Lara Croft está de volta, outra vez.

A aventura de Lara Croft nos videojogos começa em meados dos anos 90, e é das poucas personagens tridimensionais no activo e com jogos de qualidade superior a saírem constantemente. Mesmo que para isso tivesse que sofrer uma reimaginação da sua fisionomia e atitude, o que conta é que Lara ainda está connosco.

Longe vão os tempos em que uma silhueta pontiaguda e atitude “bitchy” fazia com que a mente mais inocente de um jogador fantasiasse com um código que fizesse Lara Croft andar nua pelo jogo. No entanto, os tempos mudam, e a personagem sofreu dezenas de “peelings de textura e polígonos” e hoje não é nada daquilo que em tempos foi, o que causa um sabor um tanto agridoce. A rebeldia no visual e no seu palavreado foi trocado pela inocência disfarçada e jovialidade desta nova Lara, e apesar de ter custado a engolir no primeiro título, neste novo capítulo já estamos bem habituados à moça.

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Rise of the Tomb Raider já não é propriamente uma novidade no mundo dos videojogos. Para a PS4 é, e é concorrente directo na luta pelo jogo de aventura de 2016 juntamente com o prodígio da Naughty Dog, Uncharted 4.

Voltando ao que realmente interessa, esta nova aventura de Lara Croft veio com um patch que resolve problemas técnicos detectados na consola rival e melhoria na imagem com 1080p não só durante o gameplay mas nas cutscenes. Infelizmente o jogo corre a 30fps como na consola original e não houve qualquer upgrade às texturas ou ao anti-aliasing, sendo que em parte, a performance acaba quase por ser a mesma que na consola da Microsoft. Os reflexos na água e os elementos naturais no jogo sofreram melhorias e estão muito mais refinados e realistas, juntamente com toda a arte do jogo. No entanto, será preciso esperar pela Playstation Pro para sabermos onde Rise of the Tomb Raider brilha em relação às diferentes versões que existem. Apesar de algumas melhorias notáveis na consola da Sony, a versão de PC continua a ser a melhor versão das 3 disponíveis. Para além de todas as rectificações e melhorias (ou não), esta versão possui contéudo extra como celebração do vigésimo aniversário de Lara Croft. Esse conteúdo oferece-nos um novo nível na mansão Croft e ainda uma versão alternativa em modo Nightmare repleto de zombies. Juntamente com todas estas mudanças e conteúdo adicional, temos ainda ao nosso dispor novo modos de desafio em co-op e suporte para o Playstation VR.

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A série Tomb Raider é rainha e senhora no que toca a exploração à la Indiana Jones, e por vezes tem uma boa história a acompanhar, o que não é o caso neste título. A história é do mais cliché que existe. Basicamente, o pai de Lara Croft começou a estudar a cidade de Kitezh em busca da fonte divina, um artefacto com poderes sobrenaturais. Uma entidade inimiga chamada de Trinity partilhava do mesmo interesse que ele,  acabando por matá-lo e partir em busca desse poder. E é aqui que Lara Croft entra. Enquanto Trinity vai destruindo tudo e todos à sua volta em busca deste artefacto, Lara encontra-se conhece Jacob e Sophia, dois membros de um pequeno grupo de resistentes que tenta fazer vida nos escombros da Sibéria e juntos fazem de tudo para impedir e derrotar Trinity e seus cabecilhas.

O mapa de jogo está repartido em 13 zonas da Sibéria em que vamos progredindo gradualmente enquanto vamos avançando na história. Cada zona oferece desafios, relíquias para descobrir, documentos para investigar e inúmeros outros objectos e animais selvagens que vão servir para investir nas melhorias de Lara e das suas armas e gadgets.

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Durante o jogo também vamos fazendo missões para os resistentes a troco de experiência, blueprints para novas armas e até ferramentas que nos vão ajudar a aceder a pontos do mapa que de outra forma não conseguíamos chegar.

Visto que este jogo tem uma componente survival bem acentuada (igual ao título anterior), podemos recolher paus de arbustos e penas de pássaros para criar flechas, cogumelos para fazer veneno, panos e ervas para pensos de regeneração, matar animais de maior porte (alguns até exóticos) para que as suas peles e outras parte do corpo possam ser usadas para melhorar o equipamento de Lara, entre outras matérias e objectos.

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Armas também são uma componente forte e essencial em Tomb Raider, e mais do que armas, são ferramentas que nos ajudam a resolver puzzles e aceder a caminhos previamente bloqueados. O melhor amigo de Lara é sem dúvida o seu arco, e com ele podemos não só disparar flechas explosivas, venenosas e incendiárias como também usá-lo na criação de pontes de acesso, movimentar peças de puzzles entre outros. Para além do arco temos à nossa disposição pistolas, caçadeiras e metralhadoras das quais vamos melhorando ao longo do jogo. Apesar de termos um vasto arsenal de armas e upgrades, iremos quase sempre fazer recurso do arco e flecha por ser sempre mais stealth e eficaz a despachar inimigos. Claro que mais para a frente iremos enfrentar soldados com armaduras e aí vamos precisar de usar puro chumbo encima deles, ou então fabricar mais flechas explosivas, que resolvem o problema de igual forma. Seja como for, apanhem o máximo de recursos que consigam porque vão precisar de fazer upgrades e munição constantemente.

