Como não seria de esperar, temos mais um título exclusivo Sony de volta e desta vez é Patapon, juntando-se assim ao hypetrain de relançamentos como Parappa the Rapper e Locoroco.

Patapon foi um dos títulos exclusivos da PSP que me passou ao lado. Não pela falta de interesse em experimentar mas porque na altura a Sony apostava tanto na sua consola caseira como na portátil, e foi quase impossível ter tempo e dinheiro para jogar tudo. Longe vão esses tempos em que eramos bombardeados de jogos de qualidade de todos os lados a toda a hora, tanto pela Sony como pela Nintendo, PC, etc.  Hoje em dia recebemos 2 ou 3 grandes títulos por mês e acabam por pertencer muitas das vezes à PS4 e Xbox One.

A permissa é muito simples. A tribo Patapon era uma tribo em crescimento até à chegada do império Zigoton. Nós como jogador, assumimos o papel de deus e temos de guiar este povo até Earthend e assim ajudá-los a recuperar a sua terra.

A arte do jogo é toda ela muito básica e as suas cores contrastantes são o brilho deste jogo. O conceito lembra um estilo de desenho infantil e primário mas que funciona perfeitamente. Acredito que se fosse feito de uma forma mais séria e madura, este jogo cairía no esquecimento num instante. Todo o jogo se desenrola em 2D sidescroll e os níveis têm uma duração entre 3 a 8 minutos cada. No entanto, não pensem que este é um jogo breve, pois terão de repetir níveis vezes sem conta. E isso é óptimo em Patapon, pois cada nível tem muito para oferecer de cada vez que o passamos , desde novos inimigos, objectos e armas secretas, etc.

Como qualquer jogo rítmico que se preze, a originalidade tem de ser imperativa, senão a formula cai em desuso e o conceito perde o seu interesse. Podemos dizer que Patapon segue as pisadas de jogos como Parappa the Rapper, Um Jammer Lammy ou até Vib Ribbon, mas não segue só pisadas, cria o seu próprio estilo dentro de um género único.

Em Patapon, tudo é controlado ao ritmo de musicas tribalistas muito catchy constituidas essencialmente por cânticos, didgeridoos e sintetizadores. E claro, a bateria somos nós, o motor e a força do povo Patapon.

Cada tecla tem a sua função e corresponde a uma batida diferente. Seguindo determinadas sequências, podemos atacar, defender, avançar no campo de jogo e invocar ataques especiais. Ao longo dos vários níveis vamos atacando animais selvagens para angariar mantimentos, destruíndo objectos do cenário para criar novo armamento e claro, arrasando com todos os Zigoton e outras forças malignas que nos aparecem pelo caminho.

Ao dar início a uma sequência rítmica, os Patapon invocam essa mesma sequência mas em cântico, criando assim uma ponte na  música que não podemos quebrar. Ao manter a música em compasso vamos aumentando o nosso combo e podemos desbloquear o modo fever que oferece boost aos nossos personagens, tornando-nos implacáveis perante os nossos adversários.

O que destaca este jogo de qualquer outro jogo rítmico é o facto de podermos aumentar o nosso exército de Patapons, criando arqueiros, lanceiros, espadachins, entre outros. Também podemos criar Patapons lendários com a combinação de diferentes mantimentos que angariamos de bosses que derrotamos e de mini-jogos que desbloqueamos ao longo da nossa jornada.

O único ponto negativo que encontrei em todo o jogo foi exactamente o mesmo que se mantém presente em Parappa the Rapper. As teclas estão fora de tempo por meras milésimas de segundo. Mesmo usando o comando com cabo ou até outro comando, o problema persiste. Felizmente este jogo é bom demais para que este problema nos afaste, mas para quem é um perfeccionista no metrónomo, este problema poderá comprometer a experiência deste fantástico título.

Uma vez mais a Sony nos oferece um título que desde 2007 até então foi um exclusivo da PSP. Apesar dos gráficos adaptados aos dias de hoje, Patapon mantém-se intocável em termos de conteúdo. Sem dúvida alguma uma compra obrigatória a quem nunca jogou este excelente jogo.