25 Ago 2018
Análises

Análise – Metroid: Samus Returns

Mais um título colossal que vem mostrar a magnitude da Nintendo, no mesmo ano em que lança uma consola nova e um forte candidato a melhor jogo de sempre.

Desde a era do Game Boy Advance que a Nintendo não nos presenteava com um Metroid em 2D, e desta vez, para se manter actual, decidiu oferecer um “novo” jogo em 2.5.D.

Na realidade, de novo este jogo tem pouco, pois trata-se de um remake do original no Game Boy na altura em que ainda se discutia o sexo de Samus Aran, lá para o início dos anos 90. Lembro-me também que não existiam ainda muitas heroínas dos videojogos, apenas Samus, Valkyrie da Capcom e pouco mais que isso. Também ainda não existia o termo Metroidvania, pois Castlevania, apesar de já ir no seu 4º título (lançado com poucos dias de diferença de Metroid II), ainda era uma série de jogos muito linear.

Metroid II foi um passo em frente nas capacidades de criação de jogos para o Game Boy. Conseguindo obter gráficos 8bit muito bons para o hardware da consola aliados a uma jogabilidade melhorada em relação ao seu título original. No entanto, apesar de ter sido um jogo bem recebido, deixou um pouco a desejar por ser considerado mais fraco e menos vistoso que o primeiro título da NES.

Muitos anos depois, em Agosto de 2016, surgiu na internet um remake não oficial feito por Milton Guasti, um fã da série, que o apelidou de AM2R, Another Metroid 2 Remake. Este remake consistia em reaproveitar elementos da sequela Super Metroid e implementar mecânicas de um outro remake (desta vez oficial) do primeiro Metroid, Metroid: Zero Mission. Este título não oficial foi disponibilizado gratuitamente e a Nintendo logo de seguida ordenou que removessem o jogo, ameaçando com uma ordem judicial.

Pouco tempo depois, a própria Nintendo vem a público anunciar o lançamento desse mesmo título mas promovendo um jogo completamente diferente a nível visual,mantendo a mesma fórmula. Este novo título é feito pela MercurySteam, a mesma companhia que já nos trouxe um outro Metroidvania para a Nintendo 3DS, Castlevania: Lords of Shadow 2: Mirror of Fate.

Nos primeiro minutos de jogos, apercebi-me que os gráficos e os modelos 3D eram-me muito familiares. Já tinha visto isto em algum lado, e foi aí que me lembrei deste estúdio espanhol. Fico contente que esta pequena companhia tenha ficado com a tarefa de nos trazer de volta este clássico, mas pessoalmente, gostava muito mais que a Nintendo desse uma oportunidade a Milton Guasti e que incorporasse ambos os jogos num só pacote. Seria um fan service fantástico e uma mais-valia para a Nintendo. Pois quem sabe, poderia Milton vir a trabalhar em outros remakes e voltar a impulsionar inúmeros títulos clássicos já quase esquecidos no ínfimo catálogo deste colosso nipónico.

Esta nova aventura de Samus Aran é tão simples como a do primeiro jogo. Após a nossa protagonista destruír os planos dos piratas do espaço, querendo estes apoderar-se dos Metroids para  extrair a sua energia e sugar toda a vida do espaço. Samus é enviada para o planeta SR388, com a missão de exterminar toda a vida extraterreste e por fim à raça Metroid de uma vez por todas.

Ao início de jogo não pude deixar de reparar num grande defeito e numa melhoria em relação ao original. Não gosto do facto de só conseguirmos controlar Samus com o analógico e não com o d-pad. Para este típo de jogo, é obrigatório o uso de direccionais, para melhor precisão de movimentos, essencialmente quando temos dezenas de plataformas minúsculas a alcançar e centenas de perigos a desviar.Muitas das vezes queria-me agachar para atacar um inimigo e acabava por sofrer dano desnecessáriamente porque o analógico não assumia a acção de agachar e caminhava em frente. No entanto, algo que gostei de ver foi o uso de parry/counter quando um inimigo está prestas a vir contra nós com toda a força. Ao aplicar parry instantes antes do seu ataque, conseguimos atordoá-lo e isso facilita bastante o combate contra inimigos maiores.

Todos os movimentos clássicos de Samus Aran estão presentes bem como as suas armas padrão. Temos o já icónico lança-mísseis, a granada em forma de bola e claro, o essencial Screw Attack. Para além de outros upgrades e variantes de granadas e mísseis que temos de adquirir de forma a abrir novas portas e prosseguir na história. Temos também novos fatos que ajudam Samus a ultrapassar condições atmosféricas mortais ou até alcançar locais que sem eles a nossa heroína nunca conseguiria.

A MercurySteam fez um bom trabalho com o modelo de Samus acrescentando um toque feminino bastante subtil à sua movimentação, caracterizando mais o seu lado humano. Os gráficos apesar de estarem bem conseguidos, não fascinam nem mostram nada de novo. Apenas compete com a sua função de transportar Metroid II para o 2.5D. E esse 2.5D podia beneficar um pouco mais de detalhe, menos motion blur, para tornar o ambiente mais orgânico e não tão poligonal. Já vi gráficos melhores nesta consola, e acredito que este pequeno estúdio espanhol seja capaz de muito mais que isto.

De uma coisa tenho toda a certeza. De Castlevania: Lords of Shadow: Mirror of Fate para Metroid: Samus Returns, o salto visual é notório, mas infelizmente está um pouco aquém dos padrões de hoje em dia. No entanto, este título torna-se imprescindível quando sabemos que a formula toda se mantém intacta. Nada do que fez esta série brilhar foi retirado, apenas adicionaram os elementos essenciais que fizeram esta saga em sidescroll brilhar com todo o seu charme, e esse facto por si só já é uma vitória para a MercurySteam.

O jogo tem à vontade mais de 12 horas de exploração e entretenimento, contando que não façam uso de um upgrade que permite desbloquear todo o mapa, porque senão estão a retirar a importância toda a esta aventura.

Metroid: Samus Returns tem o maior mapa que já existiu nesta série (sidescroll apenas), e para além das centenas de inimigos que nos fazem a vida negra, os bosses em forma de Metroid que vamos encontrar, vão crescendo, ganhando novas habilidades e tornando-se cada vez mais mortíferos. E se isto tudo não chegasse para dificultar a vida a Samus, temos também um robô gigante que volta e meia aparece para nos dificultar ainda mais a nossa missão.

Em matéria gráfica, apesar de já saberem a minha opinião em relação aos modelos 3D, tenho de admitir que os cenários estão muito bem decorados. Gostei bastante da forma como foram preenchendo as diferentes zonas com elementos originais  e temáticos, com monstros mortos que se avistam ao fundo, construções em ruínas que mostram caminhos que há muito que não são explorados, e até casulos ou ninhos que passam a mensagem de que há um boss a habitar o local.

A banda sonora também está ao nível do que de melhor se faz na Nintendo e todas as diferentes melodias  alternam entre si de zona para zona, oferecendo uma envolvência atmosférica idêntica ao que sentimos quando jogámos Super Metroid pela primeira vez. Simplesmente divinal.

Metroid: Samus Returns é o Metroid que já todos temos mas que queremos de novo. É o regresso de uma série que nunca se foi embora e que nunca perdeu o seu brilho. Quererá isto dizer que a Nintendo se prepara para produzir um novo título da saga com jogabilidade clássica? Não sabemos. Sabemos apenas que será tão bem vindo como este jogo já o é.

 

 

Também te pode interessar