A Nintendo aposta em mais um grande JRPG para o final de 2017.

No mercado há quase 9 meses, a Nintendo Switch tem sido a casa de vários jogos de grande qualidade. Quase todos os géneros já passaram por ela, desde Platformers, Shooters, Fighters e até mesmo grandes nomes third party como Doom e Skyrim. Mas o que lhe faltava ainda era um JRPG exclusivo e o nome escolhido pela Nintendo para tapar esse buraco e fechar o ano em grande foi a saga Xenoblade. A saga Xeno já conta com diversos títulos, desde o obscuro Xenogears na Playstation, passando por Xenosaga na Playstation 2 e chegando ao actual Xenoblade Chronicles que conta até com o Spin-Off da Wii U, o fantástico Xenoblade Chronicles X. Devido a esse sucesso na geração Wii e Wii U, Xenoblade Chronicles 2 é um título bastante esperado pelos fãs. Será que consegue fazer justiça às expectativas?

Apesar de ter 2 no nome, Xenoblade Chronicles 2 passa-se num novo mundo e com novos personagens, deixando para trás a aventura de Shulk. Neste jogo o protagonista é Rex, um rapaz que vive sozinho nas costas de um pequeno titã, e que para sobreviver explora o fundo do oceano de nuvens à procura de itens para vender. Sim, este mundo está coberto por densas nuvens e os continentes são titãs. Este mundo também está repleto de Blades e Drivers. Blades são armas com forma humana (ou animalesca em alguns casos) e precisam sempre de um Driver, um mestre que irá usufruir das únicas habilidades de cada Blade.

A história começa-se a desenrolar quando Rex é contratado para explorar uma nave abandonada, e numa reviravolta de eventos encontra Pyra, uma Blade bastante requisitada e que faz de Rex o seu Driver. É a partir daqui que embarcam numa jornada em busca de Elysium, uma lendária localização onde se diz ser o paraíso da humanidade. Uma premissa bastante cliché com alguns pontos interessantes, mas também com muita coisa de errado. Estamos a falar de um RPG com dezenas de horas, é normal que nem sempre seja interessante, mas parece que a Monolith nos quis mesmo aborrecer em alguns momentos. Existem momentos bastante épicos, ao estilo dos momentos mais empolgantes de animes da Shounen Jump, mas também existem outros tantos momentos desnecessários ou construídos de forma a se tornarem enfadonhos. Muitas vezes os personagens falam de forma bastante lenta, ou existem pausas nas falas só para estender um pouco mais a cinemática. Por vezes também começam a divagar nas conversas, falando de coisas que não têm grande interesse para quem está a acompanhar a narrativa.

Algo que também me faz muita confusão é a dobragem Inglesa. Para esta análise só tive acesso à mesma, pois só no dia de lançamento do jogo é que será lançado o patch com as vozes originais. Algumas vozes são boas, outras deixam muito a desejar, o que é o caso de Rex. Quem esteve a cargo da tradução também andou a arranjar as frases mais irritantes e cheesy para meterem os personagens a dizer durante toda a exploração. Já não posso ouvir o Rex a gritar: I’ll teach you a thing or three!. Outra coisa que espero ser falha na dobragem, é o lipsync. Muitas das vezes os personagens param de falar e as bocas continuam a mexer. Mas não acaba por aqui, existe um atraso no som quando executamos algumas acções tanto em batalha como em exploração, o exemplo mais comum e fácil de identificar é quando saltamos, o nosso personagem só emite som 1 ou 2 segundos depois.

Falando de coisas boas do jogo, e demorei um bocado até gostar, foi da jogabilidade em combate. Xenoblade Chronicles 2 continua com o sistema de combate mais virado para MMORPG. Basicamente, temos um Set de habilidades que muda consoante a Blade que estamos a utilizar e os ataques normais são automáticos. Cada ataque automático vai encher a barra de cada uma das habilidades até que elas fiquem prontas. Cada habilidade para além de dar dano ou curar, tem também outra função como fazer cair poções, causar status aos inimigos, causar mais dano se o ataque for executado em determinada posição. O objectivo é conjugar os nossos ataques e ataques dos membros da equipa com o estado em que o inimigo se encontra. Se o inimigo estiver caído no chão, algumas habilidades serão bem mais efetivas. Ao início parece ser um sistema bastante fraco e chato, mas à medida que o jogo vai avançando, vamos percebendo melhor como funciona e também vamos desbloqueando novas funcionalidades. Só comecei a gostar do combate quando já tinha 17 horas de jogo.

