24 Mai 2019
PS4

Análise – Rage 2

Voltamos ao mundo pós-apocalíptico cheio de lunáticos e mutantes para criar mais um pouco de caos e destruição em Rage 2.

Rage 2 é um jogo publicado pela Bethesda, mas produzido pela Avalanche Studios em conjunto com a id Software, sendo uma sequela ao título de 2011, Rage. Estamos a falar de um first-person shooter num mundo aberto cheio de conteúdo para o jogador explorar e conquistar.Rage 2

O primeiro título foi bastante elogiado pela comunidade dos videojogos em geral, tirando um elemento muito importante – a falta de uma narrativa interessante e apelativa.

Foi aí que o estúdio tomou uma abordagem nova para o segundo título. Rage 2 tende a ser mais colorido, apelando a um estilo mais próximo do punk rock/neon punk e com uma vertente mais humorística.

O visual, por si só, é uma grande melhoria em relação ao primeiro jogo, onde tudo era lavado com um filtro castanho, tornando o jogo visualmente pouco cativante.

Com esta nova “palete” de cores, podemos apreciar mais este mundo pós-apocalíptico, pois tudo parece mais plausível dentro do seu contexto. Os diferentes pontos de interesse que estão capturados por bandidos estão cheios de graffitis, as fortificações estão abandalhadas, a organização é caótica, mas as zonas dominadas por mutantes já não apresentam estes detalhes.

Essas zonas por norma tendem a estar cheias de ninhos e outros tipos de lixos orgânicos, podendo por vezes encontrarmos zonas que sejam ex-campos de banidos que agora estão dominados por mutantes.

Rage 2

Este é apenas um dos pequenos detalhes que ajuda a criar vida e continuidade no mundo. Podemos encontrar outras coisas destas como por exemplo os encontros aleatórios que acontecem no mundo. Muitas vezes dei por mim a conduzir pelas longas estradas do jogo e a ver alguns confrontos entre mutantes e bandidos nas bermas da estrada.

Falando da narrativa, nota-se que o estúdio tentou esforçar-se mais em tentar trazer uma narrativa mais apelativa ao jogador, mas o que acabou por entregar foi uma campanha bastante linear, ofuscada por uma série de missões secundárias para disfarçar como conteúdo.

O toque mais cómico perde muito do seu charme a partir do momento em que a nossa personagem por vezes tende a ser séria e noutros momentos parece que está a levar a situação toda na desportiva.

Rage 2

A situação, neste caso, está no regresso da Authority, liderada pelo Martin Cross, num ataque surpresa à Resistance pondo em risco todas as linhas de defesa da Wasteland.

Um mundo que já estava dominado por mutantes e bandidos a criarem o caos, a Authority promete ser a evolução da humanidade. Com isto, o jogador é colocado no papel de Walker, um soldado que tem a evolução de carreira mais rápida que alguma vez vi ao mesmo tempo que tem as reações mais apáticas ao longo da mesma.

O jogador consegue aguentar tudo isto com o gameplay que nos é dado. A id Software introduziu as suas mecânicas que ficaram muito conhecidas com o DOOM 2016.

Há uma grande sensação a usar as armas em Rage 2, os sons são agressivos e satisfatórios assim como o manuseamento das mesmas. Em conjunto com as habilidades que podemos desbloquear podemos contar com muitas horas a fazer o conteúdo secundário para ganhar créditos e tokens para termos todas as habilidades.

Um elemento que adorei bastante foi os combates de carros. A navegação através de veículos, não, porque por vezes era bastante tediosa, mas quando apanhava uma Convoy ou inimigos na estrada o jogo virava um verdadeiro combate de Mad Max.

Agora que penso nisso…Rage 2 faz-me lembrar um mundo de Fallout, Borderlands e Mad Max, com gameplay de DOOM. É uma combinação que pode parecer estranha mas acaba por nos trazer um produto com algumas ideias novas e interessantes. Ficamos com o ambiente de Fallout, a temática mais cómica de Borderlands, os combates de veículos de Mad Max e um gameplay, desde o movimento às armas, de DOOM. Se gostam destes jogos, poderão encontrar algo muito familiar em Rage 2.

Falando nas habilidades que temos ao nosso dispor, temos imensas coisas para desbloquear para melhorar a nossa personagem.

Os créditos que ganhamos na maioria das missões servem para desbloquearmos novos níveis para armas e habilidades, enquanto que para ativar perks, talentos e upgrades aos veículos teremos de fazer ações específicas para desbloquear os tokens respetivos para cada um deles.

Os talentos estão divididos entre os quatro NPCs que nos acompanham durante a campanha, sendo que cada um deles terá talentos relativos a fatores diferentes. Não é nada de muito complexo, visto que facilmente conseguimos desbloquear quase tudo com poucas horas de jogo, limpando algum conteúdo secundário.

Os outros tokens já envolvem algumas ações mais específicas, como destruir Convoys para ganhar peças para melhorar os nossos veículos, ou derrotar mini-bosses para ganhar tokens para as armas ou talentos.

Rage 2

Infelizmente ainda não foi desta que a série Rage teve um título que ficará nas memórias dos jogadores, sendo que a minha previsão é que o jogo será facilmente esquecido devido à sua campanha previsível.

O jogo tem aspetos muito positivos como é o caso do gameplay, visuais e audio, o que garantidamente será suficiente para muito encontrarem umas boas horas de entretenimento, mas no final do dia, isso só faz com que o Rage 2 seja um sandbox de conteúdo para o jogador limpar com muito conteúdo repetido ou reskinned.

Rage 2
7 / 10 Pontuação
Um excelente conceito, com mecânicas muito bem trabalhadas, mas sem uma campanha que consiga cativar os jogadores, Rage 2 será um jogo que ficará pouco tempo na memória dos jogadores
Rating7

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