26 Mar 2020
PS4

Análise – Injustice 2

Super-Homem está de volta e pior que nunca. 

Durante as últimas semanas debrucei-me sobre dois dos maiores concorrentes a jogo de luta da geração actual e apesar de muito desiludido com ambos, sei que Injustice 2 ia-me tirar este gosto amargo da boca. Bem dito bem feito. Sem dúvida alguma o melhor jogo de luta (para mim) desta geração, pelo menos até à data. E sinceramente, se há algum concorrente à altura, esse vem do mesmo estúdio e chama-se Mortal Kombat XL.

Como não é só de um parágrafo que vive uma análise, venho-vos dizer o porque de eu ter adorado tanto este jogo.

Para começar, iniciamos a nossa aventura com um tutorial a sério onde nos ensina toda as manhas básicas e ate golpes e combos avançados de forma bastante intuitiva para nos habituar desde cedo para o que está para vir que é, uma experiência impiedosa em que vale tudo menos chorar. Chega até a ser masoquista a forma com que este jogo nos faz entregar a ele para competir online com outros lutadores de alto gabarito que já têm escola desde os primórdios da série MK.

Os personagens base e canónicos estão todos de volta, até aqueles que já morreram retornam só porque sim (spoiler alert). No entanto sofreram mudanças a nível estético e apresentam modelos diferentes daqueles que vimos no primeiro título. A Harley Quinn por exemplo, tem o mesmo modelo do filme Suicide Squad, sendo apenas o seu estilo a única coisa de boa a aproveitar daquela quase-que-tortura de 2 horas.

Para vos ser sincero, eu adorei este modelo, porque sempre achei o design dela (desde a série Arkham) muito sem sal e acabando sempre por cair no plano secundário ou até terciário de uma tela esborratada de Joker de alto a baixo. Ela aqui ganha um papel fundamental e carismático na história fazendo-nos esquecer o seu amante por completo. Continuando…

A única coisa em que Injustice 2 peca é na falta de personagens novos e no seu reduzido roster. Para muitos o número de personagens jogáveis e novos é suficiente, mas para mim não chega. Eu quero mais, muito mais, pois o universo DC é “infindável” e há tanto personagem bom que merecia estar cá, mas tenho que aceitar que estamos em 2017 e se queremos mais, temos de pagar mais, mesmo que já tenhamos pago full-price por um jogo. Vivam os DLC (not).

Todos os heróis e inimigos estão com um visual high-tech e sofisticado, a transpirar sci-Fi até demais, mas visto que o plot é derrotar Brainiac e impedi-lo de continuar a coleccionar planetas e muito mais, até que acenta que nem uma luva. Desculpem-me se não me quero alongar mais em vos explicar a história, mas se o fizer, de que vos vale comprar o jogo depois?

Gostei bastante da forma como todos se tratam durante as diversas cinemáticas, fazendo inúmeras pontes narrativas entre o primeiro e o segundo Injustice e muitas vezes até entre graphic novels icónicas, como se ainda existisse bad blood entre heróis por passados cruzados.

O gameplay, ataques dos personagens e até os ambientes manipuláveis estão de volta e em grande, como só a NetherRealm nos consegue oferecer.

A movimentação dos personagens continua fluída e bem articulada, conseguindo proporcionar combos em todas as direcções e trajectórias. Seja no ar, no chão, com recurso a objectos do cenário e até a uso de companheiros de jogo, tudo é motivo para espancar o adversário e está tudo ao nosso alcance desde que saibamos a combinação certa. E se tudo isso não nos chegasse, ainda temos os special moves que (ao apertar L2 e R2 após a barra de energia estar cheia) oferecem uma tareia cinemática ao nosso adversário de pôr qualquer Zack Snyder à procura de trabalho no tasco mais próximo. E para finalizar, temos a opção de Clash, que para quem é poupadinho na sua barra de special, pode fazer uso dela para tentar regenerar a sua vida ou tirar ainda mais à do adversário a custo da mesma.

No que toca a banda sonora, toda ela é feita por orquestra e oferece uma mescla de epicidade negra com tons de Batman de Tim Burton e Superman de Richard Donner. Pelo menos senti que em todo o jogo tentaram transportar a sonoridade de filmes DC dos anos 70 a 90, não fazendo recurso nenhum a modernices ou sintetizadores infestados de azeite, coisa que deplorávelmente a série Tekken (por exemplo) teima em achar que é “bué fixe”.

No que toca ao modo de história, posso dizer que não é de todo original nem a coisa mais magnificente do universo DC (não tivessem já sido lançadas obras como Crise das Terras Infinitas ou até Watchmen)  mas que é prestável em todos os seus aspectos, encostando a um canto qualquer filme já lançado que não tenha o cunho de Christopher Nolan, lá isso é. Não estou a querer falar mal de nenhuma longa metragem da DC mas também não ponho esta história num pedestal. Cumpre os seus requisitos e serve para apresentar e conhecer alguns personagens lendários do universo DC que tinham caído em desuso ou que viveram sempre nas sombras do menino morcego-filantropo e do dono do pior disfarce da história dos super heróis. Sim, os óculos do Clark Kent, passadas tantas décadas, continuam a ser para mim o disfarce mais ridículo e menos convincente de sempre.

