25 Abr 2019
PC e Mac

Aliens: Colonial Marines

2013 é um ano recheado de lançamentos promissores. Aliens: Colonial Marines é um dos jogos que eu e muitos jogadores estávamos ansiosamente aguardar o seu lançamento. Os trailers foram abrindo o apetite ao que parecia ser uma guerra contra Aliens cheia de awesomeness. Isto juntado ao sonho de ter finalmente um bom jogo dedicado à série nas nossas consolas e PC, fizeram com que começasse o jogo com um enorme sorriso na cara. 

O primeiro relance sobre o jogo foi achar logo o menu de entrada muito virado para um jogo fortemente assente no multijogador. Para além das óbvias opções de jogo, podemos logo consultar o nível do nosso personagem, os seus pontos XP, etc. Algo que estranhei estar logo espelhado no arranque do jogo sem estar separado no modo multijogador.

A explicação é simples: o próprio modo para um jogador apresenta-nos um modo de evolução com base em pontos de experiência e “ranks” que vamos ganhando à medida que jogamos. Na minha óptica de jogador, estes elementos deviam ser separados. Eu quando jogo gosto de estar no clima dedicado ao jogo, seja ele sombrio ou alegre. Não gosto de estar a viver uma experiência em que estou atravessar uma história e a lutar pela minha sobrevivência e da minha equipa e de repente do nada: “Ta da! Rank up!”. Para quem gosta de jogos de terror sabe do que falo. O silêncio quebrado pelas movimentações dos nossos inimigos nas paredes e pelas descargas da nossa arma deviam ser os únicos elementos surpresa. Aquela sensação de estar a jogar um jogo de terror e estar a receber rank ups pelo caminho corta o clima de terror que o jogo tenta transmitir.

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Mas passando este aspecto, temos então a história do jogo. Tomamos então o controlo de Winter, um soldado enviado numa missão de descobrir o que se passou na Sulaco, a mesma nave presente no filme Aliens. O seu espírito e personalidade da sua equipa estão bem dentro da onda Aliens, o clássico badass com os seus gritos “OOORAAAHH!!” e o lema de nunca deixar um colega para trás. As relações com o filme são óbvias e apenas me entusiasmaram ainda mais com o jogo. A hipótese de explorar a Sulaco ao meu gosto e ir criando relações com os filmes era algo de muito bom. O próprio arranque do jogo parte de forma semelhante ao segundo filme. Dwayne Hicks e o sintético Bishop marcam presença e a única diferença neste arranque é mesmo não jogarmos com Ellen Ripley.

Até aqui tudo OK, venham de lá esses Aliens que já tenho o sonar pronto para os receber. Depois de explorarmos a nave com a nossa equipa e descobrirmos que de seguro, ela não tem nada. Preparamos então a nossa fuga até que para nossa sorte, um dos elementos da equipa que já estava infectado rebenta com a passagem de regresso à nossa nave, obrigando-nos a voltar à Sulaco e a lutar pela nossa sobrevivência.

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A desilusão começa quando encontramos os primeiros xenomorphs. Enquanto nos deslocamos pelas áreas já sentimos que os controlos estão demasiado leves, demasiado rápidos para um jogo do género. Não sentimos o peso do nosso personagem, o movimento nervoso, o pânico, o terror. As armas disparam como se não tivessem impacto e pouco ou nenhum entusiasmo transmitem. Quando imaginei o primeiro confronto, imaginei-me a morder os lábios e a sentir cada disparo da arma enquanto o xenomorph se despedaçava aos meus pés. Foi tudo ao contrário. Não se sente o poder do arsenal que carregamos e apesar dos sons estarem recriados de acordo com os utilizados no filme, as balas a entrarem nos inimigos parecem não fazer mossa onde o próprio motor de jogo nada ajuda. Dificilmente conseguimos desmembrar os inimigos que surgem e mesmo fazendo a experiência de pegar na caçadeira e disparar a um metro de distância, não conseguia arrancar-lhes um braço ou uma perna, apenas a animação geral de eles caírem, morrerem e desaparecerem.

