25 Ago 2018
Xbox One

Análise – PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS

O vencedor do melhor jogo online chega à plataforma da Microsoft.

PlayerUnknown’s Battlegrounds foi um jogo que realmente criou um nome por ele próprio muito rapidamente. Tendo sido lançado em early access em Março de 2017, rapidamente se tornou um jogo de eleição por diversas sub-comunidades na comunidade gamer, nomeadamente pelos streamers e criadores de conteúdo audiovisual.

O que parecia ser apenas fogo de vista acabou por se tornar um fenómeno, tendo ganho diversos prémios em 2017, nomeadamente o de melhor jogo online e melhor jogo PC.

Pessoalmente sempre fui reticente a este tipo de jogos, visto que o género não vem com um bom historial associado ao mesmo. Estou a falar obviamente do DayZ e H1Z1, que de certo modo foram jogos que passaram um pouco pela mesma fama que o PUBG está a passar neste momento, no entanto o problema é ambos terem “morrido” em fase de early access, desapontando fãs que gostariam de ver algo final a ser feito. O H1Z1 até estava a ser planeado para as consolas, mas foi posto em pausa até à data, para supostamente trabalhar na versão PC. E foi por isto, que no meu ponto de vista, o PUBG seria apenas mais um que seguiria o mesmo rumo.

Mas aparentemente não. A PUBG Corporation tem estado a trabalhar arduamente no jogo, sendo que o mesmo já saiu oficialmente para PC, no mesmo dia em que chegou à consola da Microsoft.

Uma questão que me veio à cabeça antes do jogo sair foi – se no PC o jogo ainda tem imensos problemas, mesmo com máquinas de topo, como é que o jogo se vai comportar na consola?

Bem, é por isso que aqui estamos.

Infelizmente não temos a oportunidade de o testar numa Xbox One X, visto a equipa não ter uma em mãos, mas ainda assim deu para termos uma ideia de como o jogo está.

Para quem não conhece, a premissa do jogo, é extremamente simples. O jogo é totalmente online, e lança 100 jogadores num mapa gigante, com diferentes regiões, e o objetivo é sobreviver até ao fim. Ao longo do jogo irão acontecer diversas coisas que irão “forçar” os jogadores a cruzarem-se, sendo uma delas a barreira, que vai fechando de tempo a tempo, e outra é as zonas vermelhas, que volta e meia vão bombardeando diferentes áreas do mapa, só para garantir que os jogadores estão acordados.

A mecânica é sólida em teoria, mas pode ser problemática em certos casos. Um desses casos é um jogador ter sorte e o centro da área marcada ser exatamente no seu lugar, pois assim ele apenas tem de se focar em encontrar o essencial para ficar vinte minutos parado no melhor sítio à espera que os outros jogadores corram na sua direção. É um caso hipotético que por vezes acontece demasiadas vezes, mas também dependente de muitos outros fatores, visto que o centro nunca é certo.

O jogador pode criar a sua própria personagem, embora o editor se limite a presets masculinos e femininos, sem possibilidade de entrar em grandes detalhes. Também podemos personalizar as vestimentas da nossa personagem, mas se quisermos mais terá de ser através de loot boxes, que são compradas com créditos ganhos a jogar. A cada 700 créditos podem abrir uma caixa que dará uma peça aleatória para a sua personagem.

Não vou negar que os primeiros dez minutos de jogo são os mais interessantes, porque todos os jogadores estão a correr por todo o lado à procura de armadura, armas, munições e kits de primeiros socorros. É também uma altura de grande tensão quando muitos jogadores se encontram na mesma região. E creio que é disto que vem a magia do jogo, sendo que a adrenalina no inicio e no fim do jogo é o que continua a atrair cada vez mais jogadores, mas pessoalmente, entre o início e o fim, se por acaso me conseguir manter vivo, é tempo que perco simplesmente a correr, esconder-me e correr mais um pouco. Se formos a por em equação o tempo de ação em cada sessão é uma percentagem muito pequena num total.

A experiência pode ser melhorada com amigos, sendo que das poucas vezes que realmente me senti entretido no jogo, foi a jogar com amigos, onde curiosamente passamos imenso tempo a falar e a criticar o mau e o potencial do jogo. O jogo permite-nos jogar num pelotão até quatro jogadores, seja com amigos ou com jogadores aleatórios. Podem também entrar num jogo de equipas a solo, se se sentirem confiantes em desafiar o mundo.

