07 Set 2018
PC e Mac

Análise: Gomo

A curiosa viagem de um boneco de trapos em busca do seu cão perdido.

Quando era novo, gostava de desenhar, mas nunca tive muito jeito. Compensava a falta dele com a complexidade, com os pequenos detalhes. Com a densidade de detalhe.

Não desenhava uma casa, desenhava uma cidade, e populava-a de pequenas histórias: um engarrafamento aqui, um conjunto de banhistas a apanhar sol na praia, um grupo de crianças a cercar uma carrinha de gelados, um grupo de fanáticos a suicidar-se do mais alto edifício…

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Um livro interactivo, animado

Gomo não se cansa de mostrar detalhe. Os seus cenários são animados à mão, e está quase sempre a acontecer alguma coisa. E quase nunca tem relação com o jogo – são pequenos detalhes, pequenas animações que se passam no fundo.

O jogo da Fishcow não é a típica aventura cheia de quebra-cabeças. É mais como se fosse um bonito e relaxante livro interactivo. Os puzzles difíceis contam-se com os dedos de uma mão. Na maior parte dos casos, o objecto para resolver um puzzle encontra-se mesmo ao lado do dito cujo.

O objectivo da interacção em Gomo não é desafiar, é fazer com que o jogador faça parte da história, a despoletar os movimentos bem-animados do protagonista, e a desencadear os acontecimentos que lhe permitem avançar.

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Um jogo estranho

Gomo é, tal como o protagonista que lhe dá o nome, uma entidade bizarra. Não se percebe muito bem o que é, e por isso, é difícil de avaliar.

Nos últimos anos começámos a familiarizar-nos com jogos como Dear Esther ou The Stanley Parable, em que  o jogo é pouco mais do que explorar um cenário, e acompanhar uma narrativa que nos leva a pensar acerca vários assuntos.

Gomo é, de certa forma, uma versão bi-dimensional, aventurosa disto. A diferença é que a sua história não pretende levar-nos a pensar em nada – ou pelo menos, nada que eu me apercebesse. Não faz comentários acerca da condição humana, de valores morais, ou do mundo do entretenimento interactivo.

Gomo só quer que passemos um bom bocado, que vejamos uns desenhos giros, uns bonecos bem animados, e que acabemos a sessão de jogo mais bem-dispostos do que a começamos.

Em retrospectiva, este é um excelente jogo para acompanhar com um copinho de whiskey, depois de um bom banho quente.

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Simples e fácil

Algo que também me ocorreu foi que, para além das propriedades relaxantes, Gomo também seria uma boa introdução para leigos ao mundo das aventuras interactivas. É bonito, é simples, joga-se só com um botão de rato, e não se pode “perder”.

Se estivesse disponível para iPad, compraria-o imediatamente para a minha namorada, porque este é um género de jogo que sempre achei que ela iria gostar, mas todos os meus favoritos podem ser desnecessariamente frustrantes para quem não esteja habituado a pensar em “lógica de video jogo”.

E vós, leitor, deveis comprar Gomo? Não é para quem procura algo com que testar os neurónios. Mas se explorar um mundo de banda-desenhada durante um par de horas, a um ritmo relaxante, vos parece uma ideia atraente?  É difícil encontrar melhor.

Gomo está disponível para PC e Mac. A Daedalic Entertainment providenciou ao autor desta análise um código Steam para o testar. O autor estava completamente sóbrio quando o fez, portanto considera-se que o jogo não foi analisado nas condições ideais.

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