Aliens: Colonial Marines devia ser um jogo com um clima de terror em torno do jogador. Os sons dos xenomorphs deviam assombrar os cantos das salas que atravessamos e as suas pegadas deviam ser ouvidas nas condutas de ar. É verdade que algumas áreas até dão um toque nestes elementos, mas são tão tão poucas que o terror fica para trás. Não conseguimos mesmo ter medo, nem quando atravessamos os campos de onde estes nascem conseguimos ter a tensão que tivemos por exemplo, a ver o filme. O uso do sonar fica para trás face à facilidade com que aniquilamos o inimigo. O único factor que consegue pesar no jogo é alguma tensão, dado em certas áreas do jogo onde nos encontramos sem armas ou quando temos que correr mesmo muito rápido para não ficarmos para trás.

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O começo do jogo é atribulado e não permite no inicio dar a conhecer bem os cantos à casa. Resume-se essencialmente a muita correria, fugas e disparos entre corredores. O bom design dos níveis compensa a campanha do jogo, onde estes estão bem desenhados e fiéis aos ambientes do filme. Não que estejam graficamente bem polidos. Depois de estarmos mal habituados a excelentes FPS como CrysisCall of Duty ou Battlefield, as exigências ficam muito elevadas e quando deparamos com o nível visual de  Aliens: Colonial Marines é normal ficar de pé atrás. Mas este elemento podia ser facilmente ultrapassado, caso tudo o resto funcionasse bem.

Para além dos níveis, temos os personagens. As texturas ficam aquém das expectativas e os modelos não estão muito detalhados. Funcionam  e conseguem misturar-se com o jogo. Facilmente compensados pelos xenomorphs que estão muito bem detalhados e com um aspecto brutal.

O som também podia estar melhor, falta o peso da banda sonora enquanto atravessamos o jogo e nos encontramos sós a explorar as salas. Está com um nível tão baixo e tão pouco tensa, que não ajuda a embalar nesta aventura.

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Como inimigos vamos ter claro os xenomorph e ainda uma boa dose de humanos, os We-Yu. A inteligência artificial é defeituosa e o comportamento dos inimigos leva-nos muitas vezes ao desespero. Seja a esconderem-se no segundo que apontamos ou a ficarem estáticos a disparar. Mesmo a nossa equipa avança por vezes desnecessariamente deixando-nos para trás ou por outro lado, deixam-nos a sós a enfrentar uma enchente de inimigos.

Como já tínhamos visto, a progressão no jogo vai contribuindo para a evolução de Winter, vamos ganhando níveis (ranks) e adquirindo um novo arsenal pelo caminho. Sempre com aquele aspecto muito virado para o multijogador e não tanto para o clima de campanha.

Se tiverem um amigo para jogar com vocês, podem embarcar no modo campanha em modo cooperativo mas fica desde já o aviso. O jogo fica com a qualidade gráfica ainda pior e com elevados problemas de framerate nas cenas com maior acção. Alguns bugs surgiram pelo caminho quando experimentámos este modo, como por exemplo, um de nós do nada atravessar o tecto do elevador e ficar “caído” no mapa de jogo.

Resumindo, a campanha consegue entreter-nos se conseguirmos ultrapassar estes aspectos todos e levarmos tudo no sentido de ver a sua conclusão, sem perfeição. Globalmente é sem energia e sem vida, falta terror mas a tensão de algumas áreas e a hipótese de jogarmos com a máquina de cargas usada por Ellen Ripley fazem com que a conclusão da história seja um objectivo sério.

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Esperanças perdidas no modo campanha, temos o multijogador. Ao todo temos quatro modos de jogo. O clássico Team DeathmatchSurvivalEscape e Extermination. Os ranks também estão aqui presentes e permitem actualizações ao arsenal nos humanos e modificações genéticas nos xenomorph. O multijogador foi ainda onde deu para haver maior diversão. Conseguir controlar um xenomorph e preparar armadilhas aos outros jogadores consegue entreter e proporcionar uma experiência diferente do habitual.

Aliens: Colonial Marines esteve a cargo da Gearbox, estúdio de sucesso responsável pela série Borderlands e que de longe me fez esperar uma experiência decepcionante. O jogo vale pelo modo multijogador diferente e por alguns elementos da campanha onde a atmosfera foi bem pensada e consegue resultar em certas áreas mas infelizmente, as imensas falhas visuais e de controlo de jogo fazem com que ainda não seja desta que tenhamos um jogo sério dedicado a Aliens.

Versão analisada: PlayStation 3

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