A exploração é um dos pontos fortes do jogo. Existe bastante para explorar e existe um sistema de fast travel, isso torna o processo bem mais interessante e menos chato. Como falei acima, o mundo está coberto num oceano de nuvens, e como tal existem marés. Maré alta significa que algumas zonas ficarão cobertas de nuvens e não será possível explorar. Nesses casos teremos que avançar no tempo até uma altura em que a maré esteja baixa, abrindo assim novos caminhos. É curioso também o facto da fauna estar disposta de forma “real”, existindo criaturas de, por exemplo, nível 90 numa zona de nível 30. Mas como grande parte deste jogo, as coisas boas geram maus momentos, e continuo sem perceber porque é que numa zona segura, no inicio do jogo, existiam criaturas de nível 24. Existem pontos onde podemos enviar o Rex a explorar as profundezas do oceano em busca de loot, e num desses pontos quando voltei para cima tinha 3 criaturas de nível 24 que me mataram a equipa em 3 segundos, ficando assim sem o loot. Algo que realmente não consigo compreender por parte da equipa de produção. Espalhados pelo mundo estão pontos que utilizam habilidades únicas das Blades, pontos que só podem ser acedidos se no conjunto da equipa, tivermos Blades que consigam chegar ao nível requerido. Isto aplica-se também a alguns baús e portas.

Existem inúmeras Side Quests que podemos completar. Tarefas que vão desde matar determinado inimigo, adquirir objectos, falar com determinada pessoa, o normal para um jogo do género. A certo ponto do jogo podemos começar a controlar mercenários, enviando-os para missões. Estas missões duram bastante tempo, tempo real de jogo. A consola em sleep mode não contabiliza o tempo. É uma funcionalidade engraçada mas que na verdade utiliza as nossas Blades e não mercenários a sério. E como recrutar novas Blades? Com cristais. Estes cristais quando utilizados pelos personagens, dão origem a novas Blades. Existem 3 tipos: Healer, Tank e Attack, e dentro destes 3 tipos existem várias variantes, consoante os elementos, sexo e tipo de arma que utilizam. Grande parte das Blades geradas destas forma têm aspectos genéricos, sem grandes personalidades, mas existem também alguns que mesmo não sendo importantes para a história, têm visuais que se destacam dos outros e contam para o álbum de Blades (Pokédex para Blades). Por isso mesmo que eu tivesse uma equipa que me enchesse as medidas em todas as ocasiões, continuei a coleccionar Blades só para tentar preencher o álbum.

Neste Xenoblade Chonicles 2 a Monolith decidiu mudar o estilo de arte e fazer algo mais Manga. Isto não só se refletiu na arte, mas também na forma como os personagens foram pensados e como referi anteriormente, alguns elementos da história também foram feitos com base nesta nova arte. O mundo de Xenoblade Chronicles 2 é bonito, dá gosto a explorar, mas confesso que fiquei bastante desiludido com as cidades, não me consigo sentir envolvido pelo seu ambiente. O grafismo dos cenários não são dos melhores vistos na consola, e isso nota-se logo na primeira cutscene do jogo, mas não é algo que vá estragar a experiência de jogo, pois tudo ao longe é fantástico. Tenho que me queixar bastante do filtro que o jogo tem em modo portátil e que deixa tudo com umas cores bastante estranhas. Em modo TV tudo é mais claro e na minha opinião mais bonito. Mas existe também um senão em modo TV: o UI. Parece que o UI foi construído para ser usado exclusivamente em modo portátil, pois na conversão para modo TV, os menus parecem gigantes.

Parece que levei a análise toda a cascar em Xenoblade Chronicles 2, mas na verdade tive boas horas de diversão com ele. Gostei do jogo, mas nota-se que a Monolith podia ter tido atenção em alguns aspectos do jogo. Não sei se foi pressa em terminar a produção a tempo ou desleixo por parte deles, mas a verdade é que podia ter sido muito melhor. O combate e exploração são sem dúvida os pontos forte do jogo, sendo que o primeiro requer algum tempo de adaptação. A história tem muitos bons momentos, mas existem pequenos pormenores na forma como a narrativa é contada que nos podem fazer afastar dela. Problemas na dobragem também não ajudam, e mal posso esperar para finalmente jogar com as vozes originais. Em suma, Xenoblade Chronicles 2 é um bom JRPG para a Nintendo Switch, mas que infelizmente teve algumas más decisões e desleixo por parte dos produtores.