A sequela da caça aos fantasmas da Level-5 chega à Europa.

Confesso que não estava familiarizado com a série televisiva nem joguei o primeiro jogo, mas o logotipo da Level-5 e o conceito de coleccionar monstros chamou-me a atenção. Após ver meia dúzia de episódios da série lá peguei no em Yo-Kai Watch 2.

O inicio é estranho, pois parece que estamos a começar uma saga quando na verdade estamos na segunda aventura da série, mas rapidamente nos apercebemos que os protagonistas perderam a memória de tudo o que tinha ligação com o relógio que dá título ao jogo. O jogo faz um bom trabalho a introduzir novos jogadores à série, contando a história de forma a que nos percebamos minimamente o que se passou anteriormente. Era de esperar visto que o público alvo são crianças e isso reflete-se no humor, visuais dos personagens e na baixa dificuldade que o jogo nos apresenta.

No jogo seguimos as aventuras de Nathan Adams (ou Katie Forester na sua versão feminina) em Springdale, que com a ajuda de Yo-Kais (um dos nomes Japoneses para “fantasma”) resolvem inúmeros problemas relacionados com o sobrenatural. O jogo está dividido por capítulos, cada um deles com algumas missões obrigatórias e outras opcionais, sendo que algumas delas podem-se arrastar durante todo o jogo. Mesmo jogando com calma ainda demorei cerca de 20 horas a completar a história. Como disse, o jogo destina-se a crianças que acompanham a série, e cada capitulo está construído como se fosse um episódio da mesma. O humor é bastante infantil mas por vezes toca em assuntos que até alguns adultos se conseguem identificar.

O combate é um dos pontos que podem fazer com que se afastem deste jogo. Ao inicio parece ser mau mas à medida que vamos desbloqueando novas funcionalidades, ele vai-se tornando mais interessante mas longe de ser algo entusiasmante. Yo-Kai Watch 2 é um RPG onde controlamos o nosso personagem de forma livre pela cidade e por vezes temos que combater contra Yo-Kais utilizando aqueles com quem travamos amizade. Estes combates não aparecem de forma aleatória e quase sempre somos nós que temos que procurar os inimigos. O relógio é o objecto que faz a ponte entre os humanos e os Yo-Kais e utilizamos a sua lente com a ajuda da Stylus para focar os fantasmas e iniciar o combate. As equipas são compostas por 6 Yo-Kais numa roda em que apenas 3 podem estar em campo ao mesmo tempo. Com um simples toque nos botões L e R a roda gira e os Yo-kais trocam entre si de forma instantânea. Eles atacam automaticamente e os únicos comandos que temos que dar é para utilizar ataques especiais, itens, purifica-los ou apontar no campo de batalha onde queremos que eles foquem os ataques. Este último aspecto é bastante interessante em batalhas contra bosses gigantes onde identificamos os seus pontos fracos. Acho importante referir que podemos acelerar as batalhas, tornando o grind menos tedioso.

Para fazer com que eles se juntem a nós basta derrota-los, isto para a generalidade dos Yo-Kais e nem sempre eles se juntam. Os mais especificos juntam-se a nós no decorrer da história ou completando missões secundárias. Ao longo da campanha vamos aumentando o rank do relógio que nos vai permitindo encontrar Yo-kais mais poderosos. Existem mais de 400 para coleccionar mas comparando com Pokémon, não existe grande variedade de fantasmas. Grande parte dos designs são reciclados ou apenas mudam a cor e os atributos. Podemos customizar os nossos Yo-Kais com equipamentos, fundi-los com itens e evoluir para novas formas.

O jogo está cheio de conteúdo e para além da história, missões secundárias e coleccionar todos os Yo-Kais, podemos ainda coleccionar insectos, peixes, rãs e troféus que funcionam como achievements. Existe a possibilidade de trocar Yo-kais e participar em batalhas online, assim como explorar a Terror Time com amigos, que são dungeons onde os inimigos são mais fortes que o habitual e a jogabilidade muda de RPG por turnos para RPG de acção.

Existem duas versões do jogo: Bony Spirits e Fleshy Souls e a única diferença entre eles são alguns Yo-Kais exclusivos de cada versão, tal como acontece na série Pokémon.

Por norma Level-5 é sinónimo de qualidade, e Yo-Kai Watch 2 não é excepção. Os visuais do jogo são lindissímos e representam muito bem a série. Mesmo 3 anos depois do seu lançamento original (sim, este jogo saiu no Japão em 2014) continua a ter um visual nada datado para a Nintendo 3DS. As animações do personagem, a fluidez dos movimentos, os pequenos detalhes dos cenários, não tenho nada a apontar. Para os fãs da tecnologia 3D da consola, o jogo utiliza-a na totalidade, algo que nos últimos títulos da 3DS já não se tem visto muito. A banda sonora acompanha bem o jogo. Não esperem um nível de qualidade de um Final Fantasy ou um Mass Effect, mas para um jogo baseado numa série de crianças todas as músicas e sons são adequados. A maior parte dos personagens têm vozes e no geral não são más.

 

Para quem gosta de jogos do estilo Pokémon, Yo-Kai Watch é uma ideia muito aproximada. Colecionar os monstros, usa-los em combate e navegar pela cidade inteira a fazer diversas tarefas vai criar muita empatia com os fãs. Mesmo que não estejam a par do anime ou da série, este título tem tudo para que se sintam à vontade na narrativa.
– Ricardo Passos

As primeiras horas de jogo são bastante monótonas e metade das funcionalidades estão bloqueadas, mas assim que deixamos de estar limitados o jogo começa a ficar mais interessante. Diverti-me bastante a coleccionar Yo-Kais e a explorar algumas mecânicas de jogo que são interessantes e únicas, como por exemplo a linha de metro que é algo complexa (tal como na vida real). É um RPG cheio de conteúdo que diverte tanto miúdos como adultos, não fosse ele da Level-5, mas se procuram um RPG mais à séria e que ofereça dificuldade, este jogo não é para vocês.