27 Ago 2018
PC e Mac

Análise – The Curse of Naxxramas: A Hearthstone Adventure

Acho que não joguei Hearthstone uma única vez contra o computador depois daquilo que era obrigatório. Mesmo subir o nível das personagens até ter as cartas todas, fui fazendo contra outros jogadores. Jogar um jogo competitivo 1 VS 1 contra o computador nunca me pareceu muito interessante, fosse em que género fosse. E no entanto é mesmo uma série de duelos contra o computador que a primeira expansão paga de Hearthstone propõe.

É… Bom. Mas não é o vício a que a Blizzard nos habituou.

Eles esforçaram-se: cada um dos 15 adversários tem poderes únicos, e alguns até umas cartas exclusivas. O jogo pediu de mim mais do que agarrar em baralhos meus e trucidar o adversário, frisou a importância de criar baralhos ou estratégias para contrariar as vantagens dos inimigos.

É claro que, pelo menos no nível de dificuldade base, jogadores com baralhos de alto nível dificilmente terão que fazer grandes alterações. A vertente básica de Naxxramas nunca é um desafio extraordinário. Foi o que me aconteceu. Tenho uma gama razoável de baralhos de calibre lendário, e se avançava com um que se revelava inadequado para o inimigo em questão, não havia grande problema. Depois de conhecer o estilo de jogo dele, bastava-me escolher um dos meus outros baralhos, mais apropriados.

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Vamos desbloqueando novos combates à medida que progredimos – e cada adversário tem o seu próprio poder.

Já os modos adicionais – uma dificuldade Heroic e um modo de Desafio com baralhos pré-feitos para cada classe – são mais desafiantes, se bem que nem sempre da melhor maneira. Por exemplo, o baralho para o desafio de Hunter tem a mesma carta, cujo efeito depende da sorte, repetida 30x. Estes baralhos deviam ser formas engraçadas de ajudar o pessoal a descobrir o potencial das novas cartas, mas em alguns casos, parece que a Blizzard não se esforçou na sua construção.

Isto é uma frase estranha de escrever. A Blizzard é uma companhia de que normalmente dá gosto analisar as construções, parece que pensam em tudo na maior das minúcias, desde os efeitos sonoros às mecânicas ao alisamento das fontes tipográficas. Blizzard é sinônimo de atenção ao detalhe, e portanto ver algo da parte deles ser menos polido é a mesma coisa que ver um pixel morto num monitor gigante. Não é nenhuma tragédia, mas a vista está sempre a escapar para ali.

Mas o que me chateou mais em Naxxramas foi que cedo percebi que estava a jogar ganhar as cartas, não tanto por ser divertido. Tem os seus momentos, tem! Especialmente para quem jogou World of Warcraft na época da expansão Wrath of the Lich King, é engraçado ver como a Blizzard integrou as mecânicas dos bosses do MMO no contexto do jogo de cartas – e os comentários e expressões dos adversários e do sempre-presente boss final Kel’thuzad são de uma malevolência carnavalesca que ajuda a manter uma certa boa-disposição. Mas jogaria todas estas batalhas se não fosse pelas cartas de recompensa? Provavelmente não.

E as cartas valem a pena? É uma boa pergunta. Eu jogo Hearthstone regularmente e costumo alcançar um rank bom, mas estou longe de fazer parte da elite. Há cartas que se vê que têm potencial, outras que parecem pelo menos engraçadas. Para quem tem prazer em inventar e testar baralhos, há muito por onde pegar, especialmente com a temática de Deathrattle. A verdade é que só depois de algumas semanas com as cartas nas mãos dos altos competidores é que vamos saber separar o trigo do joio.

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Deathrattle é a mecânica mais focada nas novas cartas – quase todas lidam com a morte de uma forma ou outra.

Portanto vale o custo? Afinal de contas, pelos 18€-25€ ou 2800-3500 ouro, conseguem-se arranjar uma data de pacotes de cartas normais.

Sinceramente acho um bocado puxado este preço. Eu gostei porque como apaixonado por World of Warcraft, apreciei todas as referências e revisitar uma das minhas raids favoritas de uma forma diferente. Mas para quem não tenha o mesmo investimento emocional? Acho que vai saber a pouco.

Se é esse o vosso caso, talvez seja bom esperar para ver o verdadeiro impacto que as cartas exclusivas têm no ambiente de jogo.

Pontos Positivos:

+ Novas cartas

+ Desafios variados

+”emotes” engraçados

Pontos Negativos:

– Pouco conteúdo

– Alguns desafios pouco polidos

“The Curse of Naxxramas: A Hearthstone Adventure” está disponível para comprar através da loja online do próprio jogo Hearthstone, para iOS, PC e Mac. O autor desta análise comprou-a com o seu próprio ouro.

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