25 Ago 2018
PS4

Análise – Wolfenstein II: The New Colossus

MEIN LEBEN!!!

Wolfenstein é uma série que já existe há quase 40 anos, mas só se tornou num fenómeno mundial quando a id Software em 1991 decidiu criar uma sequela dos primeiros títulos. Essa sequela ficou conhecida como Wolfenstein 3D e graças a ele, os FPS’s são um fenómeno mundial. Relembro a série com alguma nostalgia, principalmente por culpa de Return to Castle Wolfenstein, não só pela sua tremenda qualidade mas por toda a polémica gerada à volta do jogo. A Bethesda continua esse legado, sem medos, e continua a nos mostrar uma possível vista de como seria o mundo caso a Alemanha Nazi tivesse vencido a segunda grande guerra.

B.J Blazkowicz está de volta, velho, cansado e ferido, mas nada disso o impede de continuar a derramar sangue Nazi. Seguindo os acontecimentos de Wolfenstein: The New Order, Frau Engel tenta a todo o custo capturar e executar Blazkowicz publicamente. Felizmente para “Terror Billy” e toda a América, os planos de Engel não lhe correm da melhor maneira, e mesmo com metade do corpo incapacitado, B.J. consegue escapar e continuar na sua luta para libertar o mundo da ameaça Nazi, mas com alguns sacrifícios pelo caminho. Devo dizer que Frau Engel é das minhas personagens preferidas. Não me interpretem mal, pois não concordo em nada com a sua ideologia, mas a forma como está escrita e a sua actuação, fazem com que tenhamos uma maior noção de como era o Nazismo. No fim de contas, se apenas Hitler tivesse essa visão, será que ele tinha chegado tão longe? O jogo explora também o passado de Blazkowicz e percebemos melhor o seu ódio pelos Nazis. Para não falar que as cenas mais chocantes para mim acontecem com flashbacks de infância do herói.

É bastante interessante como a América está mudada desde a chegada dos Nazis. Suásticas por todo o lado, o pequeno mas enorme pormenor das armas terem nomes alemães e sem querer spoilar muito, as conversas que se conseguem ouvir na rua entre soldados nazis e americanos. Foi uma das tarefas que mais gozo me deu no jogo, procurar pequenos detalhes nas zonas que mostrem como a America está diferente.

Mas para além da sua rica história e de tratar um tema tão delicado e fascinante (não no bom sentido) que foi a segunda grande guerra e o que poderia ter sido caso o final fosse diferente, como é que Wolfenstein II se destaca dos restantes jogos do género? Primeiro não existe qualquer tipo de interação online. A experiência é puramente offline, o que faz com que obrigatoriamente a sua campanha tenha que ser interessante e que faça valer a pena a compra. E Wolfenstein II brilha por todos os lados. A jogabilidade é simples, sem grandes ambições. É um FPS puro onde balas irão voar por todos os lados. Podemos fazer uma abordagem mais furtiva mas com a quantidade de armas que temos ao nosso dispor, seria um completo desperdício. O mundo está a mudar e a evoluir a passos largos, assim como o nosso armamento. Existem algumas armas bastante explosivas que não destoam do resto do jogo, não parecem fantasiadas. As mecânicas de jogo são simples e não esperem um FPS onde a saúde se recupera automaticamente, continuamos a ter que apanhar saúde e armadura. Um pormenor interessante, é que ao destruímos um inimigo mecânico, podemos apanhar pedaços da armadura para usarmos a nosso favor.

A dificuldade do jogo é outra das coisas que me fascina. Não por ser difícil a forma como matamos os inimigos, mas a forma como vêm ter connosco, e isso de certa forma fez-me lembrar os FPS’s que tanto joguei no passado. Os níveis têm vários caminhos para explorar, mas infelizmente não tanto como DOOM lançado no ano passado.

O jogo no geral tem um excelente ambiente proporcionado pelo fantástico trabalho sonoro. Dá um certo arrepio ouvir gritos em alemão quando somos detectados pelos inimigos. Graficamente para mim é uma faca de dois gumes. Por um lado, sou fã dos cenários que a Bethesda nos apresenta, mas ao pormenor e olhando bem para as expressões faciais, sinto que podia ter sido muito melhor trabalhado, parecendo até que algumas texturas sejam da geração anterior.

Resumindo, Wolfenstein II: The New Colossus é um excelente jogo dentro do seu género do ano que terminou. É uma experiência Single Player de grande qualidade, com alguns momentos e personagens que certamente ficarão na memória dos jogadores durante alguns anos.

Também te pode interessar