Far Cry 3 foi uma das melhores experiências que tive o prazer de jogar no ano passado e quando anunciaram este Blood Dragon comecei inicialmente por torcer o nariz. Afinal estava enganado…

Blood Dragon é uma expansão, que não requer a posse de Far Cry 3 para ser jogado e custa sensivelmente 15€ nos serviços digitais da Xbox 360, PS3 e PC. Apesar de ser rotulado como expansão eu encaro este jogo como um MOD do original, mas um MOD dispendioso e de qualidade.

O objetivo do jogo é matar tudo o que mexe: matar blá blá blá matar, sim esta frase foi retirada do jogo e é o que a nossa personagem diz quando lhe tentam explicar uma missão, mas já lá vamos.

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O que destaca o jogo de tantos outros shooters e mesmo de Far Cry 3 é a ambição que os criadores tiveram com ele e que foi com algum sucesso aplicada, essa ambição de levar os jogadores aos bons tempos dos filmes de ação dos anos 80. Todas aquelas explosões e situações de Rambo estão de algum modo recriadas no jogo. Os gráficos apresentam um estilo retro muito peculiar em tons violeta e as cinemáticas parecem saídas das consolas de 16 bits, no entanto são bastante divertidas de assistir. Os carregamentos e o aspeto geral do jogo apresentam uma imagem que simula de certo modo as cassetes VHS e claro, os neons são o futuro.

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Quem jogou o original vai sentir-se como peixe na água no mundo de Blood Dragon, os controlos são semelhantes e muitas das mecânicas introduzidas em Far Cry 3 mantêm-se aqui. A movimentação da nossa personagem, um Cyborg catalogado da série Mark IV, Rex Colt tem o mesmo feeling da personagem do jogo original mas com a exceção de podermos cair de alturas muito superiores sem sofrermos dano, afinal somos um Cyborg!

Toda a ação se desenrola numa ilha, que os mais atentos e conhecedores de Far Cry 3 vão reconhecer e por motivos que não vou revelar, somos convidados a tentar parar experiências nucleares que lá estão a ser desenvolvidas.
Controlando Rex Colt o jogador vai enfrentar um exército de soldados cybernéticos dispondo de um vasto armamento que vai sendo adquirido durante o desenrolar do jogo e como se isso não bastasse ainda encontra os “Blood Dragons” que se assemelham muito a dinossauros de grande porte. Estes dragões na sua base de ação assemelham-se muito aos predadores encontrados em Far Cry 3, atacam o jogador mas também podemos usá-los para atacar o inimigo atirando os corações dos cyborgs que eliminamos, arrancando-os dos seus corpos, para os locais que pretendemos que eles ataquem. A energia destes dragões é enorme e aniquilá-los por vezes não é fácil.

Os campos inimigos que podíamos conquistar em Far Cry 3 foram substituídos por fortalezas, cercadas por uma espécie de escudo de segurança que o jogador pode desligar para atrair os dragões lá para dentro e tornando assim a sua captura muito mais fácil, também assim fazendo com que depois o jogador tenha de eliminar os dragões.

[singlepic id=3031 w=320 h=240 float=left]A nossa personagem evolui automaticamente consoante o nosso progresso no jogo e foi descartado o sistema de evolução presente no jogo original. Os ataques corpo a corpo efetuados furtivamente continuam a ter o mesmo divertimento e com alguma habilidade podemos desencadear combos neste tipo de ataques desde que não sejamos detetados. O armamento também não dispõe da quantidade de opções presentes em Far Cry 3 mas o sistema de compra de armas e escolha de equipamento mantém-se semelhante.

Para mim a melhor componente do jogo é sem dúvida o som, incrivelmente agregado ao estilo de jogo que pretende ser Blood Dragon. Toda a banda sonora é extremamente retro mas no mais puro estilo de ficção científica existente nos filmes dos anos 80.

A interpretação da nossa personagem foi feita por Michael Biehn e assenta que nem uma luva na personagem que é Rex Colt. Os diálogos são a alma do jogo e fizeram-me soltar umas quantas gargalhadas durante as cerca de 8 horas que passei com ele, desde o espetacular tutorial que ocorre nos primeiros momentos de jogo até à sua conclusão não me lembro de mais nenhum jogo que goze tanto com o que faz ou que que me fizesse rir tanto com a genialidade dos comentários da personagem. Todo o texto de jogo encontra-se em português mesmo os palavrões.

[singlepic id=3028 w=320 h=240 float=right]A ambição do jogo querer ser a todo custo uma espécie de retro de ficção também poderá afastar alguns jogadores. O estilo gráfico é puxado nos tons de cor que usa e não é para todos, ou se gosta ou se odeia, penso que não poderá haver meio-termo. Também não há paisagens de cortar a respiração como havia em Far Cry 3, penso que aqui os produtores mesmo com o estilo gráfico imposto ao jogo poderiam ter aproveitado melhor o motor que o faz correr. A falta de características na evolução da personagem e outros elementos de jogo quando comparados com o original, também poderiam ser apontados como um ponto negativo mas tudo o que está neste jogo é bem feito e pelo preço que se pede nada mais se pode exigir.

Com ou sem a experiência de Far Cry 3 qualquer um que goste de jogos de ação na primeira pessoa deveria experimentar Blood Dragon e para os mais velhos que adoraram o que de bom se produziu os anos 80 esta recomendação faz ainda mais sentido.

Versão testada: Xbox 360.