26 Jun 2019
Switch

Análise – Super Mario Maker 2

Consegue superar o primeiro título, e por uma grande margem.

Depois do enorme sucesso que o primeiro jogo teve, era mais que natural que um port do mesmo chegasse à Nintendo Switch, mas a gigante nipónica quis voar mais alto e apresentar-nos uma sequela. Será que a Nintendo quis voar demasiado alto e derreter as asas?

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Super Mario 3D World chega a Mario Maker.

Pois bem, a Nintendo não tem asas de cera e conseguiu voar ainda mais alto do que se conseguia imaginar, pois Super Mario Maker 2 consegue ser mais e melhor que o antecessor. Assim que ligamos o jogo, damos logo de caras com o editor de níveis, onde temos o pombo Yamamura à nossa disposição para nos ensinar ao pormenor, a arte da construção. Se não quiserem levar o “curso intensivo” de seguida, poderão sempre mais tarde visitar o Yamamura Dojo, e escolher uma das dezenas de lições que se encontram à disposição. Os controlos estão otimizados para ser intuitivo construir no modo TV com um comando ou com os Joy-Cons (mas claro que o podem fazer através do touch screen da consola). Existe uma barra no topo com as últimas ferramentas que utilizamos, e se carregarmos na lupa temos acesso a várias rodas com ferramentas divididas por categorias para um fácil acesso. Estas rodas são bastante simples de aceder, mais uma vez tornando a navegação com o comando bastante rápida e simples. O cursor para colocar elementos nos níveis é controlado com os analógicos, enquanto os ícones que está à volta do ecrã são com o D-pad.

São dezenas de novidades que chegaram ao editor de níveis em Super Mario Maker 2, e podia levar aqui uma eternidade a enumera-las. Em termos de estilos, para além dos que estavam presentes no primeiro título, foi adicionado Super Mario 3D World, onde está presente o Cat-Mario, assim como o fofo mas feroz Cat-Bowser. Nos restantes estilos, existem novos elementos, novos cenários (e com eles novas melodias) e novos efeitos sonoros. Níveis de Super Mario Bros no deserto? Já é possível! Algumas das maiores novidades na criação de níveis é nível de água/lava dinâmico, áreas verticais, botões On/off e uma garra em que nos podemos baloiçar. Existe ainda um kart que dá uma dinâmica muito engraçada nos níveis certos. São dezenas de novos elementos que ajudam a criar níveis bastante engraçados, e completamente diferentes de tudo o resto que já se viu num jogo do “Big Red”. Como a Nintendo Switch é uma consola que acima de tudo, promove amizades, neste segundo título podemos criar níveis em conjunto com um amigo.

Desta vez a Nintendo decidiu investir num modo de história. A premissa é simples: Mario e a sua crew acabaram de construir o novo castelo de Peach, mas o cão do editor (o que serve para desfazer a última ação), pisa sem querer o reset rocket e manda a baixo todo o trabalho feito. Cabe a nós ajudar Mario e a crew de Toads a angariar fundos para conseguir reconstruir tudo de novo. Para isso, temos que aceitar pequenos trabalhos. Cada trabalho é um nível, meticulosamente criado pela própria Nintendo, e utiliza na perfeição as ferramentas que o jogo nos apresenta. Arrisco-me a dizer que nesta seleção de mais de 100 níveis, existem alguns que são dos momentos mais épicos de jogos de Mario. Níveis todos eles extremamente bem pensados, e que para além de nos mostrar o que é possível fazer, também nos dá ideias para a criação dos mesmos. À medida que vamos construindo novas seções do castelo, os diferentes NPCs que se encontram na área vão-nos dando trabalhos extra que nos dão novos elementos para o castelo, e novos acessórios para o nosso avatar do modo online. Estes níveis “extra” têm sempre uma temática interessante. Por exemplo, um dos Toads precisa de pedra para construir umas escadas, então temos que terminar o nível enquanto carregamos uma pedra. Infelizmente, este é uma das poucas coisas que existe no modo de história, mas que até à data, é impossível replicar. Não é possível criar uma condição em que tenhamos que chegar ao fim do nível com uma pedra nas mãos, o que é uma pena, pois dá para fazer coisas muito engraçadas com esta condição, e até mesmo com a condição “chegar ao fim com x Toads“. É esperar que a Nintendo lance uma actualização para desbloquear esses conteúdos.

