Voltámos a Sanctuary, desta vez para enfrentar inimigos ainda mais fortes que Diablo.

Diablo III :Reaper of Souls é a primeira expansão de Diablo III, que foi lançado em 2012, e adiciona um novo capítulo ao jogo. Neste capítulo defrontamos o Anjo da Morte, Malthael, numa tentativa de o impedir de destruir toda a humanidade, com a ajuda da Black Soulstone.

Mais uma vez temos uma dupla análise para vocês, agora com o Ricardo Passos e Luis Magalhães. O Luis irá dar-vos o ponto de vista de quem jogou o Diablo III no seu lançamento, sofrendo com os vários problemas que o jogo teve ao início, e quais as diferenças do jogo com a nova expansão. O Ricardo vai falar-vos do ponto de vista de quem comprou o Diablo III e o Diablo III: Reaper of Souls, e qual a sua experiência de jogar ambos de seguida pela primeira vez.

Analise

A minha experiência com Diablo III parte mesmo do princípio, pois nunca tive a oportunidade de comprar o jogo, até ao lançamento desta expansão. Decidi começar a minha experiência com um Barbarian (claro que o meu típico gosto por personagens que levam dano a torto e a direito manteve-se), e as primeiras impressões começaram na própria cinemática de introdução do jogo. Espanta-me que a Blizzard nos surpreenda vezes sem conta com cinemáticas de fazer o queixo cair, e que certamente fazem os alguns jogos next-gen sentir vergonha da sua própria existência.

O jogador encara um Nephalem, descendente de anjos e demónios, e ao iniciarmos a campanha, somos apresentados a um mundo que sofreu uma maldição horrível, onde os mortos e os demónios dominam as terras, atormentando as cidades e pessoas de Sanctum. Começamos a nossa aventura à procura de pistas, que ajudem a explicar o que causou a destruição toda que se apoderou do mundo. À medida que avançamos na estória vamos sendo apresentados às consequências que têm estado a decorrer, atravessando o submundo, Sanctum e a cidade dos Anjos. Tyrael e Leah acompanham-nos nesta viagem pelos vários mundos, sendo personagens muito influentes em determinados pontos.

Analise

Uma estória repleta de ação

A estória do Reaper of Souls retrata a escolha de Malthael, o anjo da morte, em obter a Black Soulstone para destruir toda a humanidade e acabar de vez com o Eternal Conflict, uma guerra entre as forças da High Heaven e da Burning Hell, que decorria no mundo dos mortais. É aí que Tyrael procura o Nephalem para tentarem impedir que o plano de Malthael se concretize. Na expansão vemos um mundo ainda mais destruído que no jogo original, pois Malthael enviou os seus Reapers para destruir toda a vida no mundo dos mortais, deixando apenas destruição e morte pelo caminho. O jogador e Tyrael irão juntar-se para decifrar a causa deste ataque por parte de Malthael, tentando retomar todos os passos que este deu, com o objetivo de chegar a uma pista que revele as suas intenções.

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Um novo perigo surge em Reaper of Souls

O design do jogo todo está muito bem feito, tendo masmorras divertidas de navegar e descobrir todos os cantos, bem como um design de personagens extraordinário, como seria de se esperar da Blizzard. O jogo tem uma enorme variedade de inimigos, e dessa variedade ainda há os raros (com nome amarelo) e elites (com nome roxo), que são tal e qual os normais, mas têm poderes especiais. Esses poderes aparentam ser uma escolha aleatória entre cinco, e é altamente recomendável não tentarem a vossa sorte contra dois raros ao mesmo tempo, pois como se não bastasse estarem submetidos a um poder especial, uma combinação de dois faz com que mal tenham sitio para se posicionarem. As armas e armaduras também trazem um design típico da Blizzard, e com a possibilidade de fazer transmogify e utilzar tintas, tal como em World of Warcraft, teremos sempre o nosso herói ao nosso gosto.

