01 Set 2018
PS3

Análise: Enslaved

Têm surgido muitos jogos com cenários pós-apocalípticos, e Enslaved é um deles. Mas este não nos mostra as coisas tal como estamos habituados a ver nos diversos jogos já existentes com esse foco.
Enslaved mostra-nos uma América em ruínas, 150 anos no futuro, mas esta não está caracterizada com um ambiente obscuro e sem vida, muito pelo contrário. Este mundo é caracterizado com vida selvagem por todos os lados, os cenários estão cobertos de plantas, mostrando já o trabalho da mãe natureza, depois das guerras e destruições feita pelos humanos, tudo está mudado e agora são os robots que controlam este mundo, e os humanos que sobreviveram são feitos escravos destas máquinas, pois para este mundo os únicos alvos e inimigos são os humanos.
1

Monkey e Trip são os personagens do jogo, mas apenas Monkey é jogável. Aprisionados numa nave de escravos, os nossos dois personagens conseguem sair das suas selas. Nesta fuga Monkey revela a Trip a sua força bruta, e ela, sendo uma perita na tecnologia existente, percebe que ele poderá ser o seu bilhete de regresso a sua casa, visto ela ser fraca para enfrentar os robots que se encontram a vigiar a cidade. Quando conseguem sair da nave onde estão aprisionados, Trip coloca em Monkey uma coroa que liga a vida dela à vida dele, fazendo assim a jornada que ela queria fazer, a jornada dele, pois se ela morresse ele também iria morrer, e por isso os nossos dois personagens começam aqui uma aventura em conjunto, onde o grande objectivo é sobreviver em cada combate contra robots que estão a controlar todo este mundo, em busca de um caminho seguro de regresso a casa.
Durante esta jornada, Monkey, submetido às ordens de Trip, vai descobrindo certos segredos que se escondem na sua cabeça, algo que o faz querer continuar esta jornada perigosa, com vários caminhos e quebra-cabeças que nos levarão sempre a um caminho que está protegido por soldados. Logo, a história deste jogo está repleta de ação em cada esquina dobrada.

1

Os gráficos que foram prometidos pela Ninja Theory não foram apresentados. O detalhe dos personagens não é o melhor, notando-se em alguns pontos, principalmente em cutscenes mais próximas dos mesmos, algumas arestas nos ombros de Monkey, sendo que este é um tipo de jogo que não deveria ter estas falhas gráficas. O cabelo de Monkey não demonstra grande detalhe, mas se isso até é algo que se pode deixar passar, o mesmo já não acontece com as animações, que em grande parte não estão devidamente bem elaboradas, o que acaba por desiludir em determinados movimentos executados pelos nossos personagens. Colocando alguns dos pontos anteriores de lado o jogo graficamente está agradável, com boas iluminações, cenários muito agradáveis e bem conseguidos, conseguindo colocar um ambiente destruído e misterioso, sem usar a vertente obscura, e com cutscenes que fazem com que sintamos que os nossos personagens, por mais diferentes que possam ser, se vão começando a entender e que aos poucos e poucos se começam a “remar” para o mesmo lado. Mas também temos a presença de pequenas cutscenes quando fazemos um finisher a um robot, sendo esta uma boa maneira de viver bem o golpe final que foi dado na máquina. Durante as nossas caminhadas pelos cenários, muitas vezes seremos confrontados com pequenos vídeos que nos dão uma melhor ideia do que está a acontecer, e nos colocam um pouco mais dentro da história que nos rodeia, tornando desta maneira o perigo mais realístico e cativante, do que apenas no gameplay.
1

Para acompanhar os efeitos visuais vêm os efeitos sonoros, que completam toda a essência que o jogo tem. Este é um dos poucos jogos em que as conversas durante o gameplay estão bem conseguidas, trazendo um ambiente de maior ação ao jogo, e também transmitem a ideia de que os personagens não são mudos, enquanto estamos a jogar, e apenas ganham voz nos vídeos.
Os momentos de ação, como fugas ou tentativas de chegar a locais seguros, são acompanhados com uma musiquinha que coloca mais entusiasmo na cena. Os sons do bastão do nosso personagem a bater nas máquinas está bastante agradável, e mesmo os tiros que o bastão nos permite dar fazem um efeito de choque sobre o metal dos robots.

A jogabilidade é o que mais pode desiludir. É um pouco lenta, e visto que praticamente tudo é automático no nosso personagem, muitas das vezes queremos saltar e o personagem dá uma cambalhota para a frente. Isto obriga-nos a chegar ao pé de algo que queremos subir ou saltar, parar por breves milésimos, e saltar, para que ele então reconheça que terá que saltar naquele local. Os comandos estão adequados à jogabilidade, simples e correspondem maioritariamente ao normal neste tipo de jogos de ação aventura. Mas tendo em conta a automatização do personagem, deveriam ter colocado outras ações distribuídas por outros botões. Os combates estão bastante simples, sendo necessárias apenas duas teclas para atacar, uma para defender e outra para desviar, e o controlo da sua prancha também é fácil e bastante engraçado. A movimentação do personagem não é a melhor, visto que em certas zonas temos que o movimentar com pequenos passos, o que é um pouco difícil devido à automatização que está colocada sobre o mesmo, que lhe inicia a corrida. Se carregarmos no B ele anda mais devagar, mas demasiado devagar para alguns momentos de maior ação.

Estas dificuldades que poderemos ter para controlar o posicionamento do nosso personagem, poderão aumentar o tempo que demoraremos a passar determinadas partes, sendo que em alguns dos momentos um erro poderá significar a morte ou efectuar inúmeras tentativas para conseguir completar os objetivos. É claro que tudo depende de cada um, até para derrotar os “bosses” que nos aparecem podemos emperrar durante algum tempo, até percebermos a melhor maneira para os deitar ao chão de vez, mas para completar este jogo, que está dividido por 14 capítulos, iremos precisar de cerca de 10 horas, onde é quase certo uma repetição para completar os achievements do jogo, e esperar pelosDLCs que virão dar mais umas horinhas de jogo.

1

Para dar um ponto final, este jogo não é um jogo tão fenomenal como se estava à espera, tem bons pormenores, como termos mesmo de proteger a nossa parceira. A coroa que Monkey tem na cabeça e que é controlada pela Trip faz com que não prossigamos na mapa sem termos as coisas controladas, visto ela ser uma personagem indefesa e termos de protegê-la e ajudá-la nesta jornada, pois se ela morre o Monkey também vai com ela, já que a vida dela está ligada à coroa. As armas do nosso macaco são umas luvas de ferro que ele roubou na sua fuga da nave, e um bastão lhe permite bater e disparar tiros sobre os robots, uns para dar dano, e outros apenas para os paralisar. Estes pormenores e os pormenores de fazerem cenários pós-apocalípticos destruídos mas com vida, já o diferencia da maioria dos jogos que usam esse estilo mas colocam sempre escuridão e morte.

[nggallery id=19]

Também te pode interessar