01 Set 2018
Análises

Análise – Tokyo Mirage Sessions #FE

A Wii U a provar que o J-RPG está vivo e recomenda-se. Venham ler a nossa análise.

Tóquio, a cidade dos Otakus e das ídolos Japonesas, um conceito que aos poucos vai conquistando o público ocidental. Agora juntem isso a Shin Megami Tensei, uma série de RPGs que desde há alguns anos para cá, também tem feito as delicias dos jogadores europeus e americanos. Para finalizar imaginem esses dois conceitos misturados com uma pitada de Fire Emblem, sim, a série de RPG’s tácticos. Parece uma junção bizarra, mas na verdade resulta num dos melhores RPGs da consola.

Neste jogo assumimos o papel de Itsuki Aoi que durante uma audição para encontrar uma nova ídolo de pop, descobre que o mundo do entretenimento é palco de uma batalha secreta entre mirages e mirage masters num mundo paralelo. Itsuki e os seus amigos também são mirage masters e juntam-se à Fortuna Entertainment, uma agência de talentos que para o público é a responsável pelos maiores ídolos dentro das várias áreas do entretenimento, mas secretamente salva a cidade dos mirages que andam por Tóquio a roubar Performas, a fonte de talento das pessoas.

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O jogo gira em torno desta temática. Cada um dos membros da equipa é especializado num tipo de entretenimento (J-pop, programas de culinária, séries de acção, etc…) e à medida que as suas habilidades nessas áreas aumentam, a sua prestação em combate também será maior. Dentro do género a história é boa, difícil de agradar a um público mais maduro. Cheio de clichés dos Animes e da cultura Japonesa geral, a história consegue ter os seus momentos mais sérios e sombrios, contrastando assim com o ambiente feliz e cheio de vida que se vive em Tóquio.

Usando como referência os dois Shin Megami Tensei de maior sucesso no nosso território, Persona 3 e 4, posso dizer que a jogabilidade é muito semelhante. O combate é por turnos e obriga-nos  a explorar as fraquezas dos inimigos. Cada personagem tem habilidades que temos que activar, e habilidades que são activadas com uma condição: que um inimigo sofra um ataque do qual seja fraco. Por outras palavras, se  Itsuki realizar um ataque eléctrico a um inimigo com essa fraqueza, os outros membros da equipa que estejam a participar na batalha podem forma uma cadeia de ataques (sem que “gaste o ataque” desse turno), caso também tenham ataques desse tipo.

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Dentro da idolsphere (essa versão sombria de Tóquio) podemos visualizar os inimigos antes de entrar em combate com eles, mas podemos também encontrar NPCs que precisem da nossa ajuda, baús e puzzles. Em Tóquio podemos andar pela cidade num misto de mundo aberto com dating sim. Nesse aspecto Tokyo Mirage Sessions #FE fica muito atrás de Persona, pois as relações entre personagens não são exploradas com a mesma profundidade, havendo algo que substitui isso, o nível de talento. Para além do nível de combate, os nossos personagens vão subindo o seu nível como enterainers que para além de desbloquear habilidades em combate, também vão dar acesso a missões para cada um dos personagens, que nos vão permitir ficar a conhece-los melhor assim como aprender poderosas habilidades de nível profissional, o que mais uma vez, se vai reflectir a nível de combate.

E no meio disto tudo, onde fica Fire Emblem? Nos mirages que acompanham cada um dos protagonistas, que são personagens clássicos da franquia. Cada protagonista tem um mirage que se materializa em armas, dando assim poderes de combate. Isso é chamado Carnage Form, que funciona aqui como os personas nos títulos que referi mais acima. Ao derrotarmos inimigos, apanhamos as Performas que eles roubaram, assim como estrelas que nos permitirão dar novas Carnage Forms aos personagens. Cada arma nova aumenta os stats dos personagens e dão novas habilidades de combate, que depois de aprendidas, ficarão para sempre com eles, a não ser que já não existem mais slots livres e que sejam substituídas por outras que nos agradem mais.

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O gamepad da Wii U mostra-se mais uma vez ser bastante útil, tendo várias funcionalidades interessantes no jogo. Fora das batalhas, serve como um telemóvel onde recebemos e enviamos mensagens, indicando o que temos que fazer e aprofundando os personagens. Aqui também podemos visualizar o mapa e durante as batalhas, mostra as fichas técnicas dos personagens presentes na batalha, mostrando stats, habilidades e fraquezas dos heróis e inimigos.

Graficamente é um regalo para a vista. Dado o tema que o jogo tem, era de esperar que o jogo fosse cheio de cor e movimento, mesmo na idolsphere que é um ambiente mais gótico, não senti que fosse muito “deprimente”, culpa também das batalhas que são como se os personagens estivessem a actuar para um público empolgado. O que achei bastante interessante, foi o facto dos personagens que não têm qualquer interesse para a história, serem silhuetas coloridas. Poupa recursos, e dá um toque bastante único ao jogo. Os menus estão todos muito bem construídos, cheios de pequenos easter eggs e com descrições que se adequam mais à temática de jogo, do que propriamente de um RPG. Os cenários também estão muito bem desenhados, e destaco a Idolsphere que, ao contrário do que a Atlus nos tem habituado, cada uma das masmorras são completamente diferentes, não dando a sensação de dejá vu.

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A nível sonoro também fiquei bastante impressionado. Primeiro porque a Avex Group esteve envolvida no projecto, por isso podemos contar com músicas de tremenda qualidade, para quem gosta do género, em segundo lugar, o facto do jogo só ter as vozes originais. A Atlus não tem muito boa fama por lançar os seus jogos sem opção de audio em Japonês, o que é uma pena visto ter sempre um elenco de luxo, desta vez preferiram nem gravar uma versão em Inglês, visto a temática ser tipicamente Japonesa.

Em algumas dezenas de horas, pude concluir que a Wii U consegue provar que o J-RPG clássico está vivo e de boa saúde. É impressionante como a Atlus conseguiu pegar num conceito tão Japonês e criar um RPG que agrade a vários tipos de audiências. Não é perfeito, mas anda lá perto. É a fórmula Shin Megami Tensei limada e adaptada para a consola caseira da Nintendo.


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