31 Mar 2020
PS3

Análise: Gran Turismo 6

Passaram três anos desde GT5Kazunori Yamauchi e a Polyphony Digital refinaram a série e lançaram um novo Gran Turismo, Gran Turismo 6, em exclusivo na PlayStation 3.

A Polyphony Digital sempre conseguiu levar as consolas ao limite com a série GT e de forma arriscada, lançou um jogo numa altura em que uma nova consola estava a ser lançada. As críticas foram lançadas e muitos jogadores sublinharam a importância de GT6 sair para a PS4 e não para a PS3, será que GT6 ainda fazia sentido na geração actual? Será apenas um GT5 mas com novos veículos, pistas e pouco mais? Vamos tentar esclarecer estas e outras questões na análise que se segue, feita por um amante e seguidor da série desde os seus tempos na PlayStation.

Desde o começo da série, a Polyphony Digital intitulou GT como “The Real Driving Simulator”, uma premissa para o grande objectivo que a equipa tinha com o jogo. Construir uma experiência o mais realista possível, recheada de veículos, visuais cada vez mais próximos da realidade com carros detalhados ao pormenor, circuitos reais e agora no presente até uma competição europeia desenvolveu, onde qualquer cidadão comum pode atingir o patamar de piloto profissional, dando uso às suas habilidades em Gran Turismo. Por aqui já conseguimos ter uma base para o que se pode esperar em Gran Turismo.

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Em 2010 sentimos falta de algum polimento em GT5, um jogo que apesar de ter a sua qualidade mostrava falhas que não se esperavam da Polyphony Digital, sendo a mais notável os veículos Standard e os veículos Premium – uma escolha visual que desagradou muitos fãs. Nos jogos anteriores, não havia diferenças entre os visuais dos carros, podíamos contar sempre com o seu limite de detalhe visual. Em GT5 isso foi quebrado com a entrada dos carros Standard, que apresentavam visuais que se assemelhavam aos da PlayStation 2. Felizmente a Polyphony Digital resolveu esta questão em GT6 e começou aqui uma série de pontos positivos a seu favor.

Ao todo podem contar com uma biblioteca de 1200 carros para coleccionar, testar, fotografar, passear, ou simplesmente “picar” os vossos amigos para uma corrida online. Muitos dos veículos já são conhecidos dos jogos anteriores com 120 novos carros a darem entrada, sem separação entre modelos Premium e modelos Standard, desta vez todos vão conter o mesmo detalhe visual, sempre com atenção ao pormenor. Para além dos visuais, a personalização também já passa a fazer parte de todos os carros, para que possam ajustar força de travagem, caixa de mudanças, etc. ao vosso gosto. Por este lado continua-se a luta por um Lamborghini Reventon, que teima em não chegar.

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As pistas e cenários em seu redor por vezes confundem-nos com a realidade, ao todo são 37 pistas, com 7 novas pistas a marcar entrada na série. Mt Panorama, Brands Hatch, Apricot Hill e a famosa Silverstone onde Miguel Faísca conquistou o título europeu, são apenas algumas das novas pistas presentes para satisfazer os apaixonados pela condução automóvel.

Como falamos de um jogo que visa ser rotulado como um simulador real de condução, não podíamos deixar de parte as condições climatéricas e o impacto da hora nas corridas que realizamos. A primeira reacção que tive foi um flashback até ao ano 2005, em Gran Turismo 4, quando por turnos enfrentei com um amigo o percurso Nürburgring, 24 horas de pura dor. Ora, se aqui temos uma simulação real a primeira coisa que salta à vista é realmente testar GT6 ao limite e embarcar numa aventura destas e admirar o nascer e pôr do sol no famoso percurso Le Mans. Infelizmente e como temos uma análise em mãos não dava para aventurar 24h de percurso para testar esta funcionalidade, mas conseguimos em tempo útil confirmar esta funcionalidade. O céu estrelado provoca-nos a à sua admiração, a chuva cai durante horas e pára, a Polyphony Digital dedicou–se a estudar as pistas e as condições climatéricas da sua zona para em tempo real tornar a experiência o mais realista possível.

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Um ponto que me provocava queixas em GT5 era o tempo de carregamento entre alguns menus de jogo. Quebrava aquela ânsia pela velocidade e adrenalina que algumas corridas nos injectavam. Este também foi um aspecto trabalhado em GT6, com uma nova interface a ser aplicada – mais simples, directa e com as principais funcionalidades logo à mão, onde os tempos de carregamento também foram melhorados.

Ok, já falámos dos visuais, dos carros, das melhorias de interface, das pistas, mas e o que realmente importa? Qual é a sensação de condução? Está melhor que GT5?
Gran Turismo nunca foi um jogo para todo o tipo de jogadores, a condução arcada está longe da série e o jogo obriga-nos a praticar e a conhecer ao máximo os carros que decidimos conduzir. Seja pela sua classe, tipo de tracção ou factores que o caracterizem. Nunca conseguem conduzir todos os carros da mesma forma e vão ser precisas muitas horas de jogo para dominar cada tipo de carro a um nível bom. Um deslize numa curva, uma travagem demasiado cedo, falta de risco, são pontos que podem sacrificar uma vitória numa corrida. A Polyphony Digital juntou os melhores técnicos automóveis e carro a carro redesenhou a experiência de GT5, com um novo sistema de física que tem impacto directo com diversos factores dos carros. Os pneus desgastam-se de forma real conforme a sua zona mais afectada (e não por igual como nos anteriores), a aerodinâmica de cada veículo tem impacto na sua mobilidade e pede-nos sempre um ajuste ao nosso estilo de condução. Sendo que esta está mais refinada que nos anteriores, mantendo claro o seu ponto forte: o realismo.

