16 Abr 2019
Switch

Análise – Travis Strikes Again: No More Heroes

Travis é estiloso, mas isso não é o suficiente…

Parece que Travis Touchdown já anda por ai há mais de 10 anos a esquartejar tudo o que se mexe, mas eu ainda não tive oportunidade de pegar em nenhuma das suas anteriores aventuras. Esta é uma análise do ponto de vista de quem nunca jogou nada da série No More Heroes.

Travis Strikes Again: No More Heroes começa com duas cutscenes que para além de bizarras, são fantásticas e que nos dá um cheirinho do que ai vem: Acção nonsense carregada de estilo e quebras da 4ª barreira, e algo que me chamou muito à atenção, foi o facto de Travis numa delas estar a jogar Hotline Miami, um dos meus indies favoritos, e a música do jogo não me deixou indiferente e fez-me pensar que vinha ai algo épico. Infelizmente Travis Strikes Again revelou-se ser uma experiência agridoce.

Travis Strikes Again: No More Heroes trata-se de um Hack N’ Slash… na maior parte do jogo. Travis está equipado de uma espada de energia onde dizima hordas de inimigos dentro de videojogos. Sim, a história desenrola-se dentro de uma consola, Death Drive MKII, e cada um dos níveis é um jogo diferente, e as mecânicas mudam de jogo para jogo, apesar de existirem sempre secções Hack N’ Slash. Podia estar aqui a aprofundar a jogabilidade, mas muito resumidamente, temos ataques fracos, fortes e habilidades especiais que vamos encontrando espalhadas pelos níveis. Temos de estar sempre atentos à energia que temos disponível na arma, pois sem ela não causamos dano nenhum. Para carregar temos de pressionar uma combinação de botões que é tudo menos prática. Se jogarmos com os Joy-Cons separados, podemos fazer isto com um movimento, mas é a única diferença significativa que temos na jogabilidade, de resto a experiência é banal e muito inferior ao que os controlos de movimento da Wii foram. Vamos desbloqueando novas Skills e subindo de nível, mas continua a não ser o suficiente para tornar o combate apelativo.

O jogo está dividido em duas parte. A primeira são os níveis em si. Cada nível é um diferente jogo da Death Drive MKII, e cada um deles homenageia clássicos que existem na vida real. Sem tentar spoilar muito, existe um que se trata de um “metroidvania“, sendo que a navegação no nível é feita numa mansão 2.5D, e cada porta especial leva-nos a um nível  onde a jogabilidade é Hack N’ Slash. Cada um dos jogos tem este padrão, e no final um boss que são os combates que realmente são diferentes de tudo o resto. Os combates ao longo dos níveis são praticamente sempre os mesmos. Não existe grande variedade e os níveis são enormes, o que fazem com que nos fartemos rapidamente. A história principal de Travis Strikes Again é contada num RPG de texto. Se os níves de acção são chatos, isto consegue ser ainda pior. São textos entre 10 a 15 minutos que apesar de terem alguma piada, só desejamos que acabem para irmos ao jogo propriamente dito. É claramente uma falta de vontade da Grasshopper em se aplicar na narrativa do jogo.

Graficamente é bastante estranho. Não tenho problema com a diversidade de estilos visuais que o jogo nos oferece, mas algumas decisões visuais deixam muito a desejar. Sem falar na narrativa principal que é contada em texto (tinha sido giro uma vez ou outra durante a campanha, mas sempre perdeu logo a piada), o HUD é presunçoso, ou seja, tenta ser diferente mas acaba por ser apenas parvo e sem qualquer tipo de utilidade. São duas faixas verticais em cada uma das extremidades dos ecrã, uma para cada personagem, porque sim, Travis Strikes Again pode ser jogado em co-op, que não torna o jogo mais divertido por isso. O que mais me divertiu no jogo, foi coleccionar t-shirts de jogos indies, a única forma de customização de Travis neste jogo.

Em suma, Travis Strikes Again: No mores heroes é um jogo que apesar de alguns pontos positivos, peca bastante pela sua presunção. Tenta ser diferente e original, mas acaba por ser uma salada russa sem qualquer tipo de tempero e provavelmente, o pior jogo “destaque” do catalogo da Switch.

Travis Strikes Again: No More Heroes
4 / 10 Pontuação
Rating4

Também te pode interessar