26 Ago 2018
PS4

Análise – Grim Fandango Remastered

O original Grim Fandango, lançado em 1998 e produzido na mente do grande Tim Schafer (The Secret of Monkey Island, Day of the Tentacle, Full Throttle) e desenvolvido pela LucasArts como um dos jogos que viria a terminar a época dourada dos jogos de aventura desta enorme empresa.

 

Grim Fandango, mesmo em 1998, teve resultados excelentes junto à crítica internacional, rivalizando o outro grande lançamento desse ano, Half-Life. O seu motor gráfico permitia incríveis gráficos 3D, enquanto o seu ambiente film noir com elementos de folclore azteca do pós-vida permitia uma narrativa com um excelente equilíbrio de tensão e humor.

 

O jogo foi um lançamento exclusivo Windows PC e os seus requerimentos de hardware eram pesados, o que não o impediu de ganhar uma enorme quantidade de fãs e seguimento de culto, como muitos dos jogos de Tim Schafer, no entanto os problemas vieram mais tarde com o jogo a ter várias incompatibilidades com hardware lançado nos anos seguintes, dificultando o acesso ao jogo por parte de novos jogadores.

 

Eis que chega 2013 e a aquisição da LucasArts por parte da Disney, libertando os direitos de Grim Fandango (assim como outras propriedades intelectuais) para serem adquiridos por outras empresas. Com a ajuda da Sony, Tim Schafer conseguiu recuperar a licença do seu jogo para a sua actual empresa, Double Fine Productions, com intenções de efectuar esta edição remasterizada.

 

Este trabalho não foi fácil devido ao uso de muitos formatos e plataformas já em desuso, levando a equipa de Tim Schafer a ter de recorrer a antigos elementos da equipa do jogo original para recuperar o máximo de informação, código e restante espólio. Com todos os elementos originais preparados, a Double Fine trabalhou assim em melhorar as texturas e modelos de iluminação de todas as personagens melhorando o jogo sem nunca correr o risco de o alterar na sua forma básica.

 

O trabalho de Schafer para este remaster chegou ao ponto de ir junto à comunidade e pedir a participação dos fãs que haviam criado patches e vários melhoramentos do jogo original de modo a poder incluí-los neste relançamento, chegando ao ponto de utilizar parte de código escrito por um fã que tinha construído uma modificação que permitia jogar o jogo original com controlos completamente diferentes dos seus controlos de “tanque” (ao estilo Resident Evil).

 

Chegamos assim ao lançamento do jogo e toda uma nova geração tem ao seu alcance a fantástica aventura de Manuel “Manny” Calavera, Ceifeiro e agente do Departamento dos Mortos, responsável por facilitar a passagem das almas pela Terra dos Mortos se estas forem merecedoras, através da venda de passagens de comboio ou outros meios de transporte, ou renegá-las a fazer a viagem a pé caso tenham vivido de forma menos correcta.

 

O jogo está de facto com um aspecto fantástico e, tal como na versão remasterizada de Secret of Monkey Island, é possível saltar entre o motor gráfico original e o Remastered a qualquer altura. Na Playstation Vita, há um notório problema de framerate ao correr o jogo com o motor Remastered, enquanto na PS4 o jogo corre perfeitamente a 60fps constantes. Dito isto, o motor gráfico original é perfeitamente competente, não alterando em nada a experiência que é, mesmo passados 16 anos, excelente. Como bónus, é possível gravar os savegames em cloud e partilhá-los entre ambas as plataformas da Sony.

Por opinião pessoal, os jogos de aventura gráfica envelhecem de uma maneira muito melhor do que a maior parte dos géneros dos anos 90. Grim Fandango não é excepção e é um excelente exemplo daquilo que tão bem se fez na LucasArts. Um grande testemunho daquilo que a produtora foi e das capacidades de escrita de Tim Schafer, agora disponível para um novo público e com um aspecto refinado para a nova época.

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