30 Ago 2018
PC e Mac

Análise: Rome II – Total War

Os jogos de estratégia são uma família muito grande e diversa. Há-os de todos os tipos, formas e feitios. E tamanhos. No caso de Rome II, tamanho é a palavra chave. O que melhor define as criações da Creative Assembly é a escala titânica à qual tudo se passa.

A Deliciosa Câmera

É estranho não começar uma análise de um jogo de estratégia a falar das unidades, das mecânicas ou até mesmo do mundo e da história, mas assim que comecei Rome II, aquilo em que depositei mais atenção foi na câmera.

É a nossa primeira inimiga, uma ameaça muito maior do que os exércitos Samnitas que enfrentamos no prólogo. Vira-se tocando no bordo do ecrã, mexe-se com as teclas WASD, e inclina-se pressionando o botão central do rato e movendo este. Extremamente sensível e longe de ser intuitiva.

É, também, um dos nossos maiores prazeres. É que nos deixa afastar do campo de batalha e ver todos os nossos pelotões como se fossem formigas, direcioná-los de um extremo do mapa para o outro, e depois deixa-nos mergulhar de cabeça para dentro do cenário, para ver o embate sanguinário entre duas legiões, em todo o detalhe: escudos a voar, cavalos a atropelar infantaria, ballistas a disparar projecteis enormes amíude nuvens de poeira que se levantam.

A contrapartida é que para aproveitar isto a sério, é preciso ter um PC monstro. A minha máquina com um processador i5 a 3.30GHz, uma GTX Titan, e 8GB de RAM DDR3 consegue meter tudo bonito, mas não chega nem perto de conseguir correr o jogo com tudo no máximo.

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Um Mundo Dividido

Como todos os outros jogos da série Total War, Rome II é, na verdade, dois jogos em um. Numa primeira fase, jogamos um jogo de estratégia por turnos, num grande tabuleiro com várias regiões Europeias e Mediterrânicas. É nesta fase que construímos os nossos exércitos, fazemos crescer as nossas cidades, damos missões aos nossos espiões, determinamos a taxa dos impostos e tudo o resto que é esperado do líder supremo de uma nação em expansão. É, em suma, aqui que se tomam as decisões mais importantes do jogo, é aqui que se determina a estratégia global da nossa civilização escolhida.

E, neste modo, quando dois exércitos se encontram? Aí é que o jogo muda para as sumptuosas peças de estratégia em tempo real como a que descrevi ainda há pouco. Agora o relógio não pára, e cada momento de hesitação no comando dos nossos exércitos é um momento em que o adversário pode estar a posicionar os seus homens escondidos numa floresta para nos flanquear de surpresa, ou a conquistar a cobiçada posição defensiva no topo de uma colina.

Neste modo, já não estamos a gerir uma grande estratégia global, mas sim a trabalhar tácticas de guerra, a tentar manobrar centenas de homens para posições vantajosas e fintar as manobras inimigas. Estamos a tentar equilibrar a moral e o cansaço dos nossos homens com a necessidade que temos que eles se mexam rapidamente por terreno acidentado, ou que resistam a uma investida inimiga tempo suficiente para chegar o reforço.

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Nada Conquistado

Quando saiu o primeiro Total War, há 13 anos, esta era uma combinação explosiva. O problema é que hoje estamos habituados a melhor.

Jogos como Starcraft II e Company of Heroes 2, especializados na estratégia em tempo real, fazem coisas com as suas mecânicas de jogo e motores que fazem as batalhas de Rome II parecer um pouco básicas, mesmo quando, em termos de puro numero de soldados envolvidos e escala grandiosa, Rome II seja o vencedor.

Essa é parte do problema. Rome II concentra-se tanto em dar-nos milhares de tropas para comandar que nunca se preocupa em fazer o acto de as comandar particularmente agradável ou eficiente. Sinto-me como um desastrado gigante a tentar soprar em nuvens para as empurrar, lentamente, contra outras nuvens.

Por outro lado, jogos de pura estratégia por turnos, como Crusader Kings 2 e Civilization V, oferecem-nos um leque de opções muito acima do que Rome II apresenta. Nestes jogos, tudo pode ser gerido com muito mais minucia, e todas as decisões têm muitos mais interações e consequências. Em comparação, Rome II parece, por vezes, mero trabalho administrativo.

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Vae Victis

Há muito para gostar em Rome II. O ritmo das suas batalhas é único, concentrando-se no posicionamento, formação e desgaste das tropas, em vez de em mecânicas de pedra/papel/tesoura e utilização de habilidades como acontece com a maioria dos jogos de estratégia em tempo real. Se bem que Rome II também as tem.

A variedade de unidades e edifícios a construir e evoluir também nos dá um leque interessante de escolhas, que infelizmente decresce à medida que vamos conhecendo o jogo e aprendendo os sistemas mais eficientes.

E a escala das batalhas, se tiverem uma máquina à altura, cria um espetáculo que vale a pena ver.

Mas Rome II vai ser sempre lento e maçador para quem está habituado aos jogos de estratégia em tempo real atuais, e demasiado simples e limitado para quem está à procura de uma experiência rica de estratégia por turnos. Decerto os Romanos sabiam bem que era impossível agradar a Gregos e Troianos, mas a Creative Assembly continua a tentar.

Pontos Positivos:

— Fantásticas batalhas com centenas de unidades

— Excelente enciclopédia históricamente correcta

— Vasto leque de povos à escolha, cada qual com as suas particularidades

Pontos Negativos:

— É competente em dois géneros, sem se especializar em nenhum

— Motor gráfico muito pesado, será subaproveitado em muitos computadores

— Vários bugs e instabilidades que podem encravar o jogo – gravem com frequência!

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