27 Mar 2020
PC e Mac

Análise: Batman: Arkham Origins

O Cavaleiro das Trevas enfrenta as suas origens em Arkham: Origins num jogo que partilha as mecânicas e qualidades dos seus antecessores faltando-lhe um pouco de toque pessoal e de mais coragem da Warner Bros. Montreal em querer arriscar.Depois da Rocksteady Studios ter passado o testemunho para a Warner Bros. Montreal as dúvidas em relação a Arkham: Origins começaram a levantar-se. A verdade é que a Rocksteady conseguiu realizar (até hoje) a melhor adaptação de super-heróis para as nossas consolas. Um jogo sinistro, com um sistema de combate fora do normal mas viciante, uma fantástica história, gadgets, enfim, um Batman – a personagem que todos admiramos, o melhor detective do mundo.

A Warner Bros. Montreal optou por não arriscar com este novo título, contendo-se no seu toque pessoal e basicamente, pegando no trabalho que a Rocksteady tinha feito até agora, escrever uma nova história e com o motor de jogo já preparado, criar um novo jogo. Isto não deve ser visto como algo negativo, pelo menos não inventaram algo totalmente de novo e estragaram uma série que até agora tinha sido fantástica. Optaram pelo seguro e conseguiram cumprir com um bom jogo mas que podia ter ido mais além. Batman saiu com mazelas desta transição.

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Batman: Arkham Origins conta a história original, antes dos acontecimentos dos outros jogos. Nesta altura ainda não temos Joker mas sim Black Mask. A época é claro, a época natalícia e mais uma vez não o vamos passar na companhia de Alfred. Black Mask pôs a cabeça de Batman a prémio e contratou oito assassinos espalhados pelo mundo para o apanharem.

O sistema de mundo aberto continua presente e igual aos anteriores, andamos a pairar pelas ruas de Gotham enquanto espancamos os inimigos que aparecem ou enquanto apanhamos os objectos espalhados por The Riddler. A cidade é vasta mas não convida muito a explorar com áreas pouco detalhadas e muito repetitivas, felizmente existe um sistema de transporte rápido através do jet privado de Batman. Para além do seu jet pessoal, quando atravessamos distâncias mais curtas temos o habitual gancho de Batman que neste jogo sofreu uma adição – a possibilidade de fazermos boost enquanto o usamos, prolongando a nossa velocidade de deslocação, com menos paragens. Devido a algumas falhas de design este efeito perde força muitas vezes no jogo onde em vez de atravessarmos as zonas sem parar, Batman vem com o boost, pára, e sobe, quebrando assim o objectivo principal.

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Ao longo do jogo vamos regressando à nossa Batcave para correr análises de pistas que encontramos ou para apanhar novas armas. Nesta fase ainda não existe Batmobile e é engraçado observar o carro ainda em construção na Batcave.

Uma novidade que foi bem-vinda a Arkham Origins, foi feita no Modo Detective. Desta vez para além de fazermos scan às pistas espalhadas ao nosso redor, também conseguimos analisar trajectórias de balas e recriar na totalidade o crime ali feito. Conseguimos deslocar a linha de tempo e recriar na mente de melhor detective do mundo, o que se terá ali mesmo passado. Foi uma excelente e talvez a melhor ideia da Warner Bros. Montreal no que toca a adições ao jogo, esperemos que continuem a apostar mais nesta funcionalidade de detective nos próximos jogos.

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A história parece muito linear – ok, são 8 assassinos, já vi que é só ir entrando edifício a edifício e ir eliminando um a um. Mas será só isso? Batman: Arkham Origins consegue inserir Joker na vida de Batman com grande classe, mas isso já não vos podemos contar.  Sem dúvida apimenta o desenrolar do jogo e dá-nos vontade extrema de encontrar o arqui-inimigo de Batman, deixando a suposta história principal dos 8 assassinos e Black Mask, caírem para segundo plano.

A jogabilidade fluí normalmente, sem grandes problemas de imagem, por vezes há uma paragem para carregamento de dados mas algo aceitável por acontecer muito depressa e pela quantidade de elementos que surgem ao nosso redor. A qualidade global visual não é tão boa como a dos anteriores, apesar dos modelos serem praticamente (ou até mesmo) os mesmos. Animações, inimigos, cenário, tudo parece tirado dos restantes jogos, mas sente-se uma falta de brio no produto final, não se sente tudo tão coeso como nos anteriores. Pormenores como atravessarmos objectos como caixotes ou até mesmo passarmos literalmente “por dentro” do corpo de Alfred é algo que seria inesperado nos jogos anteriores.

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O sistema de combate vai ser o conhecido para quem já jogou os anteriores, um combate simples através de combinações entre ataque e defesa, escolhendo sempre as opções correctas, nos momentos certos. Se nunca jogaram os anteriores podem sempre usar a Batcave e a sua arena de treino para melhorarem as vossas aptidões.

À medida que o jogo se desenrola, as salas de inimigos vão ficando cada vez mais cheias, a gosto pessoal não me cansa, sou um viciado por este sistema de combate e no final de cada combate já estou a morder os lábios tal é o impacto dos golpes de Batman. Conforme vamos progredindo novos gadgets e combinações vão sendo desbloqueadas graças ao nível de progressão presente no jogo. Cada combate que fazemos tem uma avaliação final que depois se transforma em pontos de experiência que depois podemos investir em melhorias de armadura, novas armas ou novos golpes de corpo-a-corpo.

Presente também está claro, o famoso modo online. Algo que não devia existir num jogo deste género, ou pelo menos feito desta maneira. O modo online deu para experimentar e perceber que está lá só por estar, onde dificilmente alguém se vai prender. Batman: Arkham Origins é o tipo de jogo que deve se focar apenas no modo para um jogador, largando por completo o multijogador online. O modo de jogo presente chama-se “Invisible Predator Online” onde dois grupos de inimigos lutam entre si tentando evitar Batman e Robin. A escolha é aleatória por isso muitas vezes vão jogar como um personagem normal, numa vista de primeira pessoa, num jogo que não foi claramente preparado para tal. Quando jogam como um dos heróis a experiência consegue ser mais agradável devido às inúmeras vantagens que temos sobre os restantes adversários.

Em suma, Batman: Arkham Origins é um jogo que merece ser jogado. Se jogaram os anteriores podem-se queixar da falta daquele toque especial a que estavam habituados mas a história e o facto das mecânicas serem iguais às dos anteriores vão vos prender ao jogo e conquistar-vos a levar a aventura do Cavaleiro das Trevas até ao fim. Para quem não jogou os anteriores é um título ainda mais recomendado e serve perfeitamente como ponto de partida nesta fantástica trilogia.

Versão analisada: PlayStation 3 (análise efectuada já com uma actualização que corrigiu problemas com frameratebugs)

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