22 Out 2020
PS4

Análise – Final Fantasy XIV: Heavensward

Final Fantasy XIV: Heavensward é o tipo de jogo que o comum dos mortais iria evitar. O seu antepassado online deixou muito a desejar e a fama persegue este novo jogo. Porém a Square Enix lançou esta expansão na esperança que a sua má fama seja deitada abaixo.

Toda a mecânica em volta desta nova expansão mantêm-se exatamente igual a sua base FFXIV: A Realm Reborn. No entanto isto não é um ponto negativo dependendo da opinião que se tem do jogo base FFXIV: Realm Reborn. Por outro lado, a Square Enix ao decidir jogar pelo seguro, não trouxe sangue novo ao jogo.

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Um dos pontos mais fracos de Heavensward é o sistema de progressão, que não traz nada de novo. As novas instâncias seguem o mesmo padrão que as anteriores e continuam a ser a maneira mais eficaz de subir de nível, juntamente com FATEs e quests, das quais mantém exactamente os mesmo padrões. Mas também, quebrar este tipo de rotina e inovar o sistema de leveling não é uma tarefa fácil. A esperança recai então sobre os novos jobs e um final de jogo que possa trazer satisfação à tarefa árdua que um jogador teve para chegar ao fim. Infelizmente, estes pontos também não foram fortes.

As diferenças entre os novos jobs e os antigos são mínimos. Pequenos tweaks aqui e ali, o único que tem um destaque diferente, será mesmo o Machinist.

No caso do Dark Knight, as habilidades de tank seguem as mesmas mecânicas que a do Warrior e a do Paladin. Uma vez que se ganhe hate, só temos que utilizar um combo de enmity para manter o inimigo em nós.
O Astrologian é uma mistura entre o White Mage e o Scholar, ambos healers já existentes no jogo. O fator de diferenciação aqui baseia-se no sistema de buffs aleatórios que pode ir desde a redução de cooldowns ao aumento de dano, fazendo com que este novo job seja mais um de suporte do que propriamente de healer. Mesmo assim, a Square Enix não quis colocar estes buffs demasiado poderosos e ao juntarmos o factor aleatório, podemos estar muito tempo numa batalha sem ter o buff desejado/adequado. Fala-se de um possível buff a este sistema, mas até lá não é suficiente para que haja uma grande diferenciação das skills do White Mage ou do Scholar.
Por fim, como uma espécie de diversificação, temos o Machinist que utiliza torres e um misto de suporte, debuffs e habilidades que dão dano. Por um lado, é ótimo termos esta lufada de ar fresco num job, mas por outro lado, já existe tanta variedade na área de DPS, que do nosso ponto de vista, nesta expansão os tanks ou os healers é que deviam ter tido a maior notoriedade. Para juntar a festa, desde o lançamento desta expansão que o Machinist é considerado o job mais fraco, onde é requerido imensa perícia mas com um retorno não ao nível desejado.
Heavensward não trouxe apenas pontos negativos. Esta expansão adicionou novas habilidades aos jobs e classes existentes. Cada um é bastante equilibrado e tem as suas forças e fraquezas, trazendo assim uma satisfação às classes existentes. Obviamente que algumas novas habilidades foram melhor recebidas que outras, mas no geral todas elas foram bem recebidas pela comunidade. Por exemplo, temos o caso do Summoner que estava a necessitar de AoE e nesta expansão é sem dúvida uma das melhores classes onde evoca o poder do lendário Bahamut.

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A nível de final de jogo, não é que não seja divertido ou que não haja conteúdo, especialmente se formos novos neste jogo, mas a similaridade entre este final de jogo e o que já existia é imensa. A maior parte das pessoas que compraram esta expansão, foram pessoas que já jogaram a base do jogo antes da expansão, e anos foram esperados por esta primeira expansão, apenas para no fim refazermos novamente a “mesma” rotação nas dungeons.

A verdade? Funciona. Portanto percebemos o porquê da Square Enix não querer correr um risco demasiado grande e mudar a fórmula atual. Mas os jogadores estão cada vez mais exigentes e pedem mais do que limpar uma dungeon com 3 bosses vezes sem conta.

O ponto mais forte de Heavensward é sem dúvida a sua graciosa história e cenários. Se não houvesse o factor de filler nas quests e fosse puramente história, a determinado momento nem sentiríamos que estaríamos a jogar a um MMORPG. A quantidade de história neste jogo é equivalente a sua qualidade, cheia de acção, reviravoltas e personagens novas. Este ponto, é sem dúvida o ponto mais acertado da Square Enix e assim esperamos que o mantenham nos futuros jogos.

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Todas as áreas novas em Heavensward são de um grafismo impressionante, acompanhado com a música ambiente eleva os cenários a um novo patamar. Podermos voar nestas novas áreas é um bom toque. Serve o propósito de se conseguir navegar muito melhor e rapidamente que antes, mas também vem oferecer uma nova perspetiva dos cenários.
Ishgard trás precisamente aquilo que os jogadores pediram e imaginaram, sendo um oposto as outras cidades de Eorzean. Dravania e Alabathias Spine tornam-se cada vez mais desafiantes à medida que fazemos a nossa viagem, acabando por ser uma area digna do estilo Final Fantasy.

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Em suma, é uma pena que a Square Enix não se tenha aventurado mais com esta expansão. Lembro-me da diferença entre o estilo de jogo Final Fantasy VII e Final Fantasy X em que revolucionaram o sistema de combate de jogo para jogo. A Square Enix preferiu jogar muito pelo seguro e o resultado é Heavensward. Tudo funciona de um modo e tudo encaixa bem, mas o hype causado à volta do jogo na nossa opinião não foi devidamente respondido. Uma vez o end content feito, ficamos com uma “cópia” do jogo que já saiu a cerca de dois/três anos.

Square Enix, não tenhas medo de arriscar, sabemos que és capaz de não estragar o que estava feito de bom, mas arrisca!

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