05 Set 2018
PS4

Análise – Mad Max

Max está chateado, muito chateado. Mas não é para pouco, o dia dele geralmente começa com um grupo de bandidos a roubarem-lhe o carro, armas, enfim, tudo o que consigam apanhar. Depois de Fury Road nos deixar de queixos caídos na sala de cinema, será que Mad Max consegue o mesmo efeito nas consolas?

A Warner Bros. passou o testemunho à Avalanche Studios (Just Cause) e pegando no universo iniciado por Mel Gibson em 1979 com Mad Max chega-nos a adaptação cinematográfica deste mundo maluco, sem cor e recheado de devastação. Max Rockatansky é um homem simples, com um único propósito: que simplesmente o deixem em paz. Esta tarefa complica-se e assim começa a narrativa de Mad Max, mais uma vez somos atacados e desta vez pelo exército de Scabrous Scrotus, o filho de Immortan Joe em Fury Road. A história nesta adaptação não segue a história de nenhum dos filmes, é pensada de raiz e inspirada em alguns personagens que já conhecemos, como por exemplo Scabrous Scrotus. Infelizmente aqui não termos Furiosa ao nosso lado.

Nos dias de hoje o que reina é a pouca água que se consegue encontrar e os restos de metal que permitem construir estruturas ou melhorar a principal arma de Mad Max: os veículos.

A história em Mad Max para mim foi um dos aspectos que mais passou ao lado nesta caminhada mas antes de aí chegarmos vamos fazer um contexto do que esperar. Ao nosso alcance está uma Wasteland bastante vasta, tudo em mundo aberto e no nosso controlo está o velho Max, numa visão de terceira pessoa. O deserto que atravessamos a pé ou em quatro rodas (sempre que possível) encontra-se devastado, os locais que encontramos estão abandonados, cheios de ferrugem, tratam-se de estruturas improvisadas ou para servir de meio de sobrevivência e abrigo ou para nos contarem uma história sobre quem por lá passou – restos do que já foi uma civilização. Nos dias de hoje o que reina é a pouca água que se consegue encontrar e os restos de metal que permitem construir estruturas ou melhorar a principal arma de Mad Max: os veículos.

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Como nem tudo é mau na Wasteland, Max consegue a ajuda de um caricato mecânico chamado Chumbucket que nos repara o carro, instala melhorias e ainda nos ajuda em algumas sequências de combate para que consigamos “snipar” à distância. Ao começarmos o jogo sem bólide, é Chumbucket quem nos ajuda a encontrar a nossa primeira carroçaria.

Mad Max é gigantesco, o jogo tem tanto conteúdo que é difícil prever quanto tempo levará até conseguirem ter tudo feito. A Wasteland são ínfimos quilómetros de areia onde pelo caminho encontram fortalezas, bases, estranhos que nos desafiam a missões secundárias, coleccionáveis e claro, os eternos confrontos na estrada contra os War Boys. O sentido da história perde-se logo desde muito cedo, mal começamos a fazer missões secundárias, a explorar tanto terreno, a procurar material para melhorarmos o carro e até mesmo o próprio Max, acabamos por dar por nós já perdidos no que é que íamos realmente fazer. A história principal infelizmente passa um pouco ao lado e não consegue a mesma intensidade que tivemos com o filme Fury Road por exemplo. Dei por mim a jogar Mad Max apenas pela diversão que era conduzir deserto a dentro, atacar fortalezas e ir recolhendo os materiais necessários para melhorar o Magnum Opus, o nosso novo carro.

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Os controlos a pé são um pouco desastrosos, por vezes um movimento simples era complicado de fazer e Max nem sempre correspondia com o que eu queria fazer. Ou porque corria contra objectos invisíveis no mapa ou porque não conseguia apanhar um simples objecto que estava aos seus pés, o jogo precisava de um polimento especial neste campo. Era interessante ter outra intensidade quando controlássemos Max, algo mais tenso, mais pesado, sentir que cada soco seu era dado com a mesma raiva e descontrolo que o personagem tenta transmitir. O sistema de combate assemelha-se ao que encontramos em Batman, o habitual tecla para bater, tecla para bloquear no momento certo e o desviar. Também temos armas como caçadeiras e espingardas mas as munições são tão escassas que o sistema de combate fica todo concentrado no combate corpo-a-corpo.

Se de um lado temos imensas coisas para fazer, do outro também podem contar com muita repetitividade. Mesmo existindo uma série de missões e de objectivos para se fazer, é natural que com o passar das horas isto se torne um pouco repetitivo. O que vos fará fazer estas missões com um sorriso traçado serão as diversas melhorias que vão desbloqueando tanto a Max como ao seu lote de veículos. As melhorias são muitas tanto ao nosso personagem como aos seus carros e são essenciais para o desenrolar do jogo, quem se quiser armar em esperto e deixar de lado estas melhorias para se focar apenas história principal vai passar por muitas horas de sofrimento. Os inimigos não perdoam e a Wasteland depressa nos engole e desfaz. Se são do meu género de jogador e gostam de andar com o melhor equipamento possível então vão querer investir uma boa dose de horas só neste campo.

Será que se ficar aqui deitado se esquecem de mim?
Será que se ficar aqui deitado se esquecem de mim?

À medida que conquistam missões e destróem as estruturas de Scabrous Scrotus baixam a influência das suas tropas no mapa. Isto faz com que se consiga respirar melhor sem sermos atacados tantas vezes. Tal como noutros jogos do género um dos objectivos principais é limpar estas zonas. Existem também pontos de vigia, ou mais sensivelmente, balões de ar, que nos revelam os perigos e locais a desvendar da zona onde estamos – algo semelhante ao que já viram em Shadow of Mordor.

Visualmente Mad Max tem os seus altos e baixos. Não senti problemas de performance que marcassem a experiência. O jogo até corre bastante fluido e mesmo em confrontos a alta velocidade com explosões pelo caminho consegue portar-se bem. Nos seus pontos altos temos a fantástica paisagem que parece tirada do próprio filme, as explosões e os confrontos no deserto são um espectáculo de se desfrutar. O próprio Max e os ambientes interiores contribuem para os momentos baixos: esperava aqui algo mais detalhado e mais imersivo como já tinha dito acima, muitas zonas estão com pouco detalhe e as texturas sem digno registo de um jogo desta geração. O próprio motor de jogo teve alguns momentos caricatos como a meio de um combate em que levei um soco e Max começou a fazer a roda feito maluco até sair disparado do edifício…

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Em suma, Mad Max é um jogo dedicado aos fãs dos filmes e aos amantes de jogos open-world, para aqueles jogadores que procuram um jogo recheado de conteúdo, com muitas horas de jogo pelo caminho. No fim de tudo Mad Max podia ter sido mais mas gostei de jogar e apesar dos seus problemas a experiência final não é arruinada, longe disso. Passado largas horas a fazer missões secundárias e a atacar as principais, acabei por deixar muitas coisas por fazer, coisas essas a que conto regressar.

Será que se ficar aqui deitado se esquecem de mim?
Será que se ficar aqui deitado se esquecem de mim?

Analisado na PlayStation 4.

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