Será este título mais um jogo a passar despercebido, ou será que veio fazer a diferença?

Matterfall é um jogo que não deu muito nas vistas, tendo sido lançado por uma companhia que já anda no mundo dos videojogos há décadas mas que só com Resogun é que parece ter ganho a atenção e o respeito da comunidade. Essa companhia é a Housemarque, famosa pelo clássico Super Stardust e suas subsequentes remasterizações, remakes e reimaginações. E claro, por Resogun que é um excelente título e foi uma boa aposta no lançamento da Playstation 4.

No entanto, estou aqui para vos falar da nova aventura deste estúdio que aparenta ter trazido muita arte conceitual emprestada de Resogun. Apesar de Matterfall ter muito sci-fi e tiros à mistura, não é um shoot ‘em up mas sim um shooter side-scroller bem ao estilo de clássicos como Turrican, Contra e Metroid.

Em Matterfall controlamos Avalon Darrow, uma heroína que com a sua armadura e armamento bélico tem como missão neutralizar a matéria alienígena que se apoderou do seu mundo. E onde já vimos isto acontecer? Pois bem, vamos antes ao que interessa, porque num jogo quase arcade, a história pouco ou nada interessa.

Como vos disse, este jogo é quase todo arcade mas disfarçado de jogo de acção actual para justificar o replay value. Ou seja, é um jogo curto com 12 fases rápidas, 3 bosses, 4 dificuldades diferentes e um leaderboard global para aqueles que querem mostrar que são os maiores.

Sou suspeito para falar de qualquer coisa sci-fi, visto que é um estilo que desprezo ou que pelo menos pouco ou nada me interessa, mas em Matterfall, ignorei este factor porque o jogo é diversão garantida. Uma jogabilidade rápida, que testa os nossos reflexos a todo o instante, seja em que dificuldade for e que nos oferece melhorias de armamento e equipamento que nos dão vontade de voltar a repetir os níveis vezes sem conta.

O único defeito do jogo prende-se aos controlos. Nunca gostei de dual stick shooters. Acho estes controlos muito estranhos para um jogo deste calibre. A precisão do disparo é sem dúvida o factor mais determinante nesta experiência e devíamos de poder configurar os controlos livremente.

É muito estranho para mim jogar um jogo destes saltando no R1, disparando no analógico direito e fazendo dash no L1. Custou-me muito a habituar-me e apesar de ter terminado o jogo nas primeiras 3 dificuldades, ainda assim não fiquei satisfeito, podia ter feito melhor com os controlos à minha maneira.

No entanto, os poderes que temos à nossa disposição são interessantes. Ao fazer dash congelamos os inimigos e tornamo-nos invencíveis por breves fracções de segundo. Possuímos também um jato de matéria que activa plataformas e resgata civís. Civís esses que são essenciais para a nossa missão, oferecendo novas armas e melhorias no armamamento e nos nossos poderes.

Como já tinha referido, a arte é toda ela high tech. Os cenários e a música lembram muito o universo Mass Effect e a música techno encaixa perfeitamente na acção. Sintetizadores sofisticados e harmonias pujantes que lembram clássicos shoot ‘em ups das arcades dos anos 90 aliados a uma jogabilidade cadênciada torna Matterfall numa bela surpresa.

Infelizmente a longevidade deste jogo, mesmo aperfeiçoando a técnica de o acabar nas 4 diferentes dificuldades, fazem-no durar no máximo dos máximos umas 10 horas. Mas também não tenho qualquer problema com isso, pois o jogo saiu em formato físico por menos de 20€ e num final de ano promissor. Ou seja, é um excelente jogo para nos entreter até que os colossos de natal cheguem.