Mario e Luigi regressam à 3DS numa velha aventura mas de cara lavada.

Já falei anteriormente de Mario & Luigi: Superstar Saga, e já nessa altura era um dos meus RPG’s favoritos de sempre. Vibrei quando este remake foi anunciado durante a E3 2017 e cá estou eu, a terminar mais uma vez esta verdadeira pérola. Quem me conhece sabe que não sou grande apologista de remakes e remastereds, mas abro sempre uma excepção à Nintendo pois eles conseguem sempre melhorar e adicionar conteúdo. Neste caso passou-se o mesmo.

Apesar de já ter tido a minha dose de Superstar Saga, adorei cada momento deste, apesar de na sua essência ser o mesmo jogo. Mario & Luigi: Superstar Saga é o fruto da relação entre um clássico RPG por turnos com as plataformas de Super Mario Bros. Desta vez Bowser não é o culpado, mas sim Cackletta, que decide raptar não a própria, mas sim a voz de Peach levando-a para o seu BeanBean Kingdom. Cabe aos dois irmãos mais famosos dos videojogos, viajar para o BeanBean Kingdom e resolver a situação. Sim, a acção passa-se toda num reino totalmente diferente do habitual Mushroom Kingdom, com novos inimigos, personagens e cenários completamente diferentes do que a Nintendo nos habituou nas aventuras de Mario. Como já referi anteriormente “Não existe uma enorme selecção de objectos e equipamentos para utilizar como noutros jogos do género, mas existem os essenciais e os combates são 75% habilidade e 25% evolução dos personagens. Mais que um RPG onde temos apenas que atacar, defender, usar magia ou itens, aqui teremos atacar e desviar de forma manual, ou seja, quando mandamos o personagem atacar, ao pressionar o botão de ataque na altura certa, iremos causar mais danos e quando somos atacados podemos saltar para esquivar ataque e até contra-atacar, caso o salto tenha sido efectuado na altura certa. Também podemos contar com ataques em conjunto dos dois irmãos, todos eles muito originais e com animações engraçadas, uma forma bastante divertida (e útil) de causar mais dano aos oponentes. A evolução dos personagens também tem um toque bastante original, não foge muito ao clássico “ganhar experiência para subir de nível”, só que a cada nível ganho podemos escolher um atributo a aumentar. Este aumento será feito com base numa roleta que aparece no ecrã e que aumentará o atributo com o número correspondente.” Mas nesta nova versão alguns detalhes foram revistos e adaptados aos tempos modernos até indo buscar alguns elementos de RPG’s de Mario posteriores ao original Superstar Saga. Alguns inimigos têm os atributos alterados, alguns nomes, itens com propriedades diferentes, os blocos de vida da versão japonesa original estão presentes nestes, uma “catrefada” de pequenos pormenores alterados que melhoram a experiência de jogo, sem estragar a essência do original.

Mas o que salta mais à vista é certamente o visual, e aqui foi tudo refeito. Eu adorei a forma como o jogo se apresentou no Game Boy Advance, era simplesmente perfeito, mas claro, os tempos são outros e as exigências também, e mais uma vez fizeram um trabalho exemplar nesta conversão. Tudo foi redesenhado e dando-lhe um aspecto mais 3D mas mais uma vez, sem desiludir os fãs do original, pois tratam-se dos mesmo mapas e dos mesmos puzzles. Os menus também foram refeitos e o ecrã inferior está a fazer a sua função: dar apoio ao jogador. Durante a exploração pode apresentar a lista de habilidades (o que dá bastante jeito principalmente quando chegamos ao ponto de ter imensas diferentes) e o mapa da área. Durante os combates apresenta os stats dos personagens, um guia com tutoriais para cada acção e um botão para ligar ou desligar a assistência. As músicas também foram todas regravadas e sim, os personagens continuam com aquele pseudo Simlish Italiano. Se já conhecem a história e querem é acção, agora existe um botão que permite acelerar as cutscenes.

Para além do combate, existem secções que têm que ser superadas através de mini-jogos, todos eles bastante divertidos. E por falar em mini-jogos, vamos falar sobre a grande novidade desta nova versão: O Minion Quest. Se se lembram da história original e sem tentar spoilar os novatos, existe uma nave que se despenha. É a partir daqui que a história dos minions de Bowser partem numa jornada pelo BeanBean Kingdom em busca do seu mestre, numa aventura paralela à dos canalizadores. Podemos aceder a este jogo assim que completamos a primeira grande quest em BeanBean Kingdom.

Devido à explosão, vários lacaios de Bowser foram projectados para vários pontos deste reino desconhecido. Começamos a jornada com um determinado Goomba que acorda numa caverna e decide ir ao encontro dos seus colegas. Ao encontrar os inimigos mais comuns de BeanBean Kingdom, decide lutar contra ele, e quando está quase a perder, lembra-se em usar a habilidade que o seu inimigo mais mortal, Mario, usa para o derrotar: o salto. A partir daqui embarcamos numa aventura onde iremos passar por todas as áreas de BeanBean Kingdom, recrutando velhos aliados e assistindo a eventos da campanha principal pelos olhos dos fiéis seguidores de Bowser. O controlo das tropas é automático, tirando nos momentos em que temos que executar Quick time events ao estilo da jogabilidade de Mario e Luigi, e nos momentos em que temos que usar habilidades dos capitães para nos ajudar. Existem 3 tipos de tropas: Ranged, Melee e Flying, e todas elas são fracas e fortes contra uma das outras. É um modelo utilizado muito em jogos mobile, e por falar em mobile, a progressão nos níveis faz muito lembrar o modelo popularizado por Puzzles & Dragons que cá está, serviu para inspirar dezenas de jogos mobile. Não se preocupem, não existem microtransacções. Certamente não é o motivo pelo qual os fãs irão comprar este jogo, mas é um mini-jogo bastante divertido que adiciona várias horas extra ao jogo.

Em suma, Mario & Luigi: Superstar Saga + Bowser’s Minions está polido até ao mais pequeno pormenor. A Nintendo não se limitou a fazer uma conversão para a “nova geração”, mas melhorou o jogo em vários aspectos e adicionou uma nova campanha. A história, tanto de Mario e dos Minions são bastante divertidas. Não se tratam de Final Fantasies 6 ou Chrono Triggers, mas contam com a boa disposição de Mario e foge à regra do “Bowser rapta a Peach, bora salva-la, yeah!”. 14 anos depois, este continua a ser um dos meus RPG’s de eleição e que me deu um prazer enorme voltar a matar cada inimigo e completar cada puzzle e rir com cada disparate de Luigi.