Como já tinha dito anteriormente, não me vou alongar muito a explicar a história porque é para mim a maior e melhor fatia deste bolo, mas…Injustice 2 segue a linha temporal do primeiro título e a luta entre heróis e inimigos continua a mesma mixórdia a que o primeiro jogo nos ambientou. A Justice League está morta, os heróis estão todos virados uns contra os outros, e os seus inimigos também ajudam à festa até Brainiac chegar e por em causa a vida de tudo e todos. Não faço spoilers mas muitos heróis vao quebrar barreiras e mostrar um lado que nunca vimos nas comics, muito menos em jogos.

Falando agora de outros modos de jogos disponíveis. Temos o modo Brother Eye Vault em que abrimos as Mother Boxes que vamos recebendo no modo história e em outros modos. Essas Mother Boxes vêm em bronze, prata, ouro, platina ou diamante e consoante a sua qualidade desbloqueamos equipamento para as dezenas de personagens disponíveis. Podemos aumentar os seus atributos como força, habilidade, defesa, vida e até mudar os seus visuais. Esses upgrades também têm o seu grau de riqueza e raridade, sendo comuns, raros ou épicos, podendo vendê-los e comprar mais caixas. Gosto de chamar a este modo, o modo Hoarder, pois temos centenas de ítens à nossa disposição, o que oferece uma longevidade ao jogo bem satisfatória, se quisermos completá-lo.

Quem também marca presença em quase todos os fighters actuais é o modo Online. Aqui podemos fazer combates em Ranked, em Player ou Private. No primeiro modo competimos com o mundo todo enquanto subimos no rank internacional, em Player entramos em salas comuns e combatemos também com jogadores de todo o mundo. E por fim, em Private, convidamos amigos para jogar e passamos ali um bom bocado, ou não. O Flávio por exemplo, ficou muito chateado a jogar comigo. Vá-se lá saber porque… 😀

Em Injustice 2 podemos fazer uso do nosso telemóvel e usar a aplicação do mesmo jogo para ganhar prémios e bónus para os nossos personagens. Podemos também criar guilds com os nossos amigos e concluir desafios diários como derrotar bosses de outras guilds adversárias, jogar na Guild Multiverse (já vos explico o que é o Multiverse) e até desbloquear troféus exclusivos do modo Guild.

Para além de tudo isto temos ainda o Multiplayer Offline com o já clássico modo Versus e ainda o modo AI Battle Simulator, onde podemos escolher uma equipa de até 3 jogadores e deixar o computador lutar contra outros 3 jogadores e ir ganhando experiência automáticamente. Para quem quer uma platina neste jogo, aqui Injustice 2 faz-vos a papinha toda. E até podem acelerar o jogo 4 vezes mais. Que mais podemos pedir quando um jogo faz questão de jogar por nós? Isto é o futuro meus amigos.

Conforme os nossos personagens vão evoluindo, vamos desbloqueando slots onde podemos equipar mais acessórios, mas tenham atenção porque quanto mais poderoso o acessório, maior terá de ser o nível desse personagem.

Passando agora para o modo história. Aqui vocês simplesmente desfrutam das cinemáticas enquanto fazem uma luta aqui e ali. A capa capítulo temos um determinado personagem, e por vezes o jogo dá-nos a hipótese de escolher um de dois. Mais tarde terão de completar os mesmos capítulos com os personagens que não escolheram para assistir ao final alternativo.

E agora não menos importante que qualquer outro modo de jogo, temos o modo Multiverse, que para quem está familiarizado com a Crise nas Terras Infinitas, vai saber exactamente do que isto se trata. Apesar do tema clássico, o modo de jogo não oferece nada de mais para além de continuar a lutar e a lutar para ganhar equipamento e dinheiro. Basicamente existem milhares de Terras, e a nossa missão é analisá-las, detectar conflitos e neutralizá-los vezes sem conta. E é isto.

Injustice 2 é o jogo de luta do ano e dúvido que haja alguém que consiga justificar o contrário. Felizmente não sou uma pessoa tendenciosa e sou muito dono da minha opinião. Se há jogo que a crítica aponta como mau, eu vou lá jogar e ver por mim mesmo se realmente é assim tão mau. Neste caso, a crítica aponta o jogo como excelente e eu digo que excelente não lhe faz justiça. É quase que perfeito, e como já tinha apontado antes, a falta de mais personagens e introdução de novas que causassem impacto acabou por ficar um pouco áquem das minhas expectativas.

O estúdio NetherRealm vem mostrar que tem mais que um trunfo na manga para a competição de melhor fighting game da geração actual. A Capcom, SNK,Bandai Namco, entre outras que se ponham a pau.

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