O sistema de loot está muito bem concebido, onde cada jogador tem o seu loot individual, evitando que outros jogadores possam roubar ou apanhar uma peça que nos dê jeito. A evolução do loot, bem como a dos inimigos, dependo do nível de quem é host do jogo, ou seja, se eu estiver a nível 50, e convidar um amigo meu a nível 70, os inimigos serão alvos fáceis para ele, pois estarão todos a nível 50, variando conforme a dificuldade escolhida. A nível 70 é quando o jogador terá de começar a aumentar a dificuldade do jogo se quiser começar a melhorar o seu equipamento, as dificuldades máximas irão garantir um equipamento mais adequado para a mesma, contudo estão longe de ser fáceis. Antes de completar a campanha o jogador pode escolher entre Normal, Hard e Expert, após terminar a campanha, desbloqueia-se a a dificuldade Master e Torment. Torment tem seis níveis extra dentro de si, cada um deles mais impiedoso que o outro.

A nível máximo, o jogador pode continuar a melhorar o seu herói através do modo aventura. No modo aventura podemos participar em Nephalem Rifts, que são masmorras geradas aleatoriamente, com o objetivo de matar o máximo de inimigos que podermos para encher um contador. Após o contador estar cheio, surge um Boss final aleatório que dá loot especial ao jogador. Mas para podermos fazer os Nephalem Rifts, precisamos de fazer Bounties, onde cada um nos dá uma Rift Key, sendo precisas cinco dessas para abrir um portal. Nos Bounties, o jogador vaguei pelos cinco capítulos, completando vários objetivos, de modo a recolher um bonus por completar todos da mesma zona. Estes podem variar desde eliminar todos inimigos de uma zona, eliminar um boss, ou ambos. Em ambas opções o jogador ganha também Blood Shards, que podem ser trocados por peças mistério numa vendedora. Se o jogador tiver sorte com o que lhe calha nos loots, poderá encontrar esquemáticas para o ferreiro e para o artesão, que em alguns casos, poderão ser um bom upgrade.

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As cinco classes originais de Diablo III

O jogador tem várias classes para escolher: O Barbarian, um guerreiro que aproveita a sua força para superar os inimigos, o Witch Doctor, um necromancer que usar a morte e maldições para destruir os seus inimigos, o Wizard, que usar poderes mágicos de vários elementos, o Monk, que usa a sua velocidade e técnicas de artes marciais, o Demon Hunter, que utiliza armas como o arco e bestas para destruir os inimigos à distância, e por fim, a nova classe introduzida em Reaper of Souls, o Crusader, que é facilmente comparável ao Paladino de World of Warcraft, um soldado com escudo que usa poderes divinos. Cada uma destas classes é única e extremamente divertida de se jogar, levando aos jogadores a querer experimentar todas para descobrir qual se adequa melhor ao seu estilo de jogo. Os seus ataques são únicos, e o jogador tem a opção de escolher seis, e nesses seis podemos adicionar uma runa que irá dar um bonus específico. Para além dos ataques, o jogador tem uma longa lista de talentos passivos para escolher.

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Às cinco originais, junta-se o Crusader

O jogo tem uma boa escolha de música, especialmente nas lutas contra bosses, onde nos ajuda a sentir ainda mais poderosos com uma OST épica e sinfónica. O voice acting também está muito bem conseguido, dando um forte impacto nas conversas e na relação das personagens com o jogador. A jogabilidade é muito simples, especialmente para quem já está habituado a este tipo de jogo, ou até mesmo MOBAs. O jogador clica no sitio onde quer que o boneco vá e clica nos inimigos para atacar. É muito simples de se jogar, mesmo não estando habituado a jogos do género.

Em suma comprar Diablo III e a expansão Reaper of Souls é uma excelente aposta, pois trará umas boas 20 a 30 horas até que o jogador chegue a nível máximo, onde a partir daí terá inúmeras horas para melhorar o seu herói, experimentando outras dificuldades ou até mesmo embarcando novamente na campanha com outra classe. O jogo apresenta uma jogabilidade simples e fácil de aprender para os novos jogadores, uma boa escolha de classes e uma estória razoavelmente engraçada. Os gráficos das cinemáticas são do melhor que se pode ver, e do jogo são relativamente bons, o audio está bem conseguido, bem como o voice acting. Em geral um excelente jogo, que traz muito ao jogador.

Nota Final Ricardo: 90

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E então o que penso eu desta expansão, eu que não só joguei o Diablo III quando saiu, como também me posso gabar de ter palmilhado o primeiro jogo do principio ao fim, e jogado umas boas horas do segundo?

