O Cavaleiro das Trevas está de volta no que é a conclusão de uma trilogia a cargo da Rocksteady Studios. Uma das melhores séries de videojogos que testemunhámos merecia uma conclusão épica…terá sido conseguida?

Arkham Knight era um dos jogos que mais aguardava – fã de Batman e da série Batman Arkham, desde o dia em que joguei Arkham Asylum em 2009 que reconheci o imenso potencial por detrás do trabalho da Rocksteady. Era a primeira vez que tínhamos uma adaptação de super heróis merecedora de toda a nossa atenção, um produto com qualidade com uma excelente narrativa, inovador e visualmente marcante.
Agora em 2015 esta aventura chega ao fim. Estamos de volta a Gotham e agora o grande vilão é Scarecrow que depois dos eventos de Arkham City preparou uma uma nova toxina capaz de provocar o caos por quem a inalar.
Pessoalmente já estava a ressacar com a falta de um jogo open-world que me fizesse passar largas horas à sua volta. Batman Arkham Knight veio mudar isso. A base por detrás de BAK é a mesma dos jogos anteriores, a Rocksteady optou (e bem) por não fugir à guia original focando-se apenas em melhorias e novas adições. Os controlos vão ser muito familiares a quem jogou os anteriores uma vez que são exactamente os mesmos e o próprio sistema de combate que se mantém também o mesmo, foi agora mais facilitado em BAK uma vez que tornou-se mais fácil conseguir bloquear os ataques inimigos. Se nos jogos anteriores carregavam um segundo antes na tecla de bloquear o ataque inimigo conectava logo, agora o combate está mais simples e caso se enganem podem tentar na próxima fracção de segundo o bloqueio.

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Os puzzles também continuam presentes graças ao Riddler, a exploração da cidade também está interessante, primeiro pelo seu fantástico impacto visual com a chuva a inserir-nos numa autêntica experiência cinematográfica e segundo por todo o conteúdo que nos pode oferecer, com uma boa variedade de side-quests ao barulho, seja a salvar civis, a combater grupos de inimigos, a libertar torres ou até mesmo a fazer perseguições no Batmobile. Sim, no Batmobile, a grande novidade em Batman Arkham Knight.
A cidade é vasta, não vasta como num GTA V mas vasta para o que deve ser um jogo do género. Sem que demoremos muito tempo a atravessar mas com espaço suficiente para nos habituarmos às ruas e à diversidade das zonas. Com a entrada do Batmobile ao barulho tudo mudou. O nosso bólide pode ser usado como meio de transporte, como máquina de guerra, ambos, ou até como nosso ajudante em certos puzzles do Riddler.
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Se de inicio achava que o Batmobile podia ser um tendão de Aquiles em BAK depressa me apercebi do quão errado estava. As ruas são tão justas, o carro anda tão rápido, só me questionava como é que a Rocksteady ia conseguir uma condução que nos permitisse não passar grande parte do tempo a varrer as paredes dos prédios. Apercebi-me que estava errado a primeira vez que conduzi o Batmobile. A condução é arcada e de início parece ser complicada mas perdendo o medo e começando a dominar o travão de mão conseguem rapidamente dominar as ruas de Gotham e sentir-se cada vez mais na pele do Cavaleiro das Trevas. A interacção entre o Batmobile e Batman é fantástica, em qualquer ponto da cidade (desde que haja acesso) podemos chamar o Batmobile – não há nada mais fantástico que cair de um edifício, chamar o Batmobile e perto do fim da queda entrarmos em grande estilo dentro do carro. Só jogando…é brutal. Se o Batmobile foi dos aspectos que mais gostei em BAK, também foi um elemento que para meio do jogo me saturou um pouco. Passadas largas horas na campanha, percebemos a imposição da Rocksteady em jogarmos e em gostarmos do Batmobile mas a verdade é que somos obrigados demasiadas vezes a depender do Batmobile e quando podíamos estar sempre naquela acção mais frenética somos forçados a parar e a completar um determinado puzzle em conjunto com o nosso carro. É bom testar todas as possibilidades e usarmos as suas capacidades sempre que possível mas por vezes tornava-se aborrecido…só queríamos entrar, dar uma cambalhota pela janela e dar uma tareia nos bandidos todos sem que para o fazermos, termos de ir buscar o carro, desactivar umas armas com o carro, abrir uma porta com o carro, partir uma janela com o carro e só depois, entrar com o Batman.
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As mecânicas de jogo tal como já tínhamos falado são muito semelhantes às dos jogos anteriores, sem que a Rocksteady arriscasse demasiado. As novidades foram poucas mas bem implementadas. O modo detective continua presente mas sofreu umas ligeiras alterações podendo ser utilizado em paralelo com os gadgets de Batman.
Para além da condução normal, temos ainda o modo de combate. Ao pressionar de uma tecla o Batmobile transforma-se numa autêntica máquina de guerra, capaz até de dar cobertura a Batman em momentos de maior confusão. Se tiver à luta com uns maus da fita e o Batmobile estiver pela zona, podem ainda fazer combinações de combate com o carro.
Tanto o carro como Batman, podem sofrer vários tipos de upgrades graças à árvore de habilidades. Semelhante ao que aconteceu nos anteriores, à medida que ganham experiência desbloqueiam novos gadgets, novas habilidades ou podem investir pontos de experiência em melhorias à armadura de ambos.
Num ecrã semelhante ao dos upgrades temos também uma árvore com as diferentes percentagens dos vários objectivos que temos em jogo, seja de coleccionáveis, missões secundárias ou a própria campanha principal. Rapidamente conseguimos acompanhar o nosso progresso e saltar de objectivo em objectivo ao nosso gosto.
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Visualmente já tínhamos falado do quão fantástico está BAK, jogado na PS4, apenas conseguimos sentir uma ligeira quebra nas frame rates quando andávamos com o Batmobile a acelerar sem tirar o dedo do gatilho e a levar tudo à frente pelo caminho. Jogando de forma normal não conseguimos qualquer queixa do seu desempenho, pelo contrário. Está tudo tão detalhado e algo que surpreende imenso é a destruição do cenário. A Rocksteady deu-se ao trabalho de tornar muitos elementos destrutíveis, por vezes só ao encostar o Batmobile à parede um prédio, conseguiam ver logo as marcas na parede. Se batem contra um pilar o pilar parte-se, blocos inteiros de cimento são destrutíveis.
No campo do audio repete-se o fantástico trabalho já feito nos anteriores com actores como Nolan North, Troy Baker, Tara Strong e Kevin Conroy a darem voz a alguns personagens. Batman Arkham Knight merece ser jogado num bom sistema de som para ser aproveitado em todo o seu potencial, desde a fantástica banda sonora aos efeitos de som e voz dos actores que tornam vivos os nossos heróis.
Como se trata de Batman Arkham Knight não vamos nem pisar uma linha no que toca à história por detrás de toda esta aventura. Seria um crime depois de todo o trabalho que a Rocksteady teve em manter tanto segredo. Podemos apenas referir que pela primeira vez temos companheiros que nos ajudam regularmente em combate.
Batman Arkham Knight é obrigatório. É dos melhores jogos que conseguem ter no vosso catálogo e ainda consegue entreter-vos durante largas horas, especialmente se são como eu e gostam de deixar o jogo a 100%. É um excelente desfecho por parte da Rocksteady Studios e no final desta trilogia deixa-nos um enorme desejo de que continuem a trabalhar não em Batman Arkham mas quem sabe, num novo Batman.
Nota: Excelente