01 Out 2019
PS3

Análise: Beyond – Duas Almas

Beyond: Duas Almas é um jogo diferente do que estamos habituados, um videojogo centrado na experiência cinematográfica, o sonho dos amantes de filmes e videojogos tornado realidade.

Pela mão da Quantic Dream, responsáveis por jogos como Heavy Rain, Indigo Prophecy e Omikron – The Nomal Soul chega-nos uma nova obra de arte, Beyond: Duas Almas é o reflexo do excelente trabalho David Cage e da sua equipa, vão ficar a saber o porquê já de seguida.

Quem conhece a Quantic Dream e os seus trabalhos, sabe que são jogos difíceis de aceitar pelo jogador comum. O seu género de acção baseada em QTE (quick time events) faz com que o mesmo gire mais em torno de uma experiência cinematográfica do que o que estamos habituados – um videojogo. No entanto é sem dúvida uma experiência pelo qual todos devemos passar, ou pelo menos tentar. É um género diferente mas que nos cativa do inicio ao fim, passados cinco minutos de jogo vão ficar colados ao ecrã, sejam jogadores de jogos de acção ou de desporto. Só precisam de abordar Beyond: Duas Almas como o que ele é: uma experiência única, um thriller psicológico digno de um filme de Hollywood.

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Pelo grafismo irrepreensível, a excelente narrativa e os actores de renome que integram esta aventura temos a sensação de estar instalados numa sala de cinema, com um comando na mão e a beber uma Coca-Cola. Os grandes protagonistas na tela são Jodie Holmes e Nathan Dawkins, ambos recriados com um realismo tremendo à imagem dos seus modelos: Ellen Page e Willem Dafoe.

Visualmente o jogo é um deleite para os nossos olhos, os detalhes são trabalhados com extremo requinte realçando o efeito cinematográfico. Denota-se também a excelente interpretação dos actores Ellen Page e Willem Dafoe, que humanizam o excelente trabalho gráfico das suas personagens. Dafoe encarna o papel de um investigador que acompanha Jodie desde a infância, ajudando-a a conhecer e controlar as suas capacidades especiais. Durante o crescimento de Jodie, este torna-se numa figura paternal e de confiança, após sucessivos episódios que dificultam a sua integração na sociedade.

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O jogo tem momentos que nos deixam boquiabertos com o enorme detalhe conseguido pelo motor de jogo, onde Ellen Page e Willem Dafoe foram capturados. As restantes texturas não estão no seu esplendor mas o detalhe dos personagens superam qualquer jogo da geração actual. A sua modelação e animações deixam-nos a pensar se estamos a jogar realmente numa PS3 ou numa PS4.

Como os visuais não são tudo, a banda sonora não fica nada longe da qualidade visual, pelo contrário. Os responsáveis são Normand Corbeil que acabou por falecer no inicio do ano e foi sucedido por Lorne Balfe que depois recebeu a colaboração de Hans Zimmer. A forte banda sonora acompanha na perfeição todo o desenrolar do jogo completando cada momento do jogo de forma perfeita. A tradicional adaptação portuguesa a jogos do género também marca presença, onde o elenco português que dá voz ao jogo tem nomes como: Rui Unas, Rogério Samora, Joana Santos e Ricardo Pereira.

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A organização cronológica dos acontecimentos não é contínua, sendo que a caracterização das personagens, com foco em Jodie (Ellen Page), é construída de forma quase poética. Através de analepses vamos viajando para a frente e para trás no tempo e percebendo a intensidade da sua ligação com Aiden, uma entidade sobrenatural que a acompanha. Esta organização cronológica não baralha os jogadores mas pode ser vista como um ponto negativo apenas na forma como pode cortar cenas de elevada tensão para momentos completamente opostos, algo que é balançado com a variedade de ambientes e situações a que somos confrontados.

Alguns capítulos parecem-nos bastante familiares, com lugares comuns e situações que já encontrámos em tantas outras histórias, mas na maioria ficamos completamente assoberbados, pois a peculiaridade da relação exotérica entre Jodie e Aiden impressionam-nos com momentos de pura genialidade. A Quantic Dream teve um cuidado especial e graças à excelente entrega de Ellen Page, Beyond: Duas Almas consegue subir a fasquia em relação a Heavy Rain, na forma como é contada a história. As constantes idas ao passado e presente vão fragmentando a história e criando uma maior ansiedade no jogador em desvendar todos os porquês.

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Enquanto jogadores temos a oportunidade de interagir no desenvolvimento dos acontecimentos, escolhendo a postura e o discurso de Jodie, e as atitudes de Aiden. ?De Aiden pouco se sabe além de que acompanha Jodie desde a nascença sem hipótese de se desconectar dela. É um ser silencioso e invisível que só tem expressão através da manipulação de objectos e coisas físicas, sendo que as suas capacidades e poderes vão nos sendo apresentadas ao longo da história. Jodie e Aiden comunicam telepaticamente, são almas siamesas com uma relação exclusiva, e que se apoiam mutuamente para sobreviverem, esquecendo o fardo de estarem presos um ao outro.

O jogo não tem uma acção solta, mesmo quando controlamos Aiden que tem a habilidade de possuir pessoas ou objectos estamos sempre presos ao que a história nos obriga. Apenas podemos interagir com o que precisa de uma acção obrigatória para avançar a história. Beyond: Duas Almas não pede um jogador experiente, toda a acção é simples de desempenhar, desde as simples secções de acção até às secções de combate. O espírito é: encostem-se, sintam e vivam a experiência de Jodie e Aiden desfrutando dos excelentes visuais e narrativa que nos acompanham.

David Cage já assumiu que não é um adepto do “Game Over”, para ele a experiência não deve ser terminada nesse sentido pelo que em Beyond: Duas Almas não se perde, nem se ganha, vive-se uma história.

2013 está a ser um ano fantástico para nós, os jogadores, e Beyond: Duas Almas encaixa-se neste lote de excelentes lançamentos. A equipa de David Cage está de parabéns pelo trabalho realizado, um jogo que já nos deixa de olhos postos no seu trabalho de próxima geração.

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