Há um problema no que eu penso, e esse problema é o seguinte: sou mais conhecedor que o estreante Ricardo, sim senhor, mas sou um amador no que diz respeito ao panorama geral dos jogadores de Diablo.

Estamos a falar de pessoas que declararam o jogo como um fracasso porque o espólio estava orientado para que se efectuassem trocas e vendas na casa de leilões, e isso dificultava muito a progressão no nível de dificuldade máximo. Para essas pessoas, é aí que está o verdadeiro jogo, no nível de dificuldade que, antes da expansão, só era desbloqueado uma vez terminado o jogo três vezes – em comparação, e joguei durante cerca de cinquenta horas e só o acabei três vezes.

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Reaper of Souls redime os erros de Diablo III

Cinquenta horas – é muito mais do que a maioria dos jogos me agarra, portanto, como devem imaginar, eu fiquei muito satisfeito com Diablo III. A maior parte dos ditos problemas só surge muito depois disto, e sejamos realistas, quem vai jogar mais de cinquenta horas de Diablo ou da sua expansão não vai estar a ler uma análise na ENE3, já tem o jogo e já está a jogar.

Isto não quer dizer que os melhoramentos não são bem-vindos. Eu estava muito contente com Diablo III, e Reaper of Souls melhora o jogo base a todos os níveis: o espólio de cada combate é mais interessante e mais satisfatório; o próprio sistema de geração aleatória de níveis foi afinado, dando origem a zonas muito mais interessantes; o sistema “Aventura” que nos permite aceder a todas as missões “a la carte”, sem ter que reiniciar o modo campanha, acrescenta uma muito bem-vinda variedade.

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Novo conteúdo adiciona horas de jogabilidade

Antes, a única alternativa para conquistar mais espólio e fazer subir os níveis das personagens era voltar a passar pelo modo campanha vezes sem conta – algo que, diga-se de passagem, ainda é divertido, e a campanha adicional (mais pequena) de Reaper of Souls está cheia de momentos altos e cenários fantásticos.

O leque de personagens e estilos de jogo distintas seria por onde se ficaria qualquer outro jogo, mas a Blizzard foi mais além, e com o seu sistema de habilidades e runas que as alteram, e que podem ser modificadas a qualquer altura, as vezes que o jogador quiser, faz com que este tenha efectivamente o poder de alterar o estilo de jogo dentro de cada uma dessas personagens, à sua vontade.

Num momento, poderei ser um mago especializado em ataques de gelo, escudado por uma miríade de feitiços protectores; noutro, um tornado de bolas de fogo que avança com espadas flamejantes em direcção ao maior inimigo. Depois de acabado o jogo várias vezes, as novas opções e equipamento continuam a surgir, e a vontade de criar novas personagens aguça-se.

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Diversidade das classes torna-as únicas e divertidas

E com o aparecimento de clãs e comunidades, ambos voltados para a socialização e troca de informação, mas o primeiro mais voltado para jogos em equipa, nunca foi tão fácil arranjar companhia para a aventura. Era outra peça que faltava no puzzle – antes os contactos cingiam-se às pessoas das quais tínhamos adicionado como amigos, descobertos dentro do nosso circulo de amigos ou fóruns favoritos.

Outras cinquenta horas, então? Talvez até mais. O que a Blizzard conseguiu alcançar com este jogo, só conseguiremos saber bem daqui a 10 anos, quando verificarmos que muitos ainda o jogam – possivelmente lado-a-lado com o seu irmão mais velho, Diablo II.

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Pedra suja polida para ser diamante

Não consigo apontar falhas a Reaper of Souls – pelo contrário, consigo ver que ele corrigiu falhas que eu não me tinha apercebido que existiam. Melhorou aquilo que eu julgava perfeito, e por isso, só lhe posso conferir uma honra que depositei em menos de meia-dúzia de jogos ao longo dos doze anos que escrevo sobre video jogos: a nota máxima, e uma recomendação sem reservas.

Nota final Luis Magalhães: 100

Uma cópia do jogo cedida pela Ecoplay para PC, a outra foi compra pessoal aos nossos parceiros.