Completar o castelo a 100% dura cerca de 5 horas, mas se quiserem terminar todos os níveis da lista, a aventura estende-se por outras tantas. Algo que recomendo, pois os níveis são mesmo muito bons. Não são demasiado complicados, nada absurdo, mas por vezes as coisas podem-se complicar. É aqui que entra Luigi. Ele dá-nos assistência com uma seleção de Power Ups e utensílios que nos podem ajudar a passar mais facilmente.

Mas claro, Super Mario Maker 2 não tem fim, e o modo online onde podemos partilhar as nossas criações, é o grande motivo.  Course World está de volta, e com diferentes modos de jogo. Para nos identificarmos na comunidade como criadores de conteúdo, temos um avatar. Este avatar é o nosso Mii e podemos customiza-lo com várias peças de roupa. Estas peças são obtidas através de missões especiais no modo de história, ou a atingir conquistas no Course World, como por exemplo “Ser detentor de um record mundial num nível” ou “Atingir a ronda 10 no endless challenge”.  Mas o Couse World está divido em 4 seções:

  • Courses: Aqui podemos escolher um nível para jogar. Temos vários separador para ordena-los por popularidade ou pelos mais recentes, mas podemos também procurar um nível ou criador específico;
  • Leaderboards: Como o nome indica, aqui é onde podemos ver as classificações de todos os jogadores, seja como criadores ou como jogadores;
  • Network Play: Podemos procurar sessões online ou criar sessões locais para jogar níveis em co-op ou versus;
  • Endless Challenge: E por fim, o modo de jogo onde começamos com 5 vidas, e temos que completar o maior número de níveis possíveis criados pela comunidade, até que fiquemos sem nenhuma. Podemos escolher 4 níveis de dificuldade diferentes, em cada nível podemos ganhar até 3 vidas extra. A única ajuda aqui, é que podemos trocar e nível caso o atual não nos agrade.

Sinto a ausência de um modo com início e fim, tal como existia no primeiro título, assim como as dezenas de personagens que podíamos colecionar. Neste jogo apenas podemos jogar com Mario, Luigi, Toad e Toadette. Para trocar entre eles, basta irmos ao menu de opções e escolher o personagem. Para mim que sou mais jogador que criador, sinto que me faltam coisas para fazer. Não é que vou ficar sem níveis para jogar e nem tão cedo vou ficar sem roupas para colecionar, mas os personagens presentes no primeiro jogo fazem-me alguma falta. Era gratificante usar o amiibo para desbloquear um personagem, ou simplesmente chegar ao fim de uma Course e receber um aleatório.

Existem mais opções para avaliar os níveis que jogamos. Podemos dar “like” e “dislike” e deixar comentários, que podem ser escritos, desenhados ou então utilizando imagens pré-definidas. Como criadores, vamos ter um ecrã de estatísticas em que será atribuída uma pontuação, de acordo com a prestação que os seus níveis estão a ter. Também serão atribuídas medalhas, que são sempre um incentivo para criar mais e melhor. Podemos ainda descarregar os níveis para jogar offline.

Apesar de não ter duas das minhas coisas favoritas do título anterior, Super Mario Maker 2 consegue superar em tudo o seu antecessor. Foi uma escolha acertada criar uma sequela em vez de trazer uma versão remasterizada de Super Mario Maker, pois as opções de criação aumentaram consideravelmente, e este jogo nas mãos das pessoas certas, será o palco de criações dignas de serem jogadas vezes sem conta. É certamente um título que ficara na consola de muitos jogadores por muito, muito tempo.

Super Mario Maker 2
10 / 10 Pontuação
O primeiro já era uma obra prima, e mesmo assim a Nintendo consegue provar que há sempre margem para o universo de Mario expandir. Um jogo que certamente será jogado durante muito tempo.
Rating10
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Análise - Super Mario Maker 2

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