29 Mar 2020
PS Vita

Análise – Freedom Wars

Estão prontos para lutar pela sobrevivência da vossa Panopticon?

Freedom Wars, desenvolvido pela Sony Computer Entertainment Japan Studio, Shift e Dimps, em exclusivo para a PS Vita/Playstation TV, passa-se na Terra, ano 102014… A superfície do planeta está em ruínas e os humanos vivem em cidades subterrâneas chamadas Panopticons. Os Panopticons funcionam como cidades-estado que oferecem segurança aos seus habitantes em troca de contribuições obrigatórias de cada cidadão.

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Cada Panopticon é completamente separado dos restantes, e devido à falta de recursos, há conflitos entre os vários Panopticons, onde a grande parte dos seus habitantes é forçada a cumprir sentenças de serviço, de modo a que a liderança destas cidades consiga manter um controlo efectivo sobre a população. Os habitantes de cada Panopticon estão constantemente a serem observados pelo estado, para assegurar que cumprem as leis draconianas em efeito, formando uma distopia de sociedades de vigilância em guerra umas com as outras.

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Os “criminosos”, que se encontram a servir sentença, são forçados a trabalhar para o estado sob a forma de participarem na guerra como “voluntários”, de modo a recuperarem a sua liberdade. Devido ao excesso de população, as Panopticons seguem a filosofia de que um recém-nascido é um desperdício de recursos, tornando a simples existência de uma pessoa num crime, sendo que todos os acusados de crime são culpados, independentemente de terem culpabilidade ou não.

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As sentenças começam em 1,000,000 de anos de serviço, sendo reduzidas à medida que se cumprem missões para os Panopticons, chamadas de Retributions, com objectivos como derrotar máquinas de batalha gigantes chamadas de Abductors. Cumprindo as missões, para além da redução de sentença, ganhamos pontos para “comprar” de volta alguns direitos básicos de cidadania.
Todos os criminosos são acompanhados de andróides chamados de Accessories que servem como sistema de monitorização, bem como parceiros de batalha.

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No inicio do jogo, a nossa personagem perde uma batalha contra um Abductor, que destrói o nosso Accessory e coloca o protagonista inconsciente. Neste momento podemos escolher qual o Panopticon que queremos servir (que em termos práticos, parece ser o servidor de jogo) tendo 50 capitais mundiais à escolha, incluindo Lisboa!
Quando acordamos, podemos personalizar a personagem ao nosso gosto, com um vasto leque de escolhas minuciosas. O protagonista acaba por perceber que tem amnesia, como tal, é-lhe dada uma sentença de 1,000,000 de anos de serviço pela sua inutilidade e desperdício de recursos por termos de aprender tudo de novo.

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A partir daqui, a história vai-se desenvolvendo com um enredo interessante que envolve a descoberta dos segredos dos Panopticons e da maneira como estes funcionam, alternando o jogo entre as sequências passadas a desenvolver a história no hub social do Panopticon, e as várias quests que nos vão sendo oferecidas.
Preenchendo os requisitos necessários, podemos subir de rank (ou CODE como são chamados), desbloqueando novas quests e novas permissões que podem ser recuperadas com a quantidade certa de pontos. Se fizermos algo de errado, são-nos acrescentados anos à sentença, coisa que transmite exactamente a impotência e a insignificância da nossa personagem face ao sistema.

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A partir de determinado ponto, podemos começar a melhorar as nossas armas, comprar novas roupas e acessórios, novas paletes de cores e, mais tarde, é possível fazer o mesmo com o nosso Accessory, até ao ponto de podermos definir as ordens de combate que lhe podemos transmitir, tornando-o um excelente parceiro de combate.

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E é no combate que o jogo realmente brilha. O setting é, sem dúvida, excelente e bem imaginado, mas inicialmente achei que este jogo fosse ser mais uma tentativa de clone de Monster Hunter, como já tinham tentado o Soul Sacrifice, o Toukiden: Age of Demons ou o (ainda por lançar no ocidente) God Eater 2 (também desenvolvido pela Shift)… Não podia estar mais enganado.

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Freedom Wars consegue ter uma dinâmica de combate bastante própria, diferente dos restantes e com o seu próprio ritmo. Temos vários tipos de armas de fogo disponíveis, bem como armas de curto-alcance, podendo a nossa personagem carregar duas diferentes, à nossa escolha. Mas o que realmente faz a diferença é o Thorn que nos permite disparar um género de corda de energia contra os inimigos. Se estes forem Abductors, podemos acertar em vários pontos-chave e em seguida pendurarmo-nos neles ou puxá-los para o chão. Tendo a arma certa, podemos tentar serrar fora os membros ou armas dos Abductors, de maneira a inutilizá-los. É ainda possível escolher entre três tipos diferentes de Thorn, com habilidades especiais diferentes, sejam elas criar armadilhas, curar ou criar escudos, alterando completamente a dinâmica da personagem e da sua função numa party.

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Em termos de objectivos, as missões são bastante lineares: derrotar determinado Abductor, recuperar determinado recurso, recuperar x número de cidadãos, por aí além. Mas o sistema de combate, a meu ver, está dos mais bem conseguidos neste género de jogo de multiplayer com party-system. Falando de multiplayer, com as recentes actualizações de jogo é possível formar equipas de quatro pessoas para jogar contra outra equipa de quatro pessoas, mas se isto não for de todo de vosso agrado, fiquem desde já a saber que, ao contrário do Monster Hunter, por exemplo, poderão levar convosco em singleplayer alguns dos NPC‘s que vão conhecendo no Panopticon juntamente com os Accessories deles, eliminando alguma da desvantagem que teriam normalmente.

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Em termos técnicos, o jogo conta com gráficos extremamente bem cuidados, fluidos e bastante coloridos, mas sem ser em demasia, como seria de esperar de um jogo da SCE Japan Studio e da Dimps.
As personagens têm um design bastante distinto e original, sendo possível através da personalização da personagem fazermos nós próprios algo bastante imaginativo também.
Não é um jogo dificil de todo, mas em níveis mais perto do final é possível que seja necessário algum grinding para melhorarem as vossas armas, tornando-o um pouco repetitivo, embora seja algo bastante aceitável dada a qualidade do sistema de combate.
Os controlos por vezes parecem algo estranhos, dependendo da arma que estamos a usar, mas há vários esquemas de botões pensados para quem está habituado a outros jogos dentro deste género, portanto é questão de se experimentar até encontrar o mais adequado.

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Freedom Wars foi um dos jogos mais vendidos na sua semana de lançamento no Japão e um dos mais vendidos para a PS Vita no geral. Talvez não seja -o jogo- pelo qual toda a gente espera na Vita, nem tão-pouco uma killer-app, mas é decididamente o tipo de jogos que tornam a PS Vita uma consola divertida e que complementam bem a sua biblioteca.

[display_label style=success]Pontos Positivos[/display_label]

  • Enredo e setting extremamente interessantes e bem imaginados.
  • Bons gráficos, boa fluidez, designs distintos.
  • Sistema de combate rápido e original.

[display_label style=negativo]Pontos Negativos[/display_label]

  • Um pouco repetitivo.
  • O endgame requer algum grinding.
  • Controlos requerem alguma habituação.

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