Do Kickstarter para as consolas e PC, será que Dragon Fin Soup é um indie de referência?

“Capuchinho Vermelho malcriada e bêbeda”, é assim que defino Robin, a protagonista de Dragon Fin Soup, projecto financiado através do Kickstarter por $119 720 e produzido pela Grimm Bros.

Este roguelike é um turbilhão de ideias, começando pela jogabilidade que é um mistura de RPG por turnos, RPG de acção ao estilo de Diablo e uma pitada de RPG táctico. Com o loot que apanhamos é possível “craftar” armamento e comida. Também temos um sistema de Pet, e como não pode faltar num RPG, skills. A particularidade das skills neste jogo é que ao invés de serem obtidas à medida que o nosso personagem vai evoluindo, vão aparecendo em baús de forma aleatória e é muito raro aparecer uma. Fora de combate os movimentos de Robin são visualmente agradáveis e fluidos, mas em batalha a coisa muda de figura e é aqui que se começa a ver que estes 3 estilos de RPG não foram bem misturados.

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Quando iniciamos o modo de história, pedem-nos um nome para o mundo. Esse nome vai servir como seed, que consoante o nome que escolhem, o mundo vai ser gerado de forma diferente, um sistema semelhante ao usado em Minecraft. O lado positivo nisto é que o mapa vai ser diferente cada vez que iniciarmos um novo jogo, nesse aspecto comparo, mais uma vez, a Diablo. O lado negativo dos seeds é que como é tudo gerado aleatoriamente, algumas zonas parecem ter vários elementos muito juntos, e outras podem parecer muito vazias. A câmera também não ajuda e por vezes não conseguia avançar, porque tinha algo que não me deixava passar mas não conseguia ver o que era. Uma pena, pois um jogo com um visual tão belo merecia um level design bem trabalhado. A arte do jogo é cartoonesca, e destaco a art work que é lindíssima, principalmente do planeta e por vezes fico um bocado no ecrã de selecção de área a contemplar o desenho. Podemos partir vários objectos no cenário, tais como cercas, árvores, caixas e vasos, mas não se armem em Link e comecem a partir todos os vasos que encontram, pois tudo o que partirem na cidade será retirado o seu valor do vosso bolso, um pormenor que achei bastante interessante. Achei também que os loadings são muito longos para o jogo que é, mas acredito que demorem tanto por estar a gerar o mapa.

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A história é simples, e apesar de tens bons diálogos, referências a outros jogos e filmes, personagens claramente baseadas em outras obras e muito humor, é aborrecida e não incentiva o jogador. Alguns diálogos repetem-se e as missões pouco ao nada trazem ao jogo, pois muitas delas são ir a local X e matar tudo o que se move, ou ir entregar uma cesta de comida a um soldado ou até apanhar peixe.

Dragon Fin Soup é uma salada russa de conteúdo em que os ingredientes estão mal distribuídos.

Para além do modo de história, podemos contar também com o Survival e o Endless Labyrinth. No primeiro temos de sobreviver o máximo possível em vagas infindáveis de dungeons geradas aleatoriamente. No Endless Labyrith percorremos um labirinto sem fim e o objectivo chegar o mais longe possível. Neste modo podemos desbloquear mais personagens ao atingirmos um certo número de área do labirinto descoberta.

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Dragon Fin Soup não é um mau jogo, apesar dos bugs, problemas ortográficos nos diálogos e jogabilidade confusa, é um jogo cheio de boas ideias mas aplicadas de maneira errada. Se tivessem apostado apenas em dois géneros de combate em vez de 3, acredito que teria saído bem melhor.  Não é um jogo que me faça voltar a repetir a história, mas de certo me irá prender por mais algum tempo no Survival e no Endless Labyrinth, seja para desbloquear personagens ou apenas pelo prazer de chegar mais longe.