25 Ago 2018
Switch

Análise – Octopath Traveler

Um épico prometido pela Square, mas será que é mesmo épico?


Ao longo dos anos, a Square Enix têm-nos habituado a fantástico RPGs. Ultimamente a sua galinha dos ovos de ouro tem dado algumas desilusões mas felizmente a Square tem compensado com novos IPs dentro do género. Um deles foi Bravely Default na 3DS, que até gerou uma sequela de igual qualidade. Desta vez chega-nos Octopath Traveler na Switch, um dos Jogos mais aguardados pelos fãs do género.

Desde que foi anunciado que me chamou a atenção e até joguei as duas demos que a Nintendo disponibilizou. O hype era enorme, e o jogo acabou por não desiludir.

Octopath Traveler trata-se de um RPG por turnos, muito ao estilo clássico. O seu visual e pixelizado, utilizado spites mas com um efeito 2.5D, fazendo lembrar aqueles cenários de papel que faziamos na escola em miúdos. Neste jogo seguimos a jornada de 8 personagens, todos diferentes e com diferentes motivações, que acabam por verem os seus destinos cruzados. No inicio podemos escolher qualquer um dos 8, mas no ao longo da aventura iremos encontrar os restantes. Cada vez que encontramos um novo personagem, podemos ver a sua história de origem. Para além de serem diferentes em personalidade, também são muito diferentes em combate, cada um com a sua classe distinta. Mas antes de falar sobre as classes, vou explicar um pouco como funciona o sistema de combate.

Pora quem está habituado a JRPGS, não terá grandes dificuldades a entrar em Octopath, pois o núcleo e de um RPG clássico: escolher as acções com base nos inimigos e na ordem de acção dos personagens, subir de nível com a experiência adquirida, etc… O twist aqui é a possibilidade de utilizar BP para aumentar a força dos ataques. No inicio de cada turno será atribuído um BP (Battle Point) a cada personagem, BP esse que poderá ser utilizado por aumentar a quantidade de ataques físicos que se podem executar por turno, ou aumentar o dano das magias e habilidades. O jogo também nos obriga a explorar as fraquesas dos inimigos. Cada inimigo tem um escudo que podemos partir por cada vez que exploramos as suas fraquezas. Assim que partimos o último, fica atordoado durante um turno e recebe dano acrescido durante esse período. No final de cada batalha, para além de recebermos experiência para aumentar o nível, também recebemos job points, que podemos utilizar para aprender novas habilidades. Ao longo da nossa jornada iremos encontrar altares com “classes” que podemos equipar nos personagens, assim sendo, podemos conjugar classes para nos facilitar a vida.

Fora da batalha, cada um dos personagens tem uma habilidade que pode ser utilizada com os NPCs, seja para combater contra eles, comprar itens exclusivos, recolher informações úteis e até mesmo recrutar-los por nos ajudarem em combate. O sistema de progressão no jogo é também bastante típico do género: explorar diferentes mapas cheios de tesouros e inimigos que vão aparecendo de forma aleatória, diferentes vilas e cidades repletas de equipamentos para comprar e NPCs com informações úteis e até mesmo quests secundárias. O combate consegue ser clássico o suficiente para agarrar os veteranos do género, e os “twists” conseguem apelar aos novatos.

O visual pixelizado 2.5D dá um charme tremendo ao Jogo. Os cenários são fantásticos assim como os personagens. A arte geral do jogo é bastante agradavel e até mesmo o design nos menus é apelativo. A única critica que tenho de fazer neste departamento é sobre os sprites em batalha. Os nossos personagens em batalha continuam com o mesmo aspeto, mas os inimigos têm sprites muito maiores e mais detalhados. Compreendo que seja desta forma para relembrar os primórdios do género, mas sprites mais detalhados nas batalhas teriam sido uma excelente adição. Para para juntar ao fantastico visual, temos efeitos sonoros e melodias de cortar a respiração. As músicas assentam na narrativa que nem uma luva e o voice acting também ajuda nesse aspeto, mas o que mais me impressionou foram os efeitos sonoros aliados aos efeitos proporcionados pelo HD Rumble. Por isso, simples acções como abrir uma porta ou comprar algo na loja, são “sentidas” pelo jogador.

Mas o grande foco do jogo é a história, mais propriamente as suas 8, e é este ponto que me deixou com uma opinião bastante mista. Cada personagem tem a sua história, e a progressão está dividida por capítulos. Mas estes capítulos não são comuns a todos os personagens, cada um tem o seu capitulo 1, 2 e por aí fora. Até aqui não me incomodava, o grande problema é que enquanto estamos a fazer o capítulo de determinado personagem, os outros tornam-se completamente invisíveis, e a única interacção possível entre os personagens são pequenas falas que podem ser activadas caso existem determinados personagens presentes na equipa. Talvez sou eu que estou mal habituado aos últimos 20 anos de histórias fantásticas produzidas pela Square, em que havia o cuidado de criar uma história que se ia moldando aos personagens presentes. Lembram-se de Final Fantasy VI? O cast era gigantesco e eles “estavam lá”, interagiam com a história principal mesmo que não fossem relevantes para a mesma. Em Octopath Traveler, mesmo com um cast de 8 personagens, durante a história sinto que apenas estou a jogar com um personagem.

Ignorando esse facto, as histórias são fantásticas e cativantes, fazendo-me sempre querer ficar mais forte para conseguir progredir nas mesmas. Algumas batalhas da história conseguem ser bastante difíceis e convém evoluir todos os personagens para estarmos preparados para todas as histórias, pois obviamente temos que ter na equipa o personagem correspondente ao capítulo.

Octopath Traveler
9 / 10 Pontuação
Resumo
No geral, Octopath Traveler é um excelente JRPG, e nesta altura da vida da consola, o melhor RPG Old School que podem encontrar na Switch. Tem um sistema de combate bastante divertido, com excelentes mecânicas dentro e fora de combate, excelentes histórias para explorar e situações bastante desafiantes que vão empolgar os mais acérrimos fãs do género. Octopath Traveler é um jogo bastante completo e que vos vai colar à consola durante umas boas dezenas de horas.
Rating9

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