Será mesmo uma Utopia de Miis?

Em 2014 fomos surpreendidos por Tomodachi Life, um jogo que tal como a série The Sims, simula vidas. Neste caso simulava a vida de Miis, os avatares que a Nintendo adotou. 3 anos depois os Miis ganham uma nova aventura, desta vez num RPG, com Miitopia. 

Como manda a lei dos RPGs por turnos, nós somos o herói encarregue de salvar uma vila de uma ameaça eminente. Neste casso essa ameaça é nada mais nada menos que… alguém que nós quisermos, assim como todo o cast do jogo. Heróis, vilões, figurantes, todos os personagens do jogo podem ser personalizados a nosso gosto. Podemos escolher Miis de amigos nossos, criar novos ou utilizar alguns que se encontram na base de dados. Mas voltando ao plot, um Dark Lord anda a roubar o rosto dos habitantes do reino e somos nós que com a ajuda dos nossos companheiros que temos que percorrer Miitopia e tentar parar o vilão.

O mapa do jogo é simples, sendo uma vista geral de cada zona do reino, onde podemos entrar em várias secções, um pouco ao estilo do mapa que nos foi apresentado em Super Mario Bros. 3. Cada secção pode ter vários caminhos, tesouros e inimigos. No final existe sempre um Inn que serve como checkpoint. Os Inns são interessantes e não servem só para descansar. É aqui onde vamos melhorar o nosso equipamento, aumentar atributos e fazer amizades entre companheiros. Cada um dos membros da equipa vai-nos pedir dinheiro para comprar arma, roupa ou um item para recuperar saúde ou magia e por vezes acaba por gastar esse dinheiro noutra coisa que não queria a início. Foi chato com o meu colega Louie Pacheco, o sacerdote da equipa que me pediu dinheiro para comprar uma arma e acabou por gastar o dinheiro numa banana… Podemos também dar comida aos personagens para lhes aumentar os atributos e mesmo este pormenor me conseguiu fazer soltar algumas gargalhadas, pois por coincidência muitos dos Miis que representam os meus amigos na vida real, gostam e odeiam as mesmas comidas dentro do jogo. No Inn podemos também participar num jogo da roleta ou de pedra/papel/tesoura para angariar algum dinheiro ou outros brindes que serão úteis para a nossa jornada.

O combate é bom mas deixa-me com um sabor amargo na boca, pois quase todas as ações são automatizadas. Apenas podemos controlar o herói, utilizar itens especiais e colocar personagens em local seguro. As relações entre os personagens ajudam em muito, pois eles querem impressionar e ajudar as pessoas que lhes são mais próximas e isto aliado ao facto do meu heróis estar bastante evoluído, faz com que eu tenha sempre o jogo em automático. Não me interpretem mal, não deixa de ser um bom jogo por isso, mas para quem procura um RPG desafiante, pode achar este bastante aborrecido. No entanto, é ótimo para quem nunca jogou um jogo do género, e quer apenas desfrutar de um bom bocado. Outro ponto interessante é mais uma vez, os laços dos personagens. Quanto maior foi a sua amizade, maior vai ser o seu grau de cooperação nos combates e esses mesmos laços vão-se fortificando quando estes se ajudam em batalha.

Os cenários são lindíssimos mas os designs dos equipamentos dos personagens e dos inimigos são bastante bizarros, o que só frisa mais o facto deste jogo ter sido pensado num público um pouco diferente do que está habituado a jogar RPGs. A música acompanha bem essa vibe silly que o jogo nos dá e raio das músicas, ficam mesmo na cabeça…

Apesar de não me oferecer grande desafio e a história não ser nada interessante, fiquei completamente viciado no jogo, só avançando de áreas quando abrisse todos os caminhos da anterior e tentando ganhar o máximo de medalhas (resgatar x caras, matar x inimigos, chegar a x nível, etc…).

O jogo proporciona-nos momentos bastante engraçados, não pela ação em si mas por vermos os nossos amigos a interagirem numa aventura medieval. Quando mais amigos tivermos registados na consola, melhor, pois infelizmente eu só tenho cerca de 15 e grande parte do cast era personagens da cultura pop que por algum motivo tiveram os seus Miis registados na minha 3DS.