A invasão da Normandia como nunca se viu.

Jogos de estratégia sobre a segunda guerra mundial eram comuns na década passada, mas ao longo dos últimos anos têm caído em desuso. A Eugen Systems e a Paradox Interactive tentam revitalizar este género com este Steel Division: Normandy 44, um RTS para os fãs hardcore do género, em exclusívo para PC.

Não se trata de um típico jogo de estratégia onde temos que construír edifícos e controlar enormes exércitos, mas sim um jogo onde temos que planear cuidadosamente como jogamos cada uma das unidades. Steel Division utiliza o IRISZOOM Engine, onde podemos alternar de uma vista aérea do mapa ao estilo de Risk, para uma vista mais perto das unidades. Nesta segunda vista, nota-se que os gráficos estão bastante datados, mas nada que estrague a experiência, mas na vista aérea e sim, o jogo apresenta cenários fiéis e deslumbrantes.

A jogabilidade é mais complexa do que parece. Apesar de cada unidade não ter grande variedade de comandos, devemos ter em conta cada um dos seus atributos e jogar com isso a nosso favor. Cada unidade tem a sua função específica e temos que saber aplicar cada uma delas no sítio certo, na altura certa. Em 95% dos casos, atirar com infantarias para cima do inimigo não funciona, obrigando-nos a utilizar sempre estratégias que envolvem emboscadas, distrações, utilizar os diversos elementos do mapa para dar cobertura às tropas, entre outras táticas de combate. É aqui onde é importante aproximar a câmera, pois temos uma vista mais detalhada dos elementos no campo, sejam eles árvores, pequenos edifícios, arbustos, qualquer coisa que nos consiga dar vantagem estratégica naquela zona. Temos também que ter em conta como abordamos cada combate. Não vamos entrar numa zona inimiga num veículo, mas sim deixar a infantaria um pouco longe da zona de combate, e tentar fazer com que eles se aproximem sem alertar as tropas inimigas. Foi nestas atenções aos detalhes que me apaixonei pelo jogo e vai mudar um pouco a forma como vou abordar jogos de estratégia daqui para a frente, pois em todos os que joguei, de uma forma ou de outra, enormes exércitos a flanquear inimigos eram quase sempre uma solução.

Para além da precisão histórica, a Eugen Systems oferece-nos também precisão nos veículos e táticas da mítica invasão. Não é um jogo para qualquer pessoa, apenas os mais acérrimos fãs do género é que irão desfrutar dele na totalidade. O tutorial do jogo explica bastante bem as táticas, mas dada a complexidade do jogo, só ao fim de algumas missões da campanha é que realmente comecei a dominar o combate. A batalha começa logo antes de entrarmos em campo, onde temos que cuidadosamente escolher que unidades levar para batalha. Existem imensas combinações que podemos fazer, lembra-me um pouco um jogo de cartas onde escolhemos o baralho que mais se adequa ao nosso modo de jogo. Existem dezenas de tanques, aviões, equipamentos antitanque e antiaéreos

Podem contar com um modo Single Player onde podemos pôr em prática o que aprendemos no Tutorial e recriar os eventos que aconteceram em 1944 na Normandia. Existem 3 campanhas, cada uma com diferentes perspetivas. São missões curtas mas com muito valor histórico, pois a Eugen Systems tentou fazer com que tudo fosse o mais fiel possível, desde mapas, personagens e veículos. Mas o que realmente nos cola ao jogo é o modo online que pode ir até 20 jogadores em simultâneo. Conquest e Destruction são as duas formas de jogar contra outros jogadores. Em Destruction o objetivo é destruir um certo número de unidades, enquanto em Conquest o objetivo é ao fim de 30 minutos ter mais pontos que o adversário (ou chegar a um certo limite antes desse tempo). Para ganhar pontos tempos que ter mais que 50% do mapa conquistado. É aqui que temos que dominar tudo aquilo que aprendemos, e estar sempre de olho bem aberto. É muito fácil estar a dominar o mapa e de um momento para o outro sermos surpreendidos e perdermos uma frente num piscar de olhos.

Steel Division: Normandy 44 é uma lufada de ar fresco, não que seja algo completamente novo, mas é uma arte que se pensava já perdida. O balanço entre história e complexidade estratégica vai certamente agradar aos amantes do género. Se gostam de história, em particular da segunda guerra mundial, têm aqui um título que certamente vos vai dar uma boa noção do que se passou neste episódio da segunda grande guerra mas deixo o aviso: se quiserem dar luta aos vossos adversários, vão ter que estudar muito bem a lição.