Nascido e criado em Portugal, Quest of Dungeons está a fazer as delicias de jogadores por todo o mundo. Será que as raposas também se renderam ao jogo?

Numa altura em que os roguelikes estavam em ascensão, surge Quest of Dungeons, um dungeon crawler por turnos criado por David Amador da Upfall Studios. Neste jogo assumimos o papel de um de 4 heróis: feiticeiro, assassino, xamã e guerreiro que se juntaram para entrar no covil do Dark Lord e recuperar toda a luz que ele roubou. Antes de entrar no covil, os restantes heróis acham por bem que nós embarquemos sozinhos na aventura.

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O objectivo é percorrer os 7 pisos da masmorra até chegar ao boss final, mas pelo meio iremos encontrar perigo em literalmente cada esquina, desde pequenos morcegos, trolls que nos despedaçam caso nos apanhem desprevenidos e até armadilhas que nos dão status bastante chatos. É um jogo que se acaba em menos de duas horas, mas as masmorras são geradas de forma procedural, logo o jogo será diferente de cada vez que o iniciaremos o que dá um grande valor de repetição. A jogabilidade é bastante divertida e bastante rápida para um jogo por turnos. Cada turno passa a cada acção que façamos (dar um passo, atacar, usar habilidade) e praticamente só paramos em bosses. Mas atenção que uma pequena distracção é meio caminho andando para uma morte certa. No que toca às classes gostei bastante de assassino,  mas no geral achei que as classes não têm balanço, e o jogo torna-se bastante fácil se for jogado com um herói que use ataques à distância. Os controlos são simples e o personagem só se movimenta em 4 direcções. Podemos utilizar o rato para movimentar o personagem ou os WSAD.

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No departamento gráfico podem contar com um estilo 16-bits e no geral bastante agradável. Os personagens só têm duas animações de movimento (para a esquerda e para a direita), os menus não são muito apelativos nem práticos, principalmente na escolha das habilidades (isto podia ser resolvido com uma simples barra de slots para as habilidades) e tanto os equipamentos como os inimigos repetem muito as sprites, variando apenas na cor. As melodias que acompanham a acção são bastante agradáveis, porém tornam-se repetitivas muito depressa.

Depois de terminar o jogo somos brindados com uma nova mansão e o custom game onde podemos criar as nossas próprias regras, alterando o tamanho e número dos pisos e dificuldade. Também temos direito a uma 5ª personagem, Necrodancer e é uma mistura de todas as outras classes.

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Como purista que sou no que toca à linguagem dos jogos, decidi jogar com o texto em Português, mas por algum motivo, grande parte do texto está em inglês, principalmente nomes de itens e descrição das habilidades. Um ponto engraçado são as frases aleatórias que alguns inimigos nos dizem, principalmente com o texto na nossa língua. Conseguem imaginar um morcego nos gritar frases sem sentido? Mesmo os ecrãs de Game Over têm frases bem engraçadas.

Fiquei totalmente viciado em Quest of Dungeons. Recomendo este jogo até para dispositivos móveis por ser simples, rápido e bastante divertido, tendo apenas os problemas que referi acima e que não estragam a experiência de jogo. Ainda por cima é uma pechincha, custando apenas 1.99€ nas versões mobile e 4.99€ nas restantes plataformas. Quest of Dungeons é um diamante bruto que depois de polido pode-se tornar num jogo de referência do género, e pelo crescimento tenho visto e com as versões 3DS e Wii U a caminho, acredito que isso venha a acontecer. Um jogo impressionante tendo em conta que foi criado por uma pessoa.