São capazes de desvendar o segredo?

Numa altura em que jogos com pancadaria, sangue e balas por tudo quanto é sitio fazem as delicias de qualquer jogador, eis que nos aparece The Witness, um dos jogos mais calmos, pacíficos e únicos que joguei nos últimos tempos.

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O jogo inicia sem que passemos por algum tipo de menu. Começamos a aventura num túnel, sem que nos expliquem como é que fomos lá parar. No final do túnel encontramos uma porta com um painel com o qual pudemos interagir, resolvendo um simples puzzle em que temos que criar uma linha de um ponto ao outro. Depois da porta se abrir e sairmos do “bunker”, deparamo-nos com uma zona cheia de cor. Todo o jogo é belo, apostando na cor e deixando de lado as lindas texturas de alta resolução que todos nós adoramos. As cores são fortes e diversas e teremos diversos cenários desde uma zona desértica, passando por um templo oriental e até por uma pedreira que dito assim não parece muito interessante, mas o trabalho de cor acaba por a tornar numa zona bastante bonita. Não existe música no jogo, apenas os sons dos nossos passos e das consequências da resolução dos puzzles, dando uma sensação de solidão.

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Durante esta jornada solitária não teremos inimigos, mas sim puzzles. Estes puzzles consistem basicamente em labirintos: começar num ponto ou acabar noutro, mas com alguns twists pelo meio. Cada zona do jogo tem uma temática que será a chave para completar, mas não irei referenciar nenhum para não estragar a experiencia de jogo, pois é essa a piada e dificuldade dele. Nada no jogo é explicado: nem como completar os puzzles, nem o que temos de fazer para avançar na “história” e muitas das vezes andamos “às aranhas” para encontrar a solução para os quebra-cabeças mais complicados mas que na maior parte dos casos, a solução está literalmente à nossa frente. Para além de Puzzles, é também um jogo de exploração e observação. Como já referi acima, nada nos é explicado, com excepção de uns gravadores que vão aparecendo aqui e ali que nos tentam ajudar a perceber o que se passa.

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Se recomendaria este jogo a qualquer pessoa? Não. Apesar de eu achar ser um título de grande qualidade (o que era de esperar de Jonathan Blow), The Witness não é para qualquer um. Os complicados puzzles podem levar qualquer pessoa ao desespero, e acredito que os jogadores menos persistentes desistam dele nas primeiras fases. Só mesmo os amantes de quebra-cabeças e observadores é que vão gastar dezenas de horas colados aos painéis tentando desvendar todos os mistérios da ilha. Se gostarem apenas de acção lamento, mas este título não vai fazer o vosso género. O jogo não tem qualquer replay value, a não ser num certo desafio em que os puzzles são gerados de forma aleatória e têm tempo limite.