03 Set 2018
Análises

Análise – Project X Zone 2

Quando a Sega e a Capcom são levadas ao colo pela Nintendo, a Bandai Namco junta-se para dar uma força, de novo.

Não é fácil falar de Project X Zone 2 pelo simples facto de ver tanto personagem de tanto franchise abandonado ser reciclado e colocado neste jogo de forma aleatória e na maior parte dos casos ou missões, sem sequer ter um fio condutor ao estilo de jogo que é ou até à história em si. Mas como tenho esperança que muitos dos que fazem parte deste título sejam ressuscitados como foi o caso do novo integrante Ryo Hazuki, vejo esta sequela com bons olhos e até com bastante entusiasmo.

Project X Zone 2

Este jogo não se leva a si mesmo a sério porque os próprios personagens fazem pouco deles mesmos num tom humorístico típico de um Anime, e para alguns fãs de longa data, isto pode não ser levado de ânimo leve mas na verdade este jogo é uma paródia às diversas séries que aqui fazem o seu cameo. Os produtores do jogo não deitaram nada a perder e apesar de ser um pouco mais do mesmo que o primeiro título nos ofereceu, o serviço foi bem feito e merece toda a nossa atenção e dedicação.

A história é algo que já estávamos à espera. O que se faz quando se juntam dezenas de personagens de realidades e universos diferentes e que nada ou quase nada têm a ver uns com os outros? Fácil, todos se juntam para combater uma força maligna de uma dimensão paralela que converge com as dimensões de todos os personagens através de portais, e todos têm de se juntar para assim por um fim a esta ameaça. Ameaça essa que envolve tudo o que é inimigos e vilões de séries conceituadas da Capcom, Namco, Sega, Bandai e Nintendo. Imaginem por exemplo, robôs da série Space Channel 5 ao serviço de Pyron de Darkstalkers. Já estão curiosos o suficiente? Ainda bem.

Project X Zone 2

PXZ2 é um RPG táctico bem ao estilo de Shining Force e Final Fantasy Tactics e que não surpreende nem inova nesta matéria, mas que é competente como quase todos os jogos do género foram. O gameplay é simples e oferece tudo aquilo que podemos esperar deste tipo de jogo, posicionamento de personagens antes de cada combate, uso de skills e items para regenerar energia ou pontos de acção para ataques especiais, bónus de ataque, defesa, bloqueio e até de experiência. O combate é feito por escolhas dos ataques que queremos que cada personagem execute. Cada personagem possui ataques característicos dos jogos dos quais fazem parte e depois de seleccionados é só apreciar o festival de porrada que nos oferecem. O conceito é básico e as combinações possíveis a cada turno ainda mais básicas, oferecendo um pouco mais de interacção na batalha do que qualquer outro RPG táctico convencional. Vemos as mesmas sequências de combate centenas de vezes ao longo do jogo, mas o que se pode esperar de um RPG, não é? No campo de batalha movimentamo-nos de quadrado em quadrado ao estilo de xadrez e podemos interagir com o ambiente, destruíndo obstáculos, abrindo cofres e até posicionarmo-nos lado a lado com outros personagens criando combos entre eles de modo a despachar os inimigos mais depressa com ataques ainda mais devastadores.

O jogo desenrola-se em visão isométrica mas podemos alterar o ângulo e a distância da camera. As diferenças do primeiro jogo para este são quase nulas, destacam-se apenas o ataques especiais que são executados quando a nossa barra de experiência sobe aos 100% e solta-se uma série de golpes conjugados com uma animação que na minha opinião é sublime de se ver, mesmo que a tenhamos de repetir vezes sem conta ao longo das dezenas de capítulos que o jogo possui.

Project X Zone 2

Project X Zone 2

Visualmente não existem grandes novidades a apontar desde o primeiro capítulo da série. Noto que os cenários estão mais detalhados e o 3D mais bem renderizado e os movimentos de camera e acção dos personagens em combate estão mais fluídos. As musicas são características de cada personagem e das suas respectivas séries, tocando o tema mais emblemático de cada uma em jeito de remix orquestral quando assumimos o controlo da mesma.

Project X Zone 2

Tenho de admitir que se não fosse um jogo ao estilo de Marvel VS. Capcom, só num jogo deste género conseguiríamos ver tanto personagem de tanta série distinta junta. Nunca imaginei ver Chris Redfield a lutar contra monstros da série Xenoblade Chronicles num cenário que tem uma discoteca denominada de Sega Club senão aqui em Project X Zone 2, por exemplo. Apesar da inclusão de novos personagens como por exemplo Ryo Hazukide Shenmue,Axel de Streets of Rage ou até o eterno Segata Sanchiro a quantidade acaba por fazer perder o interesse no conceito muito rapidamente. O jogo não dá tempo para nos acostumarmos a um personagem até sermos bombardeados com mais 3 ou 4 novos que podemos usar no capítulo seguinte. Temos sempre aquela sensação de que temos muito mais em mãos do que aquilo que alguma vez pudéssemos querer deste jogo. Não acho que isso seja mau, mas também não vejo como um ponto tão positivo quanto isso.

Project X Zone 2

“Nunca imaginei ver Chris Redfield a lutar contra monstros da série Xenoblade Chronicles num cenário que tem uma discoteca denominada de Sega Club senão aqui em Project X Zone 2”

Outra componente fulcral no desenrolar das batalhas mais difíceis é a de podermos utilizar a experiência ganha para defender ataques dos inimigos ou contra-atacar de imediato, oferecendo um turno extra a cada contra-ataque. Isto é extremamente útil quando posicionamos mal um personagem ou temos a vida a menos de 20%. Nunca se esqueçam de equipar os vossos personagens e esturrar o dinheiro todo em poções para reviver e regenerar a vida a toda a equipa porque a partir do capítulo 10 a coisa começa a complicar, e muito. A parte boa é que a cada turno podem usar o número de poções que quiserem, podendo até regenerar uma equipa inteira com um só herói. Para terem noção do quão difícil o jogo é, se posicionarem mal os vossos personagens, um dos diversos bosses do jogo pode-vos limpar 5 heróis de uma só acentada com um único poder, e poder esse que pode ser normal ou especial.

Project X Zone 2 não é um dos candidatos a jogo do ano, mas está no top 10 dos jogos RPG mais improváveis de sempre, e sendo da Nintendo, só poderíamos esperar randomness ao mais puro estilo que só esta companhia nos consegue oferecer. Se não tiverem nada com que se entreter, comprem este jogo, se tiverem algo mais com que se entreter, comprem na mesma.

 

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