28 Ago 2018
PS4

Análise – Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4

O final da tempestade, com sabor agridoce.

Já lá vão 19 anos desde que, através das talentosas mãos de Masashi Kishimoto, Naruto aparecia, pela primeira vez, numa manga. O jovem ninja de Konoha tomou o mundo de tempestade, e a sua adaptação consegui-se destacar como um dos animes mais vistos dos últimos anos, passando também para o campo dos videojogos com propostas muito interessantes e aclamadas pela crítica.

Naruto Ultimate Ninja Storm apareceu, algures em 2008, como uma evolução natural dos combates 2D que até à data tinham caracterizado os jogos Ultimate Ninja. Ainda pelas mãos da CyberConnect 2, a história foi recontada, com grande ênfase nos detalhes e tirando proveito do poder da Playstation 3.

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Com os anos, Naruto foi crescendo e a saga Ultimate Ninja Storm foi acompanhando cada combate, cada momento e cada emoção que o anime tinha para oferecer. Com o final da manga Naruto Shippuden ultrapassado, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 aparece para fechar a história do jovem herói, desta vez na Playstation 4, Xbox One e PC.
Nesta sexta entrega da saga Ultimate Ninja Storm (se contarmos Generations e Revolution), o modo história começa onde fomos deixados em Ultimate Ninja Storm 3, abrangendo o clímax da Quarta Guerra Ninja. A história é contada por capítulos, que são geralmente iniciados com imagens acompanhadas de diálogos que nos situam espaço-temporalmente e que servem de apoio a toda a campanha, ao invés de serem utilizados clipes do anime. Esta é a parte menos boa de Ultimate Ninja Storm 4, tendo o universo tão rico e estruturado à sua volta sido, infelizmente, mal aproveitado nesta última edição. O modo história é relativamente curto (de 6 a 8 horas) e, a menos que queiram finalizar todas as missões com S-Rank, tem pouco replay value. As missões do modo história geralmente alternam entre os combates habituais, Quick Time Events e, em algumas parte concretas da narrativa, lutas de maior escala com muitos inimigos.

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Passando o modo história à frente, chega-nos o modo aventura, desta vez a ser jogado em mundo aberto. Este, que poderia ser o prato secundário, a consumir preferencialmente depois da história (como a CyberConnect 2 recomenda, visto que o modo aventura se passa, de certa forma, a seguir à história), revela-se o grande pilar do jogo para quem aparece em Ultimate Ninja Storm 4 como recém-chegado ao universo de Kishimoto. Apesar desta ramificação do jogo se passar no “futuro” (depois da Quarta Guerra Shinobi e de Kakashi ser proclamado o 6º Hokage) será aqui que reviveremos o passado. Confusos? Ao longo do modo aventura somos expedidos em missões, um pouco pelas várias localizações onde a história se desenrolou ao longo do manga e anime. Apesar das missões (e da sua história subjacente) serem triviais, é através delas que vamos relembrando e reencarnando alguns dos momentos chave de Naruto e Naruto Shippuden, como por exemplo a luta de Sakura contra Sasori, ou a de Naruto contra Haku.

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Para além destes dois modos, temos ainda os clássicos modos versus online e offline, sendo que este último volta com as suas várias ramificações já herdadas de outros Ultimate Ninja Storm, como as Challenge Leagues e o Survival. Com um leque de personagens quase inesgotável (61 individualidades, com as respetivas versões alternativas), e com a grande quantidade de cenários a que fomos habituados, o jogo fornece horas e horas a fio de lutas de qualidade, tendo a mecânica dos combates sido refinada ao ponto de tornar as lutas deste jogo as melhores de toda a série. As roupas das personagens vão-se gastando à medida que o calor do combate se intensifica, um detalhe que agradecemos. Passou a ser possível, durante as lutas de equipa, mudar a personagem a meio do combate, o que pode resultar numa combinação interessante de estratégias para os jogadores mais acérrimos. Visualmente, o jogo excede todos os anteriores, sobretudo graças ao portento tecnológico da nova geração. A nível sonoro, como é já comum podemos escolher entre as vozes originais Japonesas ou as dobragens em Inglês. Infelizmente as músicas do anime não estão incorporadas na experiência.

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Nesta montanha russa que é o jogo, balanceamos positivamente a experiência, no entanto a sobre-simplicidade do modo história acaba por roubar um pouco do brilho natural de uma obra que poderia fechar com chave d’Ouro a saga Ultimate Ninja Storm.

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