28 Ago 2018
PS4

Análise – Octodad: Dadliest Catch

A coisas mais engraçada em Octodad sabe-se logo de início, e é de facto dita na letra da música introdutória: ele é um polvo num fato a fazer-se passar por humano, e ninguém suspeita de nada.

Esta situação fez-me sorrir o jogo todo. É sempre engraçado observar a  completa falta de desconfiança perante, por exemplo, o desastre que é tentar preparar o pequeno-almoço. Octodad é, afinal de contas, apenas um gajo feio e desajeitado.

Infelizmente a mecânica central perde a piada muito mais cedo. O desafio do jogo está em controlar Octodad, ou melhor, controlar três dos seus tentáculos – um para interagir com os objectos e dois para locomoção.  São escorregadios e imprecisos e subir umas escadas pode ser um exercício de mais paciência do que os piores bosses de Dark Souls.

E tem piada, tem piada ver os cenários interactivos a ser destruídos e desorganizados pela nossa incompetência. Tem piada apreciar a estoicidade com que Octodad se atira às tarefas que a família lhe propõe, básicas para um homem normal, hercúleas para um invertebrado.

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Isto acontece constantemente, e até demora mais tempo a perder a piada do que seria de esperar.

É muito fácil simpatizar com o pobre Octodad. Todos nós estamos ou já estivemos sobre a pressão de não desapontar alguém que nos é querido, perante tarefas para as quais nos sentimos terrivelmente pouco preparados. Todos nós somos um pouco Octodad.

Mas a piada perde a graça rapidamente – mais ou menos a meio das duas horas que o jogo dura, e culminando com uma das lutas finais mais mal desenhadas de sempre, em que o jogo vicia as sua próprias mecânicas.

Em boa verdade, não há aqui conteúdo para fazer um jogo. Há conteúdo para um mod engraçado, para uma piada interactiva. Mesmo para estas duas horas de duração, senti muita palha entre os bocados divertidos.

Logo no segundo nível o jogo já se está a esforçar demais para arranjar desculpas para o pobre Octodad ter que fazer tarefas que exigem destreza manual.
Logo no segundo nível o jogo já se está a esforçar demais para arranjar desculpas para o pobre Octodad ter que fazer tarefas que exigem destreza manual.

Há uma tentativa de prolongar a duração do jogo com um modo cooperativo, desafios de acabar os níveis em determinados tempos, e objectos para colecionar – mas o problema real do jogo não é durar apenas duas horas. Se durasse duas horas e fosse divertido o tempo todo, teria sido suficiente. Mas não é.

No final de contas, Octodad não vale o dinheiro que se pede por ele, e desaconselho a compra. Esperam pelo inevitável bundle ou saldos no PC, ou pela segura eventual inclusão entre as ofertas do serviço PS Plus na PS4. Estas gargalhadas têm valor, mas não é o valor pedido.

Pontos Positivos:

– Bem escrito

– Mecânica engraçada

– Cenários muito interactivos

Pontos Negativos:

– Nunca se introduzem novidades na mecânica

– Poucas coisas para fazer

Octodad: Dadliest Catch está disponível para PlayStation 4, através da PlayStation Network, e no PC através do Steam. A versão analisada foi a da PlayStation 4, através de um código de download que a Sony providenciou ao autor.

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