29 Ago 2018
PC e Mac

Análise: Blood Knights

Acção intensa no meio de uma guerra entre humanos e vampiros é o que Blood Knights promete, mas cumprirá?

Gosto de Blood Knights porque me lembra de um género de jogo que, às vezes, me esqueço que existe.

É uma espécie em vias de extinção. No cinema, há toda uma cultura de produção e consumo de filmes B, filmes divertidos de baixo orçamento e baixos valores de produção. Também na música, na literatura, e em todas as outras fusões de arte com entretenimento existe o equivalente à produção de “série B”.

Mas nos jogos, parece que cada vez mais, ou sé é um jogo indie (não digo pequeno porque, pronto, Minecraft e tal) ou se é uma super produção.

Blood Knights é um jogo “série B” e não finge ser outra coisa.

Sangue, espadas, sangue, flechas, e, bem, mais sangue

Blood Knights é um jogo de acção. Tem alguns elementos de RPG – há armas e armaduras para encontrar, e pontos para ganhar para fortalecer habilidades – mas não nos equivoquemos, este é um jogo onde se martelam os botões para matar gente.

E nisto, é agradável e competente. Podemos trocar livremente e numa questão de segundos entre personagens – uma que ataca à distância, outra corpo-a-corpo – ou jogar a dois. A variedade de habilidades é suficiente para dar opções sem nunca se tornar uma série de escolhas desafiantes. Se isto é bom ou mau, depende do que procuram num jogo. Depois de ter saído de uma série de jogos super desafiantes, soube-me bem jogar um jogo em que podia me ir desviando dos golpes e martelando uns botões para desmembrar pessoas.

O combate é simples, mas fluído, e o maior defeito que posso apontar é que perto do final do jogo as personagens já são tão poderosas que o desafio é pouco ou nenhum.

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Vampiros não dão bons actores

Tenho que colocar isto num contexto de preferência pessoal: eu gosto de filmes maus. Eu não gosto de jogos maus, mas gosto de jogos com uma má história, com má actuação. Para mim, é comédia.

Mesmo assim, Blood Knights deixou-me embaraçado de vez em quando. A história é banal, mas é muito mal contada, de forma confusa. A actuação é terrível, é sub-amadora. Parece que as vozes do jogo foram gravadas por Skype, com os actores a ler todas as suas falas de seguida, de uma folha de texto sem contexto.

Safa-se – e mais uma vez, reconheço que puramente porque encaro o abominável com humor – o personagem principal, que é, comicamente, um cretino que trata a sua parceira abaixo de cão. A sério, este gajo é tão estúpido, machista e mal-educado que é cómico.

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Um mundo Gótico, com peitos a descoberto

A direcção artística é o ponto mais forte de Blood Knights. Os desenhos das personagens e inimigos são interessantes e variados, e os cenários, com a excepção de um ou outro mais mortos, têm aquela beleza gótica que me faz lembrar a série Castlevania.

Também gostei muito do facto de o equipamento novo que vamos recolhendo ao longo do jogo mudar tangivelmente o aspecto das personagens. Dá gosto ver o aspecto fixe daquela peça nova que nos custou tanto a arranjar, em vez de uma simples subida de números no perfil da personagem.

Só é pena que a câmara do jogo passe a maior parte do tempo muito afastada das personagens, e assim não permite apreciar estes detalhes como deve de ser.

Falando de detalhes, as personagens femininas parecem saídas do panfleto publicitário de uma clínica de implantes mamários, portanto se esse tipo de coisas vos ofende ou vos faz sentir desconfortáveis, podem desde já pôr o jogo de lado. E, claro, as armaduras das mulheres são basicamente biquinis de metal.

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Um jogo anémico

Blood Knights é um happy meal, é um jogo pipoca. É barato e entretém quanto baste durante as quatro horas que leva a acabar. Se for partilhado com um amigo, vai dar muito mais gozo.

Para quem procura algo mais, não vai satisfazer. É simples, tem pouco conteúdo e valores de produção humildes.

Tenho muita simpatia pela produtora, a Deck13, pois fizeram Venética, um dos RPGs de acção mais injustamente desconhecidos, cheio de personalidade e sistemas interessantes, mas este é um jogo muito inferior.

Se estão à procura de uma diversão curta e barata para desenjoar entre jogos mais complexos, Blood Knights é uma boa opção. Se estão à procura de algo simples para jogar com um amigo ou amiga enquanto conversam, idem. De resto, evitem.

[display_label style=positivo]Pontos positivos[/display_label]

  • Boa direcção artística
  • Combate agradável
  • Preço acessível

[display_label style=negativo]Pontos negativos[/display_label]

  • História e actuação
  • Curtissíma duração
  • Fracos valores de produção

[display_label style=nota]Blood Knights está disponível para PC, PlayStation Network e Xbox Live Arcade. A versão analisada foi a de PC, jogada a 1080p com todas as opções gráficas no máximo, e um comando de Xbox 360.[/display_label]

[display_label style=plataforma]A produtora providenciou ao autor um código Steam para escrever a análise.[/display_label]

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