Um clássico que ganha nova vida quase 30 anos depois.

A DotEmu decidiu mostrar o seu amor por Wonder Boy III: The Dragon’s Trap de 1989 e refazê-lo com visual contemporâneo. Foi lançado em vários sistemas da altura, mas foi na Sega Master System onde teve mais sucesso. Será que quase 30 anos depois, Wonder Boy consegue continuam a encantar?

Wonder Boy: The Dragon’s Trap é um jogo de plataformas com a particularidade de não ser linear e apresentar vários caminhos, o que hoje em dia chamamos de Metroidvania mas numa escala mais pequena. Neste jogo controlamos um herói que após derrotar um terrível dragão mecânico, é amaldiçoado e transformado num lagarto que cospe fogo. A partir daqui embarcamos numa aventura para desfazer a maldição, só que pelo caminho vamos sofrendo novas transformações que mudam um pouco o estilo de jogo. Existe um pequeno elemento RPG mas em vez de adquirirmos novos níveis, vamos arranjando novas armas e armaduras que nos vão ajudar a sobreviver.

A jogabilidade foi adaptada aos comandos mais recentes e os níveis mantiveram-se intactos, e a grande diferença em relação ao original é claro, o audiovisual do jogo. O jogo apresenta um visual cartoonesco de bastante qualidade. Os cenários e personagens foram cuidadosamente desenhados para nos entregar uma experiência bastante agradável. As músicas são as mesmas mas com um arranjo musical em vez dos 8-bits. Mas os mais puristas têm nesta versão um miminho: podem de forma instantânea, alternar entre o visual moderno e antigo, assim como o som, com um simples botão. Isto é bom não só para quem quer ter uma experiência mais próxima com o original, mas também para quem quer ver as diferenças entre as duas versões. No meu caso, joguei com visual e músicas modernas mas com o som dos monstros e armas antigos. Sempre que chegava a um novo cenário ou encontrava um novo inimigo, trocava de visuais para ver as diferenças. Outra coisa que vai certamente agradar aos veteranos, é o facto do sistema de passwords se manter. Não se preocupem, pois o jogo grava automaticamente o vosso progresso, mas caso queiram utilizar uma password gerada na consola original, podem fazê-lo nesta versão.

É sem dúvida um grande jogo de plataformas, dos melhores que podemos encontrar nesta geração, mas infelizmente para os dias de hoje, Wonder Boy: The Dragon’s Trap acaba por ser um jogo muito curto. Terminei o jogo com praticamente todos os equipamentos em pouco mais de 6 horas, mas é um jogo que dura cerca  de 2 horas quando já sabemos o que fazer. Existe a possibilidade de jogar com uma rapariga e existe também uma secção de extras com arte conceptual e posters do jogo, mas nada que aumente a sua longevidade.

Em suma, Wonder Boy: The Dragon’s Trap é um excelente jogo do género com um dos melhores visuais possíveis para um jogo deste tipo. Os fãs do original têm aqui a versão definitiva de um grande clássico dos anos 80. Os novos jogadores não ficarão desiludidos com a qualidade deste título, mas vai acabar por saber a pouco.