A Visceral Games (Dead Space) arriscou e no seu primeiro jogo da série Battlefield decidiram deixar de lado a temática que já tivemos e continuamos a ter em outros FPS, seja ela futurística ou de guerra actual onde somos um herói badass que mata tudo e todos, ao estilo John Rambo e onde o modo campanha era sempre deixado de parte para o grande foco ser o multiplayer. Hardline é diferente, venham saber porquê.

A minha primeira abordagem com Battlefield: Hardline foi de torcer o nariz. Mesmo antes do jogo sair e de forma incorrecta fui logo duvidar da sua qualidade. Parecia-me mais do mesmo mas que tinham de forma “desesperada” alterado a temática só para ter algo diferente. Enganei-me redondamente. Hardline surpreendeu-me, talvez por o ter abraçado com as expectativas em baixo ou porque já há muito tempo que um FPS não me entretinha tanto no modo campanha.

Já não temos o nome da DICE na capa do jogo, agora é vez da Visceral Games, que numa mudança radical abandona Dead Space e passa para uma série que já conta com uns bons anos de existência e para um modo de jogo bastante diferente. A abordagem da Visceral foi diferente do que tínhamos, o casual tiro para a frente em que o herói dificilmente morre cai por terra em Hardline.

1

Em Battlefield: Hardline jogamos na pele de Nick Mendoza, um polícia de Miami retirado das séries policiais de TV, correcto, ingénuo, jovem e com valores morais muito elevados. Na companhia dos seus colegas de equipa, Nick está encarregado de combater o tráfego de droga que se vive em Miami. Assim que começamos a jogar sentimos logo a diferença para os Battlefield anteriores, Nick é mais pesado a mexer-se, mais cauteloso e os confrontos são todos feitos sob cobertura.

Em vários momentos, Hardline parece retirado de uma série de televisão e isso foi um dos motivos pelo qual me deu tanto gozo.

Não tem uma história perfeita mas tem uma história que vos consegue entreter, dá as suas reviravoltas, tem os clichés da ordem, a colega de equipa giraça, drogas, corrupção, perseguições a alta velocidade, detenções e rusgas. Os personagens estão bem conseguidos, não nos marcam para uma vida, mas conseguimos mesmo viver na sua pele cada segundo de Hardline como se estivéssemos no sábado à tarde a assistir a um CSI na nossa sala.

1

A história encontra-se dividida em vários episódios, com alterações temporais pelo caminho mas bem composta do início ao fim, não é confusa e os poucos personagens envolvidos faz com que consigamos a acompanhar sem qualquer esforço.

Visualmente não é nada surpreendentemente bom mas consegue ser agradável, o motor de jogo é o mesmo dos anteriores com o cenário a ser praticamente todo destrutível. Mas se visualmente é apenas bom, no campo do som já não podemos falar assim. O som das armas está brilhante, altamente real e faz com que os confrontos com os barões da droga sejam ainda mais à filme. Dei por mim muitas vezes apenas a disparar à maluca tal era o efeito brutal das armas. O som ambiente e banda sonora cumprem com a fasquia dos efeitos sonoros.

Para além da temática, o que o distingue mais dos anteriores Battlefield é o sentido táctico. Nick não arrisca entrar em armazéns recheados de inimigos sem primeiro sondar a área à distância e através de uma maravilha de tecnologia, consegue “taggar” os inimigos ou fazer escutas ao que dizem. O sistema de tag ajuda-nos a saber se o inimigo que estamos a vigiar é procurado ou não pela polícia. Uma das novidades é a capacidade de conseguirmos prender estes meninos que se portaram mal. Para este efeito basta aproximarmos sem sermos vistos, levantar o crachá e gritar (sim, gritar) “FREEEEEZE!” feito isto ficam prontos a ser algemados mas não podem aliviar a mira porque uma distracção nossa resulta num tiroteio e aí dificilmente saímos com vida. Ao todo podemos prender até três inimigos ao mesmo tempo, o que chega a ser um pouco parvo porque na vida real mal se agachasse para prender um os outros dois atacavam ou fugiam, mas vamos dar o desconto por ser um video jogo e por ser uma nova mecânica que consegue adicionar um elemento de stealth que fazia falta ao género. Por vezes até me ria, chegava a entrar numa sala com dez inimigos e prender um a um, sem que dessem por mim, mesmo com a gritaria que fazia a falar com eles enquanto os prendia.

1

Em termos de arsenal, o jogo possui um sistema de evolução onde consoante os pontos que ganhamos e progredimos na nossa carreira, desbloqueamos novas armas e novos upgrades para as mesmas. Mesmo o arsenal é dedicado às armas da polícia, estando de fora as tradicionais granadas (não fazia muito sentido um polícia de Miami andar com granadas no bolso) para dar lugar aos tasers e bastões.

A história tem uma boa longevidade para um FPS, não está demasiado longa, não chega sequer a aborrecer, os episódios estão bem divididos e conseguimos no final de cada um fazer uma pausa com outro jogo ou ir para o online.

O online esse tem ao todo sete modos de jogo, alguns mais habituais dentro do que já conhecíamos, outros são novidade. O modo Hotwire consiste em perseguir um grupo de bandidos de carro (ou fugir se forem vocês os bandidos) enquanto um colega de equipa segue no lado do pendura e tenta por fim à perseguição com a sua caçadeira. Se apenas querem andar ao tiro em equipa, podem ir para o habitual Team Deathmatch ou se estão mais virados para o controlo da base inimiga, podem jogar Conquest.

1

Mas se pensam arranjar Hardline para apostar no online é porque procuram uma mudança na vossa experiência e para isso existem outros modos de jogo como por exemplo o Crosshair onde uma equipa protege uma testemunha enquanto a outra a tenta eliminar. Ou o modo b em que cada equipa tenta assegurar um cofre de dinheiro, temos também o modo Heist e o modo Rescue que tal como os nomes indicam, no primeiro é o clássico assalto ao banco e o segundo temos que proteger ou resgatar os reféns.

O multijogador não está demasiado longe dos anteriores, a jogabilidade tem uma sensação diferente e a temática é outra, os novos modos de jogo também ajuda a refrescar a experiência mas o sistema de evolução do arsenal e equipamento baseia-se no que já conhecemos, ganhar pontos de experiência, evoluir, comprar novas armas e dominar os servidores.

1

Em suma, Battlefield: Hardline não consegue ser um excelente jogo mas consegue ser uma boa experiência no seu global. Entretém, é diferente e merece a vossa oportunidade.

Pontuação: Bom