27 Nov 2020
PS4

Análise – Need for Speed

Não é difícil perceber porque é que o jogo se chama, apenas, Need for Speed. Com esta nova entrega da saga, trazida pela mão da Ghost Games, está-se a tentar o tão necessário lavar de cara de que a série tanto precisava.

Se repararmos que desde 2001 não havia um único ano sem Need for Speed, parece-nos evidente que em 2014 foi dada uma pausa necessária para reflexão e introspeção. A Ghost Games impôs-se retornar Need for Speed às suas origens mais underground. Sim, com isto queremos deixar bem vincada a referência aos Need for Speed Underground 1 e 2, que saíram, respetivamente, em 2003 e 2004. Apesar de Need for Speed ter sido publicamente assumido como um reboot da série, e não como uma terceira entrega da saga Underground, não podemos deixar de evidenciar a clara tentativa de introduzir um pouco do espírito de ambos os Need for Speed Undeground a este novo jogo. A duologia underground primava à hora de mostrar o mundo do Street Racing na sua forma mais pura e mística, aproveitando o sucesso de filmes como The Fast and the Furious. Desde neons berrantes até aos cilindros de óxido nitroso apetrechados aos carros, estes dois jogos foram, talvez, os estandartes da série após o virar do milénio.

Relativamente a Need for Speed (2015), o jogo localiza-nos em Ventura Bay, uma cidade fictícia da costa oeste dos Estados Unidos da América. A cidade em si mostra-se em todo o seu esplendor com ambientes variados, o que irá ser muito relevante à hora de acelerar nos nossos veículos. Desde montanhas, obviamente propícias para drift, até à própria baixa da cidade, o pano de fundo para as nossas corridas vai-se sentir, ao longo de toda a experiência, orgânico e assertivo ao momento. Ao longo do mapa vamos tendo alguns collectibles, tais como doughnut points, localizações para sessões fotográficas e partes automobilísticas, mas nada que se revele fundamental para nos ajudar no decorrer da história.

venturabayUma vez em Ventura Bay, vamos conhecer os membros da nossa crew, 5 entusiastas da velocidade sobre quatro rodas que nos vão guiando ao longo de toda a trama.

Spike é o primeiro membro que conhecemos e é através dele que somos introduzidos à crew. Está fortemente ligado a corridas de velocidade. Analogamente, temos também um especialista nas corridas de drift, de nome Manu, que nos vai reencaminhar para as missões mais ligadas às derrapagens. A Amy, mecânica de serviço, que nos vai ajudando em relação às builds e a missões com carros de características específicas. A Robyn, que também tem um fraquinho por drift e, por último, Travis, o líder da crew. Ao acompanhar as missões de cada elemento da nossa equipa atingiremos, por fim, o patamar que nos atribui a possibilidade de desafiarmos os ídolos de cada um dos nossos colegas, nas suas devidas categorias.

nfscrew

Estando nós inseridos numa crew tão multifacetada, nunca seremos obrigados a seguir a linearidade da história para progredir no jogo, uma vez que podemos optar, a cada momento, escolher uma missão de qualquer um dos membros da equipa. Relativamente à história, esta acaba por ser uma das maiores falhas do jogo, sendo pouco profunda e bastante curta. Os momentos narrativos são passados através de cut-scenes em live-action, que aportam momentos bastante clichés e que acabam por remeter a história do jogo para a longa lista de coisas que podiam ter corrido bem, mas falharam.

A esta lista podemos ainda juntar o modo multijogador. Além de sermos obrigados a estar sempre conectados à internet, mesmo quando apenas queremos disfrutar de um passeio por Ventura Bay em Single Player, deparamo-nos com poucas opções à hora de fazer corridas com outros jogadores. Ou bem que optamos por eventos pré-estabelecidos que estão repartidos pelo mapa, ou então desafiamos os nossos adversários on-the-go, e nada mais do que isto nos é possibilitado.

From Dusk Till Dawn

Não podemos deixar de referenciar que o ciclo horário do jogo não é, na verdade, um ciclo. Cada secção do mapa está “ligada” a uma etapa da noite e, independentemente do tempo que o jogador lá permanecer, vai ser sempre a mesma etapa, sem haver um ciclo temporal a ser alternado. Need for Speed decorre apenas durante a noite, no entanto iremos ter momentos de amanhecer e anoitecer!

nfs

Em relação aos protagonistas do jogo, ou seja, os carros, temos ao nosso dispor cinquenta e uma viaturas que, na maioria dos casos, são altamente personalizáveis. A personalização vai desde o mero adorno estético até às modificações mecânicas que irão fazer o nosso veículo evoluir desde “papa-reformas” até ao ponto de diabo do asfalto. Embora sejam muitas as alterações que podemos, a priori, fazer aos nossos carros, há pouca variedade de peças, e alguns carros, como os de gama mais elevada, quase não permitem alterações visuais. Para além dos upgrades às partes mecânicas que irão dar mais potência e estabilidade ao nosso carro, podemos também personalizar as features mais específicas da viatura de modo a obter maior grip ou, então, torna-la mais propensa para drift.

needforspeed3

Como modos de jogo principais, temos desde a clássica corrida de circuito até à habitual corrida sprint, passando pelas corridas contrarrelógio e pelas variadas provas de drift (que poderão ser, por exemplo, Drift Contest, Drift Train, Drift Trial, Gymkhana ou Touge). Tendo em conta a clara influência da cultura Tuning no jogo, parece-nos muito estranha a ausência de corridas drag, sendo que estas foram ponto de destaque em jogos anteriores da série. Temos ainda as missões que nos são atribuídas pelo Outlaw, uma personagem misteriosa que nos assinala objetivos que geralmente envolvem perseguições policiais!

A condução é um dos pontos altos do jogo, sendo gratificante e saboroso cada momento que passamos a fazer drift. O estilo de jogo transpira condução arcade por todos os poros, e vai-se entranhando no jogador à medida que a partida decorre.

NeedForSpeed2
No entanto, é no ramo audiovisual que o jogo atinge o seu pináculo. Need for Speed é, graficamente, bastante detalhado, com os modelos automobilísticos a fazerem justiça às suas contrapartes reais e com Ventura Bay a mostrar-se bela e agradável de explorar. No departamento sonoro também prima, sobretudo devido à excelente personificação que cada motor aufere aos veículos. O jogo conta também com uma soundtrack que vai desde o Electro Dance ao Rock, adequando-se, quanto baste, à índole do jogo.

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