Se este jogo tivesse passado pela triagem de um Kickstarter, aposto que não teria saído tão bem como saiu.

Mighty Gunvolt Burst interliga Beck, o protagonista de Might No.9 com Gunvolt, o protagonista de Azure Striker Gunvolt e passa-se após a última aventura de cada um deles. Independentemente do personagem que escolhamos, o jogo é basicamente o mesmo. Apenas o especiais de cada personagem são diferentes, o que seria de esperar, sendo que ambos são tão característicos. Outra diferença de um gameplay para o outro são as breves partes do plot do jogo que se entrelaçam quando Beck tem de ajudar Gunvolt e vice-versa. Mas muito sinceramente…quando temos em mãos um puro Megaman feito pelo seu criador original, queremos mesmo saber da história? Claro que não.

O jogo vem repartido por diversas fases de escolha aleatória, e cada fase tem o seu boss. Boss esse que para ser derrotado convém que façamos upgrade aos elementos das nossas armas para contrastar e anular o elemento ou característica dele. Até aqui nada de novo e penso que dispensa qualquer tipo de apresentações. Megaman está de volta e não em nome próprio.

Os sprites e toda a acção se passa em 8bits recriando os tempos áureos da NES e da carreira de Inafune. Todo o jogo é um ode ao que a Capcom fazia de melhor nos anos 80 e apesar de ter sido lançado em 2017, nunca nos iremos cansar desta arte de bem fazer um videjogo, por mais rudimentar que aparente ser.

As músicas e os efeitos sonoros são todos em chiptune e apesar de encaixarem que nem uma luva, infelizmente não vão ficar na memória, apenas cumprem o seu dever. O gameplay é muito mais fluído que aquilo que estávamos habituados durante a saga de X, e oferece um replay value enorme, bem como outras modernices. Podemos repetir as fases vezes sem conta para obter mais créditos e aumentar a performance do nosso personagem, também podemos adquirir ítens secretos e raros que vão desde novos poderes a stickers para coleccionar.

Dois elementos novos neste género de jogo é a customização dos nossos ataques, podendo escolher até 24 slots onde em cada slot adicionamos uma arma feita à medida daquilo que queremos. Podemos modificar o tipo de bala, a quantidade que disparamos, a forma como disparamos e até o tamanho e velocidade dos nossos tiros, tudo isto para nos ajudar na aventura e incentivar ao speedrun. Outra modernice que já não podia faltar é a secção de Challenges, onde durante todo o jogo vamos cumprindo objectivos (alguns sem nos apercebermos) que vão desde finalizar fases sem levar dano até adquirir todos os ítens raros de todos os níveis. Preparem-se que têm aqui um jogo para muitas e longas horas.

Posso afirmar que este é o jogo que Keiji Inafune quis trazer durante o seu Kickstarter de Mighty No.9 mas, ou teve medo de o fazer porque achou que os seus fãs já não viviam no passado ou achou que iria revolucionar o mundo dos videojogos com um jogo que já nem impressionaria se tivesse sido lançado na era da Playstation 2. Este é o Mighty No.9 que eu gostaria de ter jogado de início e não aquilo que joguei na PS4. Para melhorar, tem um dos melhores franchises do catálogo da Inti Creates incluído em género de mash-up, como Azure Striker Gunvolt.

Se já jogaram o crossover de Street Fighter X Megaman e gostaram, então preparem-se que a formula aqui é quase a mesma. O gameplay é uma cópia autêntica de Megaman, ou se me permitem dizer, um plágio de si mesmo. E tenho de ter muito cuidado com o que digo quando invoco o nome Megaman, não venha de lá a Crapcom com um Super Mega Hyper Processo em Tribunal Turbo HD Remix 2.1 Ex Plus Alpha.

Mighty Gunvolt Burst é uma aventura portátil a preço low-budget que vos vai deixar agarrados durante dias e dias a fio. Um título essencial a juntar à já ínfima colecção da Nintendo.