O som é realmente um elemento que deve ser sempre tido em conta. Os amantes do mundo automóvel gostam sempre de apreciar o som das suas bombas e muitos conhecem os motores só de ouvido. Nesse aspecto e graças à captação autêntica dos sons de cada carro, não se vão desiludir com GT6. A componente sonora apenas falha quando sofremos colisões, em efeitos sonoros sem grande trabalho e impacto.

Nos dias de hoje o online começa a ser cada vez mais visto como um requisito nos videojogos. Em GT6 e tal como em GT5, o modo online continua presente. Assim que insiram o jogo na vossa PlayStation 3 recebem o pedido para actualizar o jogo com o “Day One Patch”, activando este as funcionalidades online do jogo.

[singlepic id=5805 w=320 h=240 float=left]Na componente online a Polyphony Digital deu claramente ouvidos aos jogadores e melhorou alguns aspectos em relação a GT5. As corridas são mais fáceis de criar ou juntar, os campeonatos são criados em tempo aceitável e caso não sejam vocês os responsáveis pela organização mas sim os participantes, podem ir dando umas voltas à pista, conhecer as curvas e praticar o terreno enquanto o anfitrião configura a corrida. O jogo procura sempre equilibrar os adversários entre as corridas mas por vezes não há volta a dar e vão encontrar-se cercados de carros com um calibre diferente do vosso. Nessa altura são os vossos dedos (ou mãos e pés se usarem volante) que podem decidir toda a corrida.

O modo carreira é o ponto forte de Gran Turismo 6 e onde sem dúvida vamos investir grande parte do nosso tempo. Como nos anteriores, a carreira encontra-se dividida entre os vários tipos de provas disponíveis começando claro pelas pistas de “Novato” onde os percursos são mais curtos e servem essencialmente para nos preparar para o pior. O jogo constitui a sua habitual curva de aprendizagem que é acompanhada na perfeição com o aumento de dificuldade entre percursos e desafios. De modo a quebrar a rotina de corrida seguida de corrida, a Polyphony Digital adicionou percursos como uma exploração lunar – sim, parece estranho mas não deixa de ser divertido, eventos especiais de corrida e a recente aquisição de GT6 os desafios Coffee Break. Estes desafios quebram a rotina e de forma mais descontraída derrubamos cones sempre com o contra-relógio debaixo de olho mas sem pressão adversária. As corridas que forem ganhando atribuem estrelas que depois são convertidas em recompensas como por exemplo um carro numa série de provas. Estas estrelas também desbloqueiam o acesso a novas competições e às nossas amigas e já conhecidas, licenças.

Polyphony Digital conseguiu evoluir o jogo graças à sua dedicação à série e ao realismo e a prova disso é a entrada do modo Vision GT onde as recentes parcerias deram frutos e permitem agora aos jogadores da PlayStation 3 experimentar muitos carros que nem vão chegar a ser produzidos. Sejam protótipos ou carros que estão mesmo em produção, no decorrer do tempo vão sendo disponibilizados carros novos para que possam testar como for do vosso agrado. Neste momento já podem dar uma volta no Mercedes-Benz AMG.

Uma das novidades que mais me deixou curioso e com vontade de testar é a funcionalidade Course Maker. Imaginem o vosso percurso de casa para o trabalho, de casa para a escola, para onde quer que seja, mas dentro do virtual, dentro do Gran Turismo 6. Esta funcionalidade ainda não está presente no jogo mas deverá chegar numa recente actualização. Graças às funcionalidades GPS vamos conseguir criar um percurso através do nosso telemóvel e ao final do dia levar a competição para a PlayStation 3. Preparem-se para comparar tempos entre o vosso carro caseiro e uma das máquinas da vossa garagem do GT6.

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Algo também novo em GT6 são as micro-transacções. Pela primeira vez podem investir dinheiro real à troca por Créditos Gran Turismo. Uma adição justificada pela Polyphony Digital onde o público-alvo são os jogadores que não possuem tanto tempo disponível para jogar e gostavam de ter a possibilidade de investir dinheiro real para terem acesso aos seus carros de sonho sem demasiado trabalho. Se quiserem jogar sem gastar qualquer dinheiro extra, podem claro levar a experiência à antiga, com muitas corridas e muitos nervos em cima da meta final.

Kazunori Yamauchi e a sua equipa conseguem ainda entregar o que será possivelmente o último Gran Turismo na PlayStation 3 comprovando a aposta certa da Sony no seu projecto.

Gran Turismo 6 não podia fugir muito a Gran Turismo 5 mas a Polyphony Digital conseguiu refinar a física do jogo, ouvir os fãs e melhorar vários aspectos de GT5 e ainda incluir novas dinâmicas e modos de jogo. O jogo consegue funcionar perfeitamente no que é: um simulador de condução que vai proporcionar imensas horas de jogo. Obrigatório para qualquer amante do mundo automóvel e a prova certa da Sony na PlayStation 3.

Agora resta-nos explorar e tirar o máximo partido de GT6 enquanto Kaz e a sua equipa trabalham num novo jogo para a PlayStation 4.

[display_label style=plataforma]Analisado na PlayStation 3 com uma cópia cedida pela Sony PlayStation Portugal[/display_label]

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