Dead Space 3 marca o regresso da respeitada Visceral Games e de Isaac Clarke que assume novamente o papel de principal protagonista nesta aventura. O terror está de volta aos nossos monitores com algumas mudanças pelo caminho como a entrada de um modo cooperativo pela primeira vez na série e uma base mais fixada na acção e não tanto no medo.

Terá a Visceral Games conseguido manter a experiência? 

Começando pela história e não querendo estragar a vossa experiência no jogo, Dead Space 3 arranca com Isaac Clarke que se encontra escondido a tentar esquecer tudo o que atravessou com o “The Marker”. Mas como não poderia deixar de ser, Isaac vê-se novamente arrastado para o centro do jogo quando é procurado para ajudar na luta contra os necromorphs que estão de volta. Isaac parte na procura do “Marker” original que se encontra no planeta Tau Volantis. O resto terão que descobrir por vocês, ficando já a ressalva que em termos de envolvência com o personagem principal e com o desenrolar da história, não contem com uma experiência tão boa como nos jogos anteriores, principalmente como tivemos em Dead Space.

[singlepic id=2256 w=320 h=240 float=left]Ao contrário dos antigos onde nos sentíamos mais sozinhos na nossa cruzada, em Dead Space 3 vamos ter um grupo do nosso lado que nos vai ajudando ao longo do jogo e ainda o nosso companheiro principal, John Carver.

Se já jogarem os jogos anteriores e principalmente o primeiro Dead Space, vão notar muita diferença no que toca à atmosfera gerada em Dead Space 3. Os cenários continuam fabulosos e conseguem inserir perfeitamente o jogador num ambiente sci-fi de Dead Space. Os inimigos continuam a ouvir-se à distância, as luzes que piscam, portas encravadas, surpresas nos elevadores, enfim, tudo o que é preciso num jogo do género. O trabalho por detrás dos ambientes e da banda sonora continua de louvar e tornam realmente Dead Space 3 e toda a sua saga numa das experiências mais marcantes dos videojogos.

Durante esta exploração de áreas e de avanço no jogo vamos apanhando pelo caminho restos de materiais que mais tarde transformamos em melhorias para as nossas armas. O sistema de créditos e de power nodes que existiam nos jogos anteriores desapareceu. Temos assim uma forma diferente de actualizarmos o nosso arsenal, muito à base da experimentação e com um sistema que de inicio consegue ser um pouco confuso. Vai pedir alguma habituação e várias tentativas até termos as armas ao nosso gosto. Uma adição que ajuda a diferenciar o nosso género de jogo e abordagem aos inimigos que nos assombram. Certas partes do jogo continuam apenas acessíveis depois de desbloquearmos os puzzles que surgem, sendo que muitos já são preparados para dois jogadores. Um fica ocupado a lidar com a enchente de inimigos enquanto o outro tenta desbloquear o puzzle.

[singlepic id=2258 w=320 h=240 float=right]Ainda no campo das armas, só podemos agora carregar duas ao mesmo tempo. De inicio achamos como pouca variedade mas acaba por não ser graças ao sistema que referimos anteriormente. É tudo uma questão de gosto e de preparar cada arma da melhor maneira possível à nossa maneira de jogar. De uma forma geral o jogo está longe da dificuldade a que estávamos habituados. A falta de munições já não é uma constante e mesmo os “health packs” aparecem com fartura, quando comparado com os jogos anteriores. Se procuram estar mais próximo dos jogos anteriores é aconselhado aumentar a dificuldade logo no começo do jogo. Se forem já veteranos no universo Dead Space vão sem dúvida considerar Dead Space 3 como um dos mais fáceis da saga.

Com esta facilidade de munições e vida a Visceral optou por dificultar o jogo enviando ondas de inimigos, uma atrás da outra. E perdendo o seu ponto forte que era o terror, Dead Space 3 ganhou outra coisa, mais tensão ainda. Com inimigos a caírem nas nossas costas, outros a rastejarem por detrás das mesas e um ao fundo da sala a correr na nossa direcção, vai haver muito pouco tempo para pensar e o que vai valer é o reflexo dos nossos dedos e muita stasis, muita stasis

Tanto o módulo de stasis como kinect continuam presentes e de igual forma aos jogos anteriores. Podemos usar o kinect para abrir portas, alavancas ou deslocar objectos ou tornar os nossos inimigos mais lentos com stasis.

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Visualmente o jogo consegue ser mais refinado que os anteriores onde apesar de não se ver uma diferença muito notória, nenhumas das áreas perdeu qualidade para um jogo desta magnitude. Seja os passeios no espaço enquanto andamos de jetpack ou as travessias no meio da neve, a Visceral conseguiu cuidadosamente trabalhar cada área onde um bom sistema de som vai proporcionar uma experiência totalmente diferente.

[singlepic id=2254 w=320 h=240 float=left]Mas não podemos falar de Dead Space 3 sem tocar claro no sistema cooperativo. Negado por muitos quando anunciado mas sem dúvida adorado por muitos depois de experimentado. A meu gosto pessoal, sou um jogador mais do género do primeiro Dead Space. Gostava de atravessar cada área com o máximo de cuidado sempre a pensar nas poucas munições que tinha e ficava aterrado com todo o silêncio de Isaac que só era quebrado com os sons dos necromorphs que atravessavam as condutas para me surpreender. Em Dead Space 3 era difícil incluir um modo cooperativo com esta mecânica. Dá para imaginar atravessar uma sala onde nos surpreendem três ou quatro inimigos enquanto estamos acompanhados por um amigo nosso? A dificuldade seria quase nula. Neste ponto a Visceral teve que tomar uma decisão, e a escolhida foi: “Vamos encher cada área de carradas de inimigos”. E é assim que atravessamos Dead Space 3. Muitos inimigos e muitas abordagens. Perde-se o medo mas ganha-se a tensão em tentar fugir enquanto desmembramos os que se aproximam. Com a entrada do modo cooperativo Dead Space 3 torna-se quase um jogo obrigatório de ser jogado a dois. Torna-se mais divertido e se pudemos sofrer com amigos, porquê sofrer sozinhos? A Visceral foi cuidadosa nesta adição e fez com que o jogo não perdesse qualidade em relação aos anteriores, apenas vai abranger um povo diferente de jogadores. Os adeptos do terror na terceira-pessoa, das salas e corredores apertados, dificilmente ficam contagiados por Dead Space 3.

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Temos então um terceiro capítulo com Isaac Clarke de volta e desta vez acompanhado. Com a hipótese de ser jogado sozinho ou acompanhado, Dead Space 3 consegue não ficar abaixo dos seus antecessores, é apenas um jogo diferente do que poderíamos querer inicialmente. É preciso uma abordagem diferente e se forem jogar a campanha sozinhos preparem-se para muitos inimigos, muitas munições disparadas e não se esqueçam: apontem sempre a cortar os membros – um tiro falhado pode resultar em mais cinco ou seis inimigos se aproximarem.

Dead Space 3 é especialmente recomendado aos amantes de jogos de acção em terceira-pessoa. O jogo transmite uma excelente tensão nas chegadas de inimigos e proporciona uma boa diversidade de ambientes e missões que vos vão entreter por boas horas de jogo. Convençam também um amigo a juntar-se à procura pelas respostas em relação ao “Marker” e se por acaso jogarem com Carver vão conseguir ver o vosso colega Isaac Clarke a acordar dos seus pesadelos.

Dead Space 3 pode não ser o mais marcante da série mas conseguiu manter uma boa qualidade e é sem dúvida um jogo que se junta ao elenco de melhores lançamentos para 2013.

Versão analisada: PlayStation 3