Competição em miniatura.

Micro Machines é um nome que acompanhou muitos durante a sua infância, não tanto na área dos videojogos, mas maioritariamente nos nossos quartos e corredores da casa. É uma marca de carrinhos em miniatura que começou a meio dos anos 70, que eventualmente teve a sua presença nos videojogos.

Os mais conhecidos foram na época da Mega Drive, passando pelas primeiras gerações da PlayStation, até que chegamos a 2017 e vemos o regresso da série às plataformas atuais do mercado.

Micro Machines World Series traz-nos a fórmula clássica dos jogos antigos, atualizada para a geração atual, com algumas adições novas. O jogo continua com uma vista superior, onde controlamos os nossos veículos em pistas improvisadas em lugares do dia-a-dia, como a cozinha, quintal e mesa de bilhar. O jogador poderá jogar a solo ou com amigos contra a I.A., ou então podem ir ao online jogar contra outros jogadores. Se pretendem uma opção mais local, a Codemasters não se esqueceu da magia da série, sendo que temos a possibilidade de jogar localmente até quatro jogadores.

 

À nossa escolha temos doze veículos diferentes por onde escolher, cada um com pequenas diferenças na sua jogabilidade, no entanto estas opções não estão bem frisadas, levando a que o jogador tenha de ir experimentando cada um até encontrar um que se adapte ao seu modo de jogo. As únicas opções mencionadas são as habilidades e armas de cada veículo.

O jogo adopta o sistema que jogos como o Overwatch nos apresentou, com as loot boxes. A cada nível, ganhamos uma loot box que nos dá uma série de coisas novas para personalizarmos o nosso perfil e veículos. Nos veículos podemos encontrar skins, vozes, taunts e grave stamps, onde podemos personalizar tudo à nossa preferência, mas ao mesmo tempo podemos comprar algo específico com dinheiro que obtemos por receber items repetidos nas loot boxes. As skins são as únicas coisas que estão divididas por raridades, sendo que o jogador terá de ter muita sorte nas caixas ou então terá de poupar bastante dinheiro para poder comprar a mais rara. Em geral cada veículo tem entre cinquenta a sessenta opções de personalização.

O gameplay mantém a mesma dificuldade que os clássicos, o que leva a que o jogador tenha de dominar por completo as pistas, sendo a única forma de o conseguir através da repetição. No entanto, enquanto que nos jogos clássicos, apenas notávamos uma pequena diferença na jogabilidade de cada veículo, em Micro Machines World Series, existe um grande desequilíbrio entre veículos, sendo que o jogo está feito para se focar mais em trabalho de equipa. Em teoria deveria funcionar, pois aplica a mesma mecânica que o Overwatch introduziu na indústria – uma série de ataques e um super ataque que vai carregando ao longo do tempo. Infelizmente não funciona devido à falta de jogadores no jogo, pois quando não há jogadores para preencher um jogo, somos colocados num lobby com I.A., fazendo com que tenhamos de acompanhar os bots ou tentar ser independentesE como mencionei anteriormente, no modo de jogo batalha, é tudo feito para que não hajam “Rambos”.

O jogo apresenta uma funcionalidade tipo seasons, onde podemos subir o nosso rank, para podermos ser colocados com jogadores do mesmo escalão, mas o problema resume-se sempre ao mesmo – falta de jogadores e lobbies com I.A., o que leva a que muitas vezes iremos ser colocados com jogadores muito mais experientes que nós, mas que se encontram no mesmo escalão.

O jogo resume-se a muito pouco, sendo que o modo a solo apenas serve para treinarmos contra a I.A., levando a que o jogador tenha muito poucas opções a solo. Embora o modo online salvaguarde o facto de haver poucos jogadores, a maneira como o gameplay foi pensado, não facilita quando estamos a jogar contra seis bots que poucos ou nenhuns erros cometem.

Infelizmente o estúdio não conseguiu implementar algo no jogo que fizesse os jogadores ficarem colados a ele. Como fã dos clássicos, vejo o Micro Machines World Series da mesma maneira que os anteriores, sendo um jogo que irá sair da prateleira quando tiver convidados em casa e queira fazer uma gaming session, ou quando algum amigo tiver o jogo e queira jogar umas rondas. Fora isso o jogo não oferece grandes opções a modo solo, sendo que o mesmo espera agarrar-nos com funcionalidades que o Overwatch estandardizou, tal como as mecânicas de gameplay e as loot boxes, que pouco efeito trouxeram para este género.

Com isto, Micro Machines World Series acaba por parecer um remake com uns extras novos, que para a geração e público atual da indústria dos videojogos é insuficiente a nível de conteúdo. O gameplay, estilo e divertimento mantém-se, mas é um jogo que não terá muita longevidade. O jogo funciona como um bom tributo para os fãs do clássico, que dificilmente irá agarrar novos fãs.