Tendo em conta que o produtor do jogo, Brendan Green começou a sua carreira com um mod do Arma 2, chamado DayZ, e a série Arma é feita de jogos com mapas gigantes, com muito terreno para percorrer, percebe-se que o jogo é feito para jogadores pacientes e que gostem de definir o seu plano de jogo para cada sessão. No entanto vejo isso extremamente limitado para um público mais abrangente.

Mas o problema em si não é a maneira como se joga, mas sim o desempenho do mesmo. O port do PUBG ainda está muito mal trabalhado, sendo que muitas vezes é impossível ter uma framerate acima dos 20 frames por segundo, o jogo tem problemas a carregar texturas e objetos, ao ponto em que um jogador salta do avião, aterra de para-quedas, anda cem metros e aparece-lhe uma casa a bloquear o caminho do nada. Chegou a haver casos em que havia uma textura carregada no meio de outras que ficaram por carregar, e isto perto do fim do jogo.

Tentar fazer pontaria e disparar para alguém em movimento é uma dor de cabeça por causa da irregularidade da framerate, mas uma das coisas que perturbava o jogo era o rubberbanding (problemas com o servidor em que o boneco tem “soluços” e volta uns passos atrás, porque o servidor não registou o movimento e atualizou o jogador para a ultima posição registada). E por fim, o HUD é demasiado subtil no ecrã do jogador (pelo menos para quem joga longe da televisão) e demasiado confuso no inventário, devido à transparência fazer interferência com o resto do jogo. Os menus ainda estão feitos a pensar no PC Gaming, onde as pessoas estão a menos de um metro do seu monitor, ao contrário das consolas, onde por vezes chegam a estar entre dois a três metros.

Tudo bem que o jogo ainda está publicitado como early access na Xbox One, mas não acho que cobrar 29.99€ por algo que se limita a ser um modo de jogo, com um mapa, sem nenhuma outra opção de jogo uma boa prática. Faria mais sentido terem lançado o jogo em Beta aberta, sendo que na consola o jogo por vezes parece que nem em Beta está, e depois de terem a versão nos trincos, aí sim, lança-la ao preço devido. Pessoalmente acho que, como está, o jogo chega a ser injogável e uma experiência pouco gratificante quando perdemos quase vinte minutos numa sessão e simplesmente perder devido a uma falha do jogo.

Em suma, PlayerUnknown’s Battlegrounds é um jogo que tem potencial para ser uma experiência engraçada na Xbox One, no entanto está longe de o ser, mesmo considerando que está em early access. A PUBG Coporation tem tudo no sítio para montar algo em condições, mas ainda estão a meses, isto se não for mais que um ano, de trabalho por fazer. Algo que parece que será sempre em segundo plano, visto que a grande popularidade e atenção do jogo vem da versão PC (tendo em conta que na própria capa do jogo, o mesmo é publicitado com a mensagem “Mais de 15 milhões de cópias vendidas no PC”, como se fosse de alguma relevância para a venda do jogo). Pessoalmente, acho que há duas hipóteses para o PUBG na Xbox:

  • O estúdio perde demasiado tempo a tentar ao máximo tudo para o jogo ficar perfeito, e ao fim de um ano e picos temos a versão perfeita do jogo, através de atualizações constantes, mas até lá já perdeu muitos fãs.
  • O estúdio, sendo pouco experiente com consolas, toma o caminho mais fácil e corta conteúdo da versão, sendo que o produto final vai ter muito menos coisas do que tem neste momento, podendo, ou não vir a melhorar o desempenho do jogo, e os jogadores acabam por ter menos conteúdo do que aquele pelo qual pagaram.

Se me pedissem a opinião neste momento sobre se o jogo é uma boa compra? Talvez sim, mas no PC. E se procuram uma experiência de last man standing nas consolas, existem concorrentes bons e sem falhas técnicas… e free-to-play.

A PUBG Coporation tem muito trabalho pela frente se não quiser desiludir os fãs nas consolas.

PS: Depois de rever a análise toda lembrei-me que não falei dos controlos, que são das coisas mais estranhas que já vi numa consola. Temos a opção de trocar entre primeira e terceira pessoa, mas a mira é sempre a primeira. Para por a mira o botão é um toggle e não um push, como estamos habituados a todos os FPS em consolas, e depois há certas incoerências como entrar num carro com o X, mas sair com o B.

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