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Ao longo do jogo vamos encontrando também centenas de documentos que nos vão oferecendo experiência e ajudar a aprender línguas como russo, grego e até mongol. Essas línguas  ajudam-nos a estudar artefactos de uma dessas 3 naturezas e assim desbloquear inúmeros pontos de interesse no mapa que vão desde moedas especiais que podemos trocar por armas e equipamento a entradas para cavernas. Também iremos encontrar relíquias naturais dos primeiros habitantes de Kitezh, dos tempos da invasão mongol liderada por Genghis Khan e até espólios de guerra da era soviética.

rise-of-the-tomb-raider-10Estas cavernas são um dos pontos altos de todo o jogo, oferecendo o real desafio à Tomb Raider com os seus típicos puzzlesnaturais e mecânicos que fizeram desta série o que ela é hoje. Infelizmente encontramos muito poucos puzzles que pertencem à campanha principal, mas se quisermos explorar as inúmeras cavernas espalhadas pelo mapa de jogo, aí sim, temos aqui uma excelente forma de passar o nosso tempo. Todos os puzzles são fáceis de resolver, mas requerem algum estudo e paciência. É bom saber que a tradição se mantém intacta e sempre original neste ponto.

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O jogo oferece 5 dificuldades diferentes, sendo que na primeira não existe qualquer desafio e a partir daí, quanto maior a dificuldade, mais letais se tornam os inimigos e menos recursos vamos encontrando ao longo do jogo.

Depois de uma campanha sólida, Rise of the Tomb Raider oferece-nos ainda o modo Expedições, que nos permite jogar o jogo todo de novo por capítulos, na ordem que quisermos, mas de diferentes formas. Podemos jogar em modo Score Attack, onde recebemos bónus por objectos especiais que vamos apanhando, e quanto menos tempo demorarmos a apanhar esses objectos em cadeia, maior é o nosso combo e a nossa pontuação. Aliado a isso estão objectivos que vão desde não morrer durante o desafio inteiro, não receber dano, efectuar headshots, executar o maior número de inimigos até encontrar moedas escondidas. Outros modos de jogo oferecidos neste sistema passam por um modo de sobrevivência em que temos de tirar o máximo partido de todos os recursos à nossa volta. Podemos também voltar a jogar capítulos passados com equipamento melhorado, combater com outros jogadores online de modo a ganhar créditos para comprar cartas, entre outros.

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Como já tinha referido, ganhamos créditos e podemos trocá-los por cartas de jogos que podem ser usadas durante os desafios. Cartas essas que nos oferecem melhorias de personagem, das suas habilidades e armas, modificações nos corpos dos inimigos como o aumento de cabeças que ajudam nos headshots, etc. As cartas apesar de serem maioritariamente atribuídas a bonificações, também podemos usá-las para fazer o inverso, removendo habilidades a Lara de modo a ganharmos mais pontuação a cada desafio.

Esta versão de vigésimo aniversário vem com desafios em co-op e ainda um desafio chamado de Lara’s Nightmare. Neste desafio, um espírito maligno toma a mansão Croft de assalto e infesta-a com criaturas do além. Este desafio de combate e sobrevivência obriga-nos a matar tudo e todos os que nos aparecem à frente enquanto apanhamos armas e munição para no final defrontarmos o culpado deste “pesadelo”.

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Rise of the Tomb Raider oferece-nos ainda um novo DLC, Blood Ties. Neste novo capítulo com pouco mais de 1 hora de duração, Lara volta à mansão Croft e descobre que devido à morte do seu pai e desaparecimento da sua mãe, ela ainda não é herdeira do espólio deixado pelos mesmos. Assim sendo, Lara foca-se em explorar a casa onde cresceu em busca de documentos que comprovem que ela é a dona legítima da herdade Croft.

Enquanto Lara vai explorando os cantos secretos da mansão, vai tendo memórias da sua vida passada com a sua família. Apesar de ser um DLC curto num local limitado, a vastidão das passagens secretas e do que podemos encontrar faz com que o sentido de aventura nunca se perca e se mantenha fiel ao que começou na era de 32 bit na Playstation. Uma excelente adição a este jogo, que se torna peça fundamental no conhecimento desta personagem e das suas origens, repleto de referências aos jogos passados, mesmo que esta Lara seja uma reimaginação da clássica.

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Para finalizar, tenho de falar dos pontos negativos, e apesar de não serem muitos, na minha opinião, tornaram a experiência um tanto que frustrante.

Primeiro que tudo, este é sem dúvida o jogo em que Lara Croft mais depressa morre debaixo de água. Ela não aguenta mais de 20 segundos. É mau demais para não dizer pior, mas felizmente não temos que passar muito tempo a nadar ao longo do jogo, pois as distâncias são curtas.

O último ponto negativo que foi o que mais me entristeceu aconteceu quando carreguei no R3 para entrar em modo de instinto survival e tudo à minha volta ficou cinzento. Os objectos que nos são úteis ficaram marcados a dourado, os objectivos também estava delineados no cenário, assim como todos os animais e até os inimigos. Até aqui tudo bem. Quando me movimento para ir até ao objectivo mais próximo, saio do modo de instinto. Pensei que fosse um glitch, mas afinal não. O jogo sai deste modo quando começamos a correr, e não voltamos a esse modo quando voltamos a apertar R3. Temos de esperar alguns segundos, parados. Já irrita bastante termos de pausar o jogo para ver o mapa e nem sequer termos direito a um mini-mapa no canto inferior do ecrã. Nota negativa neste aspecto que era essencial num jogo em que passamos mais de metade do tempo a apanhar objectos minúsculos e descobrir entradas para cavernas secretas.

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Apesar de todas as melhorias que sofreu, este jogo era mais do que obrigatório na consola da companhia que ajudou a tornar a série naquilo que é hoje em dia. Rise of the Tomb Raider é um título sólido e mais um passo em grande na consolidação desta reimaginação de Lara Croft.