26 Ago 2018
Xbox One

Análise – Super Lucky’s Tale

Mas será assim tão super?

Super Lucky’s Tale foi anunciado como exclusivo da Microsoft durante a conferência na E3 2017, e rapidamente cativou o interesse dos fãs de plataformas 3D. Um jogo de plataformas 3D, cheio de cores vivas e uma raposa como protagonista? I’m in.

Infelizmente esse sentimento de hype caiu por terra assim que comecei a controlar Lucky. Em Super Lucky’s Tale assumimos o papel de Lucky, uma raposa com o complexo de herói que em conjunto com a sua irmã, têm que proteger o Book of Ages até que este é roubado por Jinx. Com o livro, a sua irmã também é raptada, então cabe-nos a tarefa de resgatar os dois. Começo por frisar que a arte do jogo é do meu agrado. Não tenta ter gráficos de última geração nem nada do género, apenas quer homenagear os platformers 3D que tantas horas de diversão nos deram nos finais dos anos 90 e inicio dos 00’s. Nesse campo, o jogo faz um excelente trabalho, o problema vem com quase tudo o resto.

Já experimentei o jogo tanto no Xbox One como no PC, e apesar de no PC a performance ser bastante boa (e segundo relatos, na One X também), a impressão que me deixou na Xbox One mantem-se na minha memória (também porque foi onde joguei a maior parte do tempo), e para um jogo que é, é algo que não posso deixar passar. À primeira vista, parece que o jogo corre de forma bastante fluída mas tudo descamba assim que Lucky se começa a movimentar. Dá a estranha sensação de que tudo corre a 60fps menos Lucky que se movimenta a 20-25fps.

Tentando ignorar esse problema, lá continuei a minha jornada. Super Lucky’s Tale é um Platformer 3D onde temos vários mundos. Cada mundo tem uma zona central que funciona para entrar nos níveis. O objectivo principal é coleccionar medalhas suficiente para avançar para desbloquear novas zonas. Os níveis podem ser áreas sandbox cheias de segredos e pequenas tarefas para apanhar medalhas, podem ser níveis totalmente sidescrolled e até mesmo níveis com sequências de puzzles. Variedade não falta, o problema é que muitos deles são chatos e a certo ponto do jogo, teremos de voltar atrás para conseguir progredir. Atenção, os inimigos incluíndo os bosses não são difíceis, o problema são algumas medalhas que são difíceis de encontrar ou que são bastante chatas não por culpa do jogador, mas sim da pobre câmera e controlos que o jogo nos apresenta. Achavam que a frame rate era a maior dor de cabeça? Nem por isso. Lucky vem equipado com algumas habilidades interessantes, como andar debaixo de terra e duplo salto, o problema é que as físicas são bastante pobres. O que pode parecer uma tarefa bastante simples, os controlos do jogo podem fazer com que se torne numa tarefa bastante frustrante. A sensação que tive ao jogar Super Lucky’s Tale, foi a mesma que tive a jogar jogos de plataformas da era Playstation 2. Aquele cuidado extra para aterrar em cima de uma plataforma, dar ligeiros toques no analógico para não me desviar da rota numa secção de velocidade. E para ajudar à festa, ainda temos o problema da câmera que para além de não ser 360º, o movimento desta não é fluído pois só tem 3 ou 4 posições diferentes.

Super Lucky’s Tale não é horrível, mas é sem dúvida um dos maiores flops do ano. Mesmo que muitos dos problemas fossem corrigidos, nunca chegaria a ser um grande jogo de plataformas. A progressão do jogo não desperta grande interesse e apesar dos primeiros níveis darem uma boa impressão do jogo, o resto não mostra qualquer tipo de inspiração e parecem mais do mesmo. Isto a jogar aos maus controlos e câmera de causar náuseas, faz com que seja um jogo a evitar. Dentro do mercado indie, existem alternativas bem melhores e mais baratas.

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