para acabar o modo história do jogo, dado o seu tamanho, e tudo o que tem para oferecer. O mundo consegue ser explorado durante meses e meses, sem acabarem os segredos e o conteúdo. As nossas impressões do modo multijogador aparecerão em breve. Absolutamente recomendado, sendo este um forte concorrente para o melhor jogo desta geração.

Vídeo análise:

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