25 Ago 2018
PC e Mac

Análise – World of Warcraft: Legion

A Burning Legion volta a atacar Azeroth.

Já lá vão 12 anos desde que a Blizzard abriu portas para o mundo de Warcraft e passados tantos anos, é incrível como continua a dominar o mercado dos MMORPGs. O Segredo é simples: lançar uma expansão a cada dois anos, refrescando o jogo. Desta vez a ameaça é a Burning Legion que invade Azeroth pela terceira vez, mas desta vez acompanhada pelo poderoso Gul’dan, que vem directamente dos eventos de Warlords of Draenor e trabalham em conjunto para fazer regressar Sargeras. Cabe-nos a nós a tarefa de os impedir com a ajuda dos Illidari, o exército de um dos vilões mais icónicos do universo Warcraft: Illidan Stormrage.

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Warlords of Draenor foi criticada pela sua história, mas desta vez a Blizzard conseguiu dar a volta, e voltar a introduzir uma campanha empolgante do início ao fim. Tal como na expansão anterior, temos o prazer de interagir com vários personagens icónicos mas introduzidos de forma inteligente e interessante. Sem querer spoilar nada, quase todas as correntes de quests são importantes para a história e quase todas elas, nos agarram ao monitor para saber o seu desfecho. Começando pela introdução da invasão da Burning Legion que mostra também várias mudanças nas facções, passando pelas quests de “encher chouriço” até ao desfecho de cada uma das zonas (que terminam quase sempre numa instance), a escrita foi cuidada e possivelmente, estamos perante uma das histórias mais interessantes de Warcraft.

A progressão no jogo cada vez está mais user friendly. Em primeiro lugar, as classes levaram todas revamp, simplificando ainda mais a jogabilidade. Só para terem uma ideia, o meu main é um Death Knight Blood (Tank), e não uso mais de 6 habilidades. A chatice de arranjar novas armas acabou, pois agora temos um artefacto específico para cada especialização. Esses artefactos são armas lendárias de Azeroth e arredores e para os obter, temos de participar em quests que nos levam a visitar locais bastante conhecidos dos fãs. À medida de vamos progredindo da nossa classe, iremos adquirindo novos aspectos para arma, mas também a podemos evoluir numa árvore de talentos só para o nosso artefacto.

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A Blizzard quis reforçar que nós somos os mais importantes da história assim como a nossa classe. Lembram-se das garrisons de Warlords of Draenor? Pois agora temos o Class Hall. A nossa base de operações permite-nos enviar os nossos parceiros de combate em missões, evoluir o nosso artefacto e completar missões de história. Só fiz as missões de Death Knight e gostei tanto delas como gostei da história principal do jogo pois além de interessantes, reforçam a ideia de que o jogador é importante e que o sucesso das nossas batalhas influenciam a guerra. Ao contrário das missões de garrison, na Class Hall os prémios são mais apelativos. Existem bem mais prémios monetários e mais importante, objectos carregados de artifact power para aumentar o poder das nossas armas. Com isto, a Blizzard lançou uma nova aplicação para smartphones, o Legion Companion App. Completamente independente da WoW Armory, esta nova app serve apenas para gerir a Class Hall. Podemos iniciar e completar missões, recrutar soldados, aumentar o item level dos heróis e pesquisar melhorias para a Hall, mesmo quando estamos longe do computador.

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A aventura tem como palco as Broken Isles, um conjunto de ilhas todas elas distintas. Enormes trilhos de montanha, florestas e grutas perto do mar cobertas de limo, são alguns dos cenários que podemos esperar do novo arquipélago. As instances continuam com uma arquitectura de sonho, mas as maiores visuais são certamente as alterações à interface do jogo e novas animações. Não falando da habitual actualização de texturas que o jogo recebe a cada expansão, a Blizzard teve o cuidado de alterar alguns aspectos do UI como tipos de letra e barras de saúde para ser mais agradável à vista. Os mais diversos menus desde o de personagem, talentos, profissões e colecções foram melhorados para facilitar a vida ao jogador e se adequarem às alterações feitas às mecânicas de jogo. Como é óbvio, com nova raça, novas habilidades e alterações às specs, é natural que tenham sido implementadas novas animações aos personagens, mas a Blizzard não poupou recursos e refez também grande parte das animações antigas. Algumas classes levaram alterações maiores, como é o caso dos Rogues, que perderam o spec de Combat, para a introdução do Outlaw.

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E para além das Class Halls, várias outras mecânicas foram implementadas em WoW. Cada vez mais o jogo nos permite jogar a solo sem grandes problemas, pois cada vez mais as quests de história de cada uma das áreas são mais fáceis e como se não bastasse, através da Class Hall podemos definir um dos nossos parceiros de guerra como companheiro de aventuras pelas Broken Isles. Notei também que o progresso de 100 a 110 é bastante rápido comparado com as expansões anteriores. Outra alteração bem visível no progresso da história foi o facto de cada uma das áreas se adaptar ao nosso nível, por outras palavras, podemos começar por qualquer uma das novas regiões que o nível dos inimigos vai ser ajustado ao nosso. Chegando a nível máximo não vamos deixar de visitar as Broken Isles devido à implementação de World Quests. Estas funcionam como os bounties em Diablo III, sendo um conjunto de missões que aparecem durante um tempo limitado e que nos dão prémios monetários, equipamento e o tão desejado artifact power. Uma razão mais que suficiente para me fazer deambular todos os dias pelas novas áreas.

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A Vertente PvP também foi alvo de uma enorme alteração. Não sendo grande fã da competitividade em Azeroth, sempre me mantive um pouco afastado mas com o novo sistema de honra é provável que apareça por lá mais vezes. A honra agora funciona como XP e à medida que subimos o nosso nível, desbloqueamos habilidades muito ao estilo dos talentos. Os mais agarrados, poderão chegar a um nível máximo de 50, e subir de prestige várias vezes, tal como se pode fazer noutros jogos, como o Call of Duty. Quem o decidir fazer, terá regalias, como gear, mounts e até aparências adicionais para o seu artefacto.

Com todas estas simplificações ao jogo é natural que os mais puristas sintam que Azeroth lhes está a ser retirada, mas a Blizzard preparou algumas surpresas que vão agradar a esses jogadores e até a mim, que sou entrei nesta jornada em Wrath of Lich King. Agora teremos eventos semanais dedicados às dungeons de expansões antigas. Esses eventos consistem em que o jogadores de nível máximo consigam fazer essas dungeons com níveis dos inimigos e recompensas adequadamente ajustados ao seu.

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Para terminar irei falar sobre os Demon Hunters, a nova classe disponível em World of Warcraft. Illidan Stormrage é sem dúvida um dos personagens mais adorados pelos fãs, não só pelo papel desempenhado na história, mas pelo seu aspecto e sabendo disso, a Blizzard achou que o regresso da Burning Legion era a altura ideal para tornar os Illidari em personagens jogáveis. Bloqueada apenas a Night Elves e Blood Elves, Demon Hunter é uma classe com apenas dois specs: Havoc (DPS) e Vengeance (Tank). Utilizam Warglaives como arma e as suas habilidades são baseadas em Fel. Tal como os Death Knights, começam com nível muito próximo do requerido para começar a expansão, 98, e têm uma pequena história inicial para explicar o seu envolvimento na guerra.

A Blizzard continua a mostrar que sabe lavar a cara ao seu MMORPG, mostrando que o final de World of Warcraft está longe. Tanto a nível de lore como de experiência de jogo, WoW: Legion consegue captar a atenção dos novos jogadores assim como a dos veteranos que tenham vontade de voltar a salvar Azeroth. Uma das melhores experiências que Warcraft nos ofereceu nos últimos 12 anos.

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