O que antes foi um título que entrou completamente despercebido no mundo dos videojogos e causou um impacto tremendo, agora é uma série cujas expectativas estão bem lá no alto.

Em Middle-Earth: Shadow of War, voltamos a controlar o herói caído Talion e Celebrimbor num só, enquanto continuamos a incessante tarefa de purificar e libertar Mordor das garras de Sauron.

Se em Shadow of Mordor, os produtores já nos tinham presenteado com um mapa de Mordor gigante e completamente explorável, em Shadow of War foram muito além disso. Não só descobrimos cinco novas zonas como desta vez lideramos os nossos próprios exércitos para conquistá-las e mantê-las em ordem, com a ajuda de inúmeros aliados e criaturas retirados do vastíssimo compendium de J. R. R. Tolkien.

A história de Shadow of War pega onde Shadow of Mordor largou. Talion continua em busca de vingança e Celebrimbor em buscar de um futuro mais brilhante e pacífico para as Terras-Médias. Enquanto prosseguem na sua busca por Sauron para por fim ao seu reinado, este vai-se fortalecendo cada vez mais, aumentando o seu exército de orcs e Nazgûl.

Nesta aventura contamos com mais aliados mas também com mais inimigos que nunca. E para piorar, são mais, são maiores e ainda mais vís que os que derrotámos no último título.

 

Tudo começa em Minas Ithil, quando nos deparamos com uma guerra entre o povo de Gondor e os orcs. Decidimos intervir e aliar forças ao general Castamir, à sua filha Idril e ao capitão Baranor de modo a repelir as forças negras de Sauron daquela região. No entanto, apesar desta guerra infindável, Talion descobre que Mordor esconde muito mais que aquilo que a sua vingança pessoal o deixa ver. Ao cruzar-se com Shelob e Carnán, duas figuras místicas e enigmáticas, descobre que no final de contas é apenas um peão num jogo de xadrez que começou muito antes de Sauron e da criação dos aneis.

Sem sombra de dúvidas que esta história é digna de um grande ecrã. Está tão rica em conteúdo e tão recheada de plot twists que aposto que deixaria Sir Tolkien de peito cheio de orgulho.

Como não é só de história que se faz um jogo, pode-se dizer que esta é uma sequela em grande e como a Warner Bros sabe fazer e bem. A juntar a Talion está um quase infinito leque de novidades. Não poderei detalhar todas elas senão esta análise passaria a ser um guia de estratégia, mas farei o meu melhor para vos deixar de água na boca.

Finalmente conseguimos explorar um mapa inteiro em uma questão de segundos graças a uma novidade que faz falta em todos os open world,  o Elven Sprint. Com esta habilidade, podemos correr a uma velocidade de fazer inveja a ouriços azuis e com isso conseguimos varrer um outpost de orcs inteiro em minutos, adquirir coleccionáveis num piscar de olhos e ir de objectivo A a B sem precisar de recorrer constantemente a fast travels, a não ser quando queremos mudar de zona.

Graficamente notam-se melhorias no detalhe dos personagens, texturas, armamento e efeitos especiais. A nova engine Monolith Firebird, nao nos oferece apenas detalhe mas também um aumento significativo nas unidades que batalham em simultâneo. Por vezes perco-me no meio da guerra com tantos inimigos encima de mim e por incrível que pareça, nunca experiênciei um único frame drop.  Mas como nem tudo é perfeito, infelizmente as expressões faciais nao me surpreenderam.  Estão muito fracas, e por vezes parece que estamos a falar com alguém que levou com 2 quilos de Botox em cada bochecha. A expressividade é quase nula e as emoções que transparecem no dialecto dos personagens não se conseguem ler na cara dos mesmos. Parecem todos muito amorfos. Mas consigo entender que num jogo tao massivo, temos de tirar de um lado para por no outro. Este é um dos poucos jogos em que quantidade compensa a qualidade (a que já nos habituou à muito).

A adicionar a uruks, graugs, caragors e ghouls temos também aranhas, drakes e ologs. Estas adições vêm oferecer novas funcionalidades nas mecânicas de jogo e enriquecer esta sequela com novos métodos de estratégia e combate. Para além de cavalgar, correr e saltar, agora podemos voar livremente por todo o mapa e arrasar tudo à nossa volta com fogo e fúria, isto claro, se tivermos a sorte e perícia de caçar um drake.

A skill tree de Talion é enorme e mesmo após o fim do jogo, temos ainda que palmear muito terreno para conseguir desbloquear tudo. Cada skill oferece entre duas a três possíveis combinações e durante todo o jogo estamos sempre a descobrir um approach novo e diferente de interpelar o nosso inimigo.

O que também mantém este jogo fresco e cativante é o facto de estarmos constantemente a dominar novos capitães e chefes de guerra de raças diferentes para o nosso exército. Esta simbiose ajuda-nos a fortalecer o nosso exército podendo ter até 4 raças diferentes numa só força militar.

Os únicos pontos negativos que tenho a apontar a Shadow of War, para além das expressões faciais, resumem-se ao modo de combate. Ao início é muito giro ver e ouvir as introduções das centenas de capitães com que nos cruzamos. Alguns cantam, outros ameaçam esventrar-nos de todas as formas e feitios e alguns até gostavam de nos ter em suas casas a decorar as paredes da sala com as nossas tripas. Até aí tudo bem. Estou nessa. Mas depois de ouvir a mesma lenga-lenga mais de 200 vezes ao longo de 50 horas, já estamos pelos cabelos e quase que pedimos para que nos matem rápido para ver se os deixamos de ouvir de uma vez por todas. Acho que devia de haver uma opção para fazer skip às introduções. Digo eu. Já o último defeito era bastante escusado. Acabarem com o nosso friendly fire, mas só o nosso, porque os nossos aliados não nos conseguem provocar dano. Muitas vezes queria dominar um capitão e acabava por bater num orc do meu exército por engano. Uma vez até fiz com que um capitão me traísse e deixasse o meu exército por lhe ter dado uma carga de porrada. Se calhar é porque até merecia, pois no final lá tive de o matar por se recusar a juntar-se a mim de novo.

Por vezes sentimo-nos aliciados a querer matar orcs lendários ou épicos em vez de os dominar para se juntarem a nós. E isto porque ao matá-los, eles deixam para trás armas ou armaduras lendárias que podemos equipar, destruír para ganhar Mirian e assim comprar mais armamentos e orcs para a nossa milícia em forma de loot boxes. Podemos também usar dinheiro real, mas não compensa de todo.

Posto isto, Middle-Earth: Shadow of War é o seguimento à altura de uma série que promete não ficar por aqui e que deixa a pairar no ar que nos pode oferecer muito mais a cada título. É esperar para ver, e de momento fiquei a pedir por mais.

Num ano carregadinho de possíveis jogos do ano, é muito difícil dizer que este jogo foi o melhor que joguei em 2017. No entanto, é sem qualquer sombra de dúvida (não de guerra), o melhor e maior jogo da saga de O Senhor dos Anéis alguma